Do outro lado da cidade, o celular de Dante vibrou sobre a mesa.
Ele ainda estava no escritório, embora o relógio já marcasse o final da tarde. A luz alaranjada do pôr do sol atravessava as janelas de vidro do prédio e se espalhava pelo chão de madeira escura.
Dante pegou o telefone.
Era a mensagem que ele estava esperando.
Um relatório curto.
Direto.
Ele leu em silêncio.
Lorena havia voltado ao hotel.
Descobriu que o dinheiro tinha desaparecido.
Reclamou na recepção.
Não conseguiu nenhuma resposta.
Dante permaneceu imóvel por alguns segundos, o olhar fixo na tela.
Então fechou os olhos lentamente.
- Droga, Rafael… - murmurou.
Aquilo era exatamente o tipo de jogo sujo que ele esperava.
Mas mesmo esperando, ainda o irritava.
Dante apoiou os cotovelos na mesa e passou a mão pelo rosto, pensativo.
Ele sabia muito bem qual era a lógica por trás daquilo.
Rafael não precisava ameaçar Lorena.
Não precisava gritar.
Nem persegui-la diretamente.
Bastava retirar as opções dela, uma por uma.
Dinheiro.
Trabalho.
Estabilidade.
Quando ela estivesse sem nada…
Voltaria.
Era simples.
Era cruel.
E funcionava.
O telefone vibrou novamente.
Uma nova mensagem.
“Ela ficou no quarto por cerca de quarenta minutos. Agora saiu.”
Dante respirou fundo.
Digitou a resposta.
“Continuem monitorando.”
Ele hesitou por um instante antes de completar.
“Não deixem que os capachos do Rafael percebam.”
Alguns segundos depois enviou outra mensagem.
“E não deixem que ela fique completamente sem saída.”
A resposta veio quase imediata.
“Entendido.”
Dante apoiou-se na cadeira, olhando para o teto.
A última coisa que ele queria…
Era que Lorena se sentisse encurralada.
Porque, se isso acontecesse, ele sabia exatamente qual seria o resultado.
Ela voltaria para Rafael.
Não por amor.
Mas por necessidade.
E essa era uma possibilidade que Dante simplesmente não aceitava.
Do outro lado da cidade, Lorena saiu da agência bancária segurando algumas notas dobradas dentro da bolsa.
O valor parecia quase ridículo.
Algumas centenas de reais.
Tudo que restava.
Ela respirou fundo enquanto caminhava pela calçada movimentada.
O vento da tarde bagunçava levemente seu cabelo, e o barulho constante dos carros misturava-se ao som distante de vendedores ambulantes.
Lorena apertou a alça da bolsa contra o corpo.
Não importava.
Aquilo ainda era o suficiente para começar.
Ou pelo menos tentar.
Enquanto caminhava, sua mente voltou inevitavelmente para os últimos anos.
Ela sempre havia sido uma boa aluna.
Filha de uma família simples.
Os pais tinham trabalhado duro a vida inteira.
O pai em um pequeno comércio.
A mãe fazendo costuras para complementar a renda.
Nada nunca tinha sido fácil.
Mas eles sempre repetiam a mesma coisa.
Independência.
- Estude - dizia sua mãe. - Para que nunca precise depender de ninguém.
Lorena tinha seguido esse conselho por muitos anos.
Estudou.
Entrou na faculdade.
Começou a construir uma carreira.
E então Rafael apareceu.
No início ela resistiu, por que no fundo sempre soube, eles não eram do mesmo mundo.
Mas ele era um homem determinado, apaixonado, que dizia querer cuidar dela.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia