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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 20

Lorena terminou a última garfada da torta sem realmente sentir o gosto.

O prato estava quase vazio diante dela, mas o doce parecia ter se transformado em areia na boca.

Do outro lado da rua, o homem continuava ali.

O mesmo terno escuro.

A mesma postura rígida.

Fingindo olhar o celular.

Observando.

Esperando.

Lorena abaixou os olhos para o prato enquanto uma sensação pesada crescia dentro de seu peito.

Então era assim.

Rafael estava realmente fazendo aquilo.

Bloqueando cada porta.

Fechando cada caminho.

Como se ela fosse uma coisa… um objeto… que simplesmente precisava voltar para onde ele queria.

A raiva começou a ferver sob sua pele.

Que direito ele tinha?

Que direito aquele homem manipulador, arrogante e traidor tinha de controlar a vida dela daquela forma?

Ele tinha sido infiel.

Ele tinha mentido.

Ele tinha destruído o casamento deles.

E ainda assim se comportava como se ela fosse a culpada por ir embora.

Lorena empurrou a cadeira para trás e se levantou.

Por um instante, um pensamento atravessou sua mente com força.

Ir até Rafael.

Entrar no escritório dele.

Olhar diretamente nos olhos dele.

E perguntar:

“Quem você pensa que é?”

Mas a ideia desapareceu quase tão rápido quanto surgiu.

Ela sabia exatamente o que aconteceria.

Rafael sorriria.

Com aquela calma fria que ele sempre tinha.

E diria que tudo aquilo era para o bem dela.

Para protegê-la.

Para fazê-la perceber que pertencia a ele.

Lorena pegou a bolsa e caminhou até o caixa para pagar.

O ar dentro da confeitaria parecia pesado agora.

Ela precisava sair dali.

Precisava pensar.

Do lado de fora, o sol da manhã estava forte.

Assim que começou a andar pela calçada, percebeu imediatamente.

O homem também começou a andar.

Não muito perto.

Mas perto o suficiente.

Lorena apertou os dedos ao redor da alça da bolsa.

Então havia mais de um.

Ela notou outro reflexo em uma vitrine alguns metros adiante.

Outro homem.

Outro terno escuro.

Outro olhar discreto demais para ser coincidência.

Uma risada amarga escapou de seus lábios.

- Eu fui mesmo estúpida… - murmurou para si mesma.

Durante dias ela havia acreditado que bastava jogar fora o celular.

Trocar de número.

Desaparecer.

Como se aquilo fosse suficiente para escapar de um homem como Rafael.

Ela havia subestimado o poder dele.

Rafael não precisava de um telefone para encontrá-la.

Ele simplesmente precisava decidir.

Lorena continuou caminhando até a entrada da estação de metrô.

As escadas rolantes desciam para o subterrâneo cheio de gente.

O cheiro de ferro e o som da eletricidade misturava-se ao som constante dos trens chegando e partindo.

Ali, no meio da multidão, talvez fosse mais difícil observá-la.

Ela passou pelas catracas e entrou na plataforma.

O trem chegou alguns minutos depois.

Lorena entrou e encontrou um espaço perto da porta.

O vagão estava cheio.

Pessoas segurando bolsas.

Outras olhando o celular.

Algumas conversando baixo.

A vida cotidiana acontecendo como se nada estivesse errado.

Mas Lorena ainda conseguia sentir o peso invisível daquela vigilância.

Quando o trem partiu, ela tirou o celular da bolsa quase por reflexo.

Não sabia exatamente o que estava procurando.

Talvez distração.

Talvez esperança.

Enquanto rolava a tela, um anúncio apareceu entre as publicações.

Uma página de empregos que ela havia começado a seguir recentemente.

Lorena quase passou direto.

Mas uma frase chamou sua atenção.

“Precisa-se de ajuda urgente para produção de doces em buffet. Pagamento imediato.”

Ela piscou.

Abriu o anúncio.

Era simples.

Um buffet precisava de ajuda extra para preparar sobremesas para uma festa grande naquela mesma tarde.

A equipe havia tido problemas com alguns funcionários.

Precisavam de alguém com noções básicas de confeitaria.

Lorena sentiu o coração bater mais rápido.

Ela continuou lendo.

Pagamento: duzentos reais.

Alguns dias antes aquele valor teria sido insignificante.

Algo que ela gastaria sem pensar em um restaurante caro.

Agora…

Parecia uma salvação.

Vinte e um 1

Vinte e um 2

Vinte e um 3

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