A porta da mansão Menezes foi aberta com tanta força que bateu contra a parede.
O som ecoou pelo enorme hall de entrada como um tiro.
A governanta que organizava flores na mesa central levou um susto tão grande que quase derrubou o vaso de cristal.
- Senhor Rafael…
Ele nem olhou para ela.
Passou direto.
A gravata estava torta, a camisa parcialmente aberta no colarinho. O rosto ainda carregava marcas da briga - um leve inchaço no maxilar e um corte pequeno perto da sobrancelha.
Mas o que realmente chamava atenção era o olhar.
Escuro.
Tempestuoso.
Atrás dele, Nelson entrou logo depois, fechando a porta com um pouco mais de cuidado.
- Rafael - tentou, em tom baixo. - Vamos resolver isso com calma.
Rafael soltou uma risada curta.
Sem humor.
- Calma?
Ele virou o rosto para o amigo.
Os olhos estavam vermelhos. A voz fria e com uma calma superficial capaz de congelar os ossos.
- Eu estou tentando me resolver com minha esposa há dias, Nelson. Descubro que alguém tentou matá-la… e você quer que eu tenha calma?
Nelson abriu a boca para responder.
Mas Rafael já estava atravessando o hall.
- Onde ela está? - perguntou ele à empregada sem sequer parar.
A mulher piscou, nervosa.
- Dona Nina está na sala de estar, senhor.
Rafael não disse mais nada.
Caminhou direto pelo corredor longo da mansão.
O som dos passos ecoava pelo chão de mármore.
Cada passo parecia carregar mais raiva que o anterior.
A porta da sala de estar estava entreaberta.
Rafael a empurrou.
Dentro da sala, Nina estava sentada no sofá.
Uma pequena roupinha de bebê descansava nas mãos dela.
Um macacãozinho branco, delicado, com pequenos bordados azuis.
A televisão estava ligada em volume baixo, exibindo algum programa que ninguém estava realmente assistindo.
Ela parecia tranquila.
Calma demais.
Quando levantou os olhos e viu Rafael ali parado…
O sangue desapareceu do rosto dela.
- Rafael…
A palavra saiu fraca.
Quase um sussurro.
Ele fechou a porta atrás de si com um empurrão.
- Você tem alguma coisa que queira me contar?
A voz dele estava baixa.
Mas carregada de uma fúria que parecia vibrar no ar.
Nina engoliu em seco.
- Eu… não sei do que você está falando.
Rafael começou a andar pela sala.
Devagar.
Como um predador que circunda a presa.
- Não sabe?
Ele pegou o controle remoto da mesa de centro e desligou a televisão.
A tela ficou preta.
O silêncio tomou conta do ambiente.
Pesado.
- Interessante.
Nina colocou a roupinha de bebê na mesa.
As mãos tremiam levemente agora.
- Rafael… você está me assustando.
- Ótimo.
Ele parou bem na frente dela.
Os olhos escuros, implacáveis.
- Porque eu estou aqui exatamente para isso.
Nina forçou um sorriso nervoso.
- Isso não faz sentido…
Rafael riu.
Mas foi uma risada fria.
Perigosa.
- Não faz?
Ele se inclinou um pouco.
Os olhos cravados nos dela.
- Então me explica uma coisa.
O silêncio ficou pesado.
- Por que dois homens tentaram sequestrar Lorena hoje… e têm ligação com uma conta bancária que leva até aquela sua grande amiguinha Helena Moraes?
O coração de Nina disparou.
O ar pareceu desaparecer da sala.
Mas ela tentou manter a expressão neutra.
- Isso é absurdo.
- É?
Rafael se aproximou ainda mais.
- Porque para mim faz bastante sentido.
Nelson entrou na sala naquele momento.
Ele já percebia para onde aquilo estava indo.
- Rafael - disse com cuidado. - Lembra que ela está grávida do seu filho afinal.
Rafael ignorou completamente o amigo.
- Eu vou perguntar mais uma vez.
A voz dele estava baixa.
Mas cada palavra parecia uma ameaça.
- O que você fez?
Nina levantou-se do sofá rapidamente.
- Eu não fiz nada!
O tom saiu mais alto do que ela pretendia.
A respiração dela estava acelerada agora.
- Você está me acusando sem provas!
Rafael ficou olhando para ela.
- E escutem bem.
Os seguranças pararam.
- A partir de agora, Nina Menezes não sai da vista de vocês.
Os homens trocaram um olhar rápido.
- Senhor?
- Eu quero vigilância vinte e quatro horas.
Ele cruzou os braços.
- Ela não fala com ninguém.
- Não faz nenhuma ligação.
- Não recebe visitas.
O tom dele era tão frio que fez Nelson estremecer.
- Sem a minha permissão… - Rafael continuou - ela não dá um único passo.
Os seguranças assentiram imediatamente.
- Sim, senhor.
Eles pegaram Nina com cuidado.
Levantando-a do chão.
O corpo dela parecia frágil agora.
Quase pequeno.
Quando saíram da sala carregando-a, o silêncio voltou a dominar o ambiente.
Nelson levantou-se lentamente.
- Você percebe que fez tudo isso com a Lorena pelo filho que ela está esperando?
Rafael estava olhando para a porta.
Os olhos escuros.
- Ela tentou matar minha esposa.
Nelson suspirou.
- Se alguma coisa acontecer com o bebê… você fica sem mulher e sem filho.
Rafael finalmente virou o rosto.
O olhar dele estava gelado.
- A criança é o único motivo para essa mulherzinha ainda respirar.
A convicção na voz dele era assustadora.
- Eu fingi não perceber a armadilha dela naquela noite…
Ele passou a mão pelo maxilar machucado.
- Isso deu coragem suficiente pra ela achar que podia brincar comigo.
Ele caminhou até a janela.
A cidade brilhava lá fora.
A expressão fria.
Aparentemente controlado.
Mas Nelson sabia.
Aquela calma era como o mar antes de um tsunami.
- Depois que a criança nascer… - Rafael continuou, a voz baixa - eu tenho contas pendentes para acertar com ela.
O silêncio se instalou novamente.
Então ele completou:
- Mas se a Lorena não voltar…
Rafael olhou para a própria mão.
Os dedos lentamente se fechando em um punho.
- Nina vai implorar para ter morrido hoje.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia