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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 21

Lorena chegou ao endereço do buffet alguns minutos antes do meio-dia.

O lugar ficava em um galpão reformado nos fundos de uma rua movimentada do centro. A fachada era simples, quase discreta, mas através do vidro da porta era possível ver uma cozinha grande e movimentada.

Ela parou por um instante na calçada.

Respirou fundo.

O cheiro doce que escapava pelas frestas da porta chegou até ela antes mesmo de entrar.

Chocolate.

Baunilha.

Manteiga quente.

Lorena empurrou a porta.

Assim que entrou, foi atingida por uma mistura deliciosa de aromas e sons. Panelas batiam, batedeiras industriais giravam com um zumbido constante e bandejas ocupavam quase todas as bancadas.

A cozinha parecia um pequeno caos perfeitamente organizado.

Duas pessoas discutiam animadamente perto de um forno industrial.

Uma mulher de cerca de cinquenta anos, com os cabelos presos em um coque firme, segurava uma espátula como se fosse uma arma enquanto falava rapidamente.

- Eu já disse, Paulo, se você queimar mais uma bandeja de biscoitos hoje eu te proíbo de chegar perto do forno!

O homem diante dela levantou as mãos dramaticamente.

- Aquilo foi um acidente!

- O terceiro acidente hoje! - retrucou ela.

Lorena hesitou na porta.

- Com licença…

Os dois se viraram ao mesmo tempo.

A mulher a avaliou rapidamente da cabeça aos pés.

- Você é a Lorena?

- Sim.

A expressão dela suavizou imediatamente.

- Graças a Deus você veio - disse, já pegando um avental e estendendo para ela. - Estamos completamente atrasados.

Lorena colocou o avental.

O tecido ainda estava quente, como se alguém tivesse acabado de usá-lo.

- O que eu posso fazer?

A mulher apontou para uma bancada cheia de ingredientes.

- Brigadeiros gourmet. Precisamos de pelo menos cento e cinquenta até o final da tarde.

Lorena piscou.

- Cento e cinquenta?

- Casamento - respondeu a mulher como se aquilo explicasse tudo. - E o noivo decidiu aumentar a lista de convidados ontem à noite.

O homem ao lado dela bufou.

- Eu disse que esse casamento ia dar problema.

A mulher revirou os olhos.

- Paulo, se você não ajudar em vez de comentar, eu juro que-

Ela parou e apontou para Lorena.

- Dona Jô - apresentou-se, estendendo a mão. - A dona desse circo todo.

- Lorena.

- E aquele ali é o Paulo, nosso especialista em fofocas inúteis.

- Ei! - protestou ele. - Informação social relevante.

Lorena não conseguiu evitar um pequeno sorriso.

Já fazia dias que ela não se sentia… normal.

Dona Jô bateu palmas uma vez.

- Certo, mãos à obra.

As horas seguintes passaram num ritmo que Lorena quase tinha esquecido que existia.

A cozinha era quente, barulhenta e caótica - mas de um jeito bom.

Panelas chiavam.

Tigelas giravam nas batedeiras industriais.

O forno abria e fechava sem parar.

Paulo cantarolava músicas pop enquanto moldava pequenos doces com uma habilidade impressionante.

Lorena ficou encarregada de ajudar na finalização dos brigadeiros gourmet e na organização das bandejas.

No começo, suas mãos ainda lembravam o peso dos últimos dias.

Os movimentos eram contidos, cuidadosos demais.

Mas, aos poucos, a rotina da cozinha foi tomando conta.

O açúcar grudando nos dedos.

O cheiro de chocolate quente subindo da panela.

A pressa das encomendas.

O barulho das risadas ocasionais.

Ela sentiu algo que não experimentava há muito tempo.

Leveza.

- Olha só - comentou Paulo enquanto enrolava um docinho com uma agilidade impressionante. - Você tem mão boa. Já fez isso antes?

- Fiz alguns cursos - respondeu Lorena, concentrada em alinhar os brigadeiros na bandeja. - Mas faz tempo que não praticava.

- Relaxa - ele disse, jogando mais chocolate em uma tigela. - Depois que aprende, o corpo não esquece. Igual andar de bicicleta. Ou fofocar sobre a vida alheia.

Lorena riu.

- Você realmente gosta de uma fofoca, né?

- Gostar? - Paulo fingiu indignação. - Amiga, isso é uma arte. Eu sou um artista. Tenho fontes, tenho arquivos, tenho até teorias.

Ele se inclinou para mais perto e baixou a voz dramaticamente.

- Inclusive… quer saber de uma?

Lorena ergueu uma sobrancelha.

- Depende do nível do escândalo.

- Altíssimo nível.

Ele apontou discretamente para uma pilha de caixas decoradas.

- Esse casamento que a gente tá preparando os doces?

- Sim?

- O noivo? Tá tendo um caso com a cerimonialista.

Lorena piscou.

- O quê?

- Juro! - Ele levou a mão ao peito. - A Dona Jô não gosta que eu fale, mas eu vi tudo. Eles se encontraram semana passada nos fundos do salão de festas. Ela tava com a pasta de planejamento… ele tava com a mão no lugar errado.

Lorena sentiu o estômago dar um nó leve.

Não por si mesma.

Mas pela noiva que não fazia ideia.

- Isso é horrível - murmurou.

- É - concordou Paulo, agora mais sério. - Mas acontece muito, sabe? Gente que jura amar… e trai escondido.

Lorena abaixou os olhos para os doces.

Por um instante, a leveza ameaçou desaparecer.

A lembrança veio como uma lâmina.

Promessas.

Mentiras.

Traição.

- Você tá bem? - Paulo perguntou, percebendo a mudança.

Ela forçou um sorriso.

- Tô. Só… pensei em algo.

Vinte e dois 1

Vinte e dois 2

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