O táxi parou em frente ao hotel pouco depois do meio-dia.
Lorena pagou a corrida, saiu do carro e ficou alguns segundos olhando para a fachada simples do prédio. Naquele momento, o lugar parecia ainda menor do que no dia em que chegou.
Talvez porque agora ela sabia que era apenas um ponto de passagem.
Logo teria um apartamento.
Um lugar só seu.
A ideia trouxe um pequeno alívio que ela não sentia há dias.
Entrou na recepção carregando a bolsa contra o corpo. O mesmo funcionário da noite anterior estava atrás do balcão, folheando um jornal.
Ele levantou os olhos.
- Boa tarde, senhora Lorena.
- Boa tarde - respondeu ela com um sorriso educado.
Pegou a chave do quarto e seguiu pelo corredor estreito até o elevador.
Enquanto subia, pensava na lista que havia feito no celular.
Pela primeira vez em muito tempo, Lorena sentia que estava construindo algo por conta própria.
Quando chegou ao corredor do seu andar, caminhou até a porta do quarto com passos tranquilos.
Abriu a porta.
O quarto estava exatamente como havia deixado.
A cama desfeita.
A mala aberta sobre a cadeira.
Nada parecia fora do lugar.
Lorena fechou a porta atrás de si e caminhou até a mala.
Precisava organizar suas coisas e separar o dinheiro que ainda restava depois do depósito do aluguel.
Aquele dinheiro precisava durar.
Ela se ajoelhou ao lado da mala e abriu o compartimento interno onde havia escondido o maço.
Então parou.
Franziu a testa.
Passou a mão dentro do bolso de tecido.
Vazio.
Lorena piscou, confusa.
Talvez tivesse colocado em outro lugar.
Abriu outro compartimento da mala.
Nada.
O coração começou a bater mais rápido.
Ela virou a mala inteira sobre a cama.
Roupas se espalharam pelo colchão.
Camisetas.
Calças.
Uma pequena bolsa de maquiagem.
Mas o dinheiro… não estava ali.
- Não… - murmurou, sentindo o estômago afundar.
Lorena começou a procurar com mais rapidez.
Abriu a bolsa.
Vasculhou os bolsos.
Revirou cada pedaço de tecido da mala.
Nada.
O ar parecia mais pesado dentro do quarto.
Ela ficou parada no meio da bagunça que havia feito, tentando respirar.
Era impossível.
Ela tinha certeza absoluta de que havia deixado o dinheiro ali.
O mesmo dinheiro que tinha protegido com tanto cuidado.
O mesmo dinheiro que quase perdeu naquele beco quando aqueles homens tentaram roubá-la.
Agora… tinha simplesmente desaparecido.
Lorena pegou o celular com mãos trêmulas.
Não.
Aquilo não podia estar acontecendo.
Saiu do quarto quase correndo e desceu até a recepção.
- Preciso falar com alguém - disse assim que chegou ao balcão.
O funcionário ergueu as sobrancelhas.
- Aconteceu alguma coisa, senhora?
- O dinheiro que estava no meu quarto sumiu.
O homem franziu a testa.
- Desculpe?
- Meu dinheiro - repetiu Lorena, tentando manter a calma. - Eu tinha uma quantia guardada na minha mala. Agora não está mais lá.
O funcionário parecia genuinamente confuso.
- Senhora… ninguém entrou no seu quarto.
- Como pode ter certeza disso?
- Porque temos registro das chaves - explicou ele. - E o quarto não foi limpo hoje.
- Então alguém entrou mesmo assim.
Ele balançou a cabeça.
- As câmeras do corredor confirmariam isso.
- Então vamos ver as câmeras.
O funcionário hesitou por um segundo.


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