A porta do escritório se fechou com um estalo seco.
O som ecoou pelo espaço amplo, quebrando o caos que havia tomado conta da sala minutos antes.
O silêncio que ficou depois parecia quase irreal.
Pesado.
Espesso.
Como o ar depois de uma tempestade.
Os seguranças haviam escoltado Rafael para fora do prédio à força. Nelson também fora atrás dele, tentando impedir que a situação escalasse para algo ainda pior.
Agora restavam apenas os vestígios da explosão.
Uma cadeira caída.
Fragmentos de vidro espalhados pelo chão refletindo as luzes da cidade.
O copo de água quebrado ao lado da mesa.
Uma das cadeiras da mesa de reunião estava torta, como se tivesse sido empurrada com violência.
Dante permaneceu imóvel no centro da sala por alguns segundos.
A respiração ainda pesada.
O peito subindo e descendo lentamente enquanto a adrenalina da briga começava a desaparecer.
Ele passou a língua pelo interior da boca e sentiu o gosto metálico do sangue.
Rafael ainda sabia bater.
Dante soltou uma breve risada sem humor.
- Impressionante - murmurou para si mesmo.
Com calma, ele caminhou até a mesa e pegou um lenço de papel.
Pressionou contra o corte no lábio.
O papel branco manchou quase imediatamente.
Dante observou aquilo por um instante.
Depois respirou fundo.
Os olhos deslizaram lentamente pelo escritório silencioso.
Então ele falou:
- Já pode sair.
A voz dele quebrou o silêncio.
Nada aconteceu por um segundo.
Dois.
Três.
Então a porta do banheiro se abriu lentamente.
Lorena apareceu no vão da porta.
Os cabelos ainda um pouco desalinhados.
Os olhos grandes demais para o rosto pálido.
Ela parecia alguém que acabara de atravessar um terremoto emocional.
E talvez tivesse.
Durante todo aquele tempo ela estivera ali.
A poucos metros da briga.
A poucos metros de Rafael.
O homem que ela havia amado.
O homem que agora parecia um estranho.
Dante a observou em silêncio.
Nenhum dos dois falou imediatamente.
Lorena saiu devagar.
Os passos cuidadosos entre os cacos de vidro espalhados pelo chão.
Ela desviou de uma cadeira caída antes de parar a alguns metros dele.
- Ele foi embora?
- Foi.
A resposta veio simples.
Direta.
Lorena soltou um pequeno suspiro que parecia preso no peito havia muito tempo.
Os olhos dela se moveram pela sala destruída.
- Vocês dois quase derrubaram o escritório.
Dante deu de ombros.
- Ele começou.
Ela ergueu uma sobrancelha.
- Claro que começou.
Um silêncio curto se instalou.
Dante a observava com atenção agora.
Como se tentasse decifrar algo que não estava sendo dito.
- Você ouviu tudo.
Não era uma pergunta.
Lorena assentiu lentamente.
- Ouvi.
Ela desviou o olhar por um momento.
O peso daquelas palavras ainda pairava no ar.
"Você estava ocupado demais fudendo com a sua cunhadinha…"
A frase de Dante parecia ecoar na cabeça dela.
Cada sílaba.
Cada acusação.
Lorena inspirou fundo.
- Ele acredita que você me sequestrou.
- De certa forma - Dante respondeu - foi exatamente o que eu fiz.
Ela olhou para ele novamente.
Mas dessa vez havia algo diferente no olhar.
Cansaço.
E uma estranha calma.
Como alguém que já chorou tudo o que podia chorar.
Dante apoiou-se levemente na borda da mesa.
O papel ainda pressionado no lábio.
- Então - disse ele. - Vamos voltar ao assunto que interrompemos.
Lorena cruzou os braços, como se tentasse se proteger.
O silêncio entre os dois se alongou.
- Você acabou de ver como ela está? - Dante continuou.
Lorena passou a mão pelos cabelos.
Pensando.
Relembrando tudo o que havia acontecido nos últimos dias.
A traição.
A humilhação.
A fuga.
Os homens no metrô.
O olhar de Rafael momentos antes.
A dor que ainda existia ali.
Ela suspirou.
- Eu não quero mais depender de ninguém.
Dante observou cada nuance da expressão dela.
- Nem mesmo de alguém que pode garantir sua segurança?
Lorena ergueu os olhos.
- Segurança em troca de controle ainda é uma prisão.
Dante não respondeu imediatamente.
Algo no canto da boca dele se moveu.
Quase um sorriso.
- Você é mais teimosa do que eu imaginei.
- Eu prefiro chamar de sobrevivente.
O olhar dele deslizou rapidamente para o reflexo da própria imagem no vidro da janela.
O lábio ainda sangrava.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia