Lorena terminou de pressionar a gaze contra o corte no lábio de Dante.
- Pronto - murmurou ela.
Então se afastou um pouco para observar o resultado do próprio trabalho.
- Não ficou perfeito, mas deve sobreviver.
Dante soltou um leve som de aprovação.
- Considerando que fui atendido por uma médica improvisada, acho que estou em boas mãos.
Lorena fechou a pequena caixa de primeiros socorros e a colocou de volta na mesma gaveta onde a havia encontrado.
Por um instante nenhum dos dois falou.
O silêncio que pairava no escritório era diferente agora.
Mais calmo.
A adrenalina da briga já havia passado, deixando apenas o cansaço no ar.
Dante passou a mão pelo maxilar dolorido antes de levantar-se lentamente.
- Obrigado.
Lorena deu de ombros.
- Eu não podia deixar meu salvador morrer de infecção.
Ele soltou uma pequena risada.
Então caminhou até o meio da sala e pegou o laptop que havia sido jogado ainda aberto durante a confusão. Fechou-o e o colocou de volta sobre a mesa. O som do clique ecoou suavemente na sala silenciosa.
Lorena começou a recolher algumas coisas que haviam sido derrubadas.
- Não precisa se preocupar - disse Dante. - O pessoal da limpeza cuida disso depois.
Ele esticou os ombros, como se estivesse se livrando de horas de tensão acumulada.
- Vamos. Estou saindo do trabalho agora.
Pegou o paletó que havia deixado jogado sobre a cadeira.
- Então eu também vou indo. Obrigada novamente, Dante.
Lorena já estava perto da porta quando ele segurou seu braço suavemente.
- Você está planejando voltar para casa? - perguntou. - Sabe que o Rafael vai te importunar, não sabe?
Lorena franziu levemente a testa.
- Além disso - continuou Dante, fingindo estar ofendido -, como seu salvador eu acho que mereço pelo menos uma refeição de agradecimento.
Ele pegou as chaves da mesa.
- Vamos. Estou com fome.
Vestiu o paletó e olhou para ela.
- Está com fome?
Lorena piscou, hesitando por um momento.
- Um pouco.
Ela olhou rapidamente para o relógio na parede.
Já passava das dez da noite.
- Tudo bem - respondeu finalmente.
- Comida italiana? - sugeriu Dante.
- Parece bom.
Lorena começou a fazer contas mentalmente. Um jantar em um bom restaurante italiano provavelmente custaria mais do que todo o dinheiro que ela tinha naquele momento.
Será que o fim daquela noite seria ela lavando pratos no restaurante?
Por outro lado… talvez pudesse oferecer seus serviços como cozinheira para pagar.
- Por favor.
A voz de Dante a tirou do transe enquanto ele apontava para a saída.
Lorena pegou a bolsa e o seguiu até o elevador.
O trajeto até o estacionamento foi silencioso.
Mas não desconfortável.
Dante abriu a porta do carro para ela, gesto que a surpreendeu levemente.
Ela entrou.
O carro arrancou poucos segundos depois.
A cidade noturna se espalhava ao redor deles em um mar de luzes.
Lorena olhava pela janela, distraída.
Mas depois de alguns minutos percebeu algo.
- Esse não é o caminho para o centro.
Dante não tirou os olhos da estrada.
- Não.
- O restaurante fica em outro bairro?
- Não exatamente.
Ela franziu a testa.
- Então para onde estamos indo?
Um pequeno sorriso apareceu no canto da boca dele.
- Minha casa.
Lorena virou a cabeça imediatamente.
- Sua casa?
- Sim.
Ela piscou algumas vezes.
- Eu pensei que íamos a um restaurante.
- Nós vamos jantar.
Ele estacionou o carro diante de uma casa moderna cercada por árvores.
Linhas elegantes.
Vidro e madeira.
Discreta, mas claramente cara.
Lorena observou a casa por alguns segundos.
Dante saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para ela.
- Prometo que não é um sequestro culinário.
Lorena soltou um pequeno riso.
Mas quando saiu do carro, ainda hesitou por um momento, olhando para a casa.
Entrar na casa de um homem que ela mal conhecia não estava exatamente no topo da lista de decisões inteligentes.
Mas…
Ele havia salvado sua vida.
E até agora não tinha feito nada para traí-la.
Lorena respirou fundo.
- Tudo bem.
Eles entraram.
A casa era surpreendentemente aconchegante.
O espaço era amplo, com conceito aberto. A sala se conectava diretamente com a cozinha e a área de jantar.
Luzes quentes.
Móveis modernos, mas simples.
Nada exagerado.
Nada ostentoso.
Lorena caminhou lentamente pelo espaço, observando.
- Pode esperar na sala - disse Dante, já tirando o paletó. - Eu não demoro.
Lorena arqueou uma sobrancelha.
- Você… vai cozinhar?
- Isso te assusta?
Lorena piscou.
- Espera…
Ela deu um passo à frente.
- Isso é…
- Fettuccine com molho de cogumelos e vinho branco.
Lorena arregalou os olhos.
- Esse é o meu prato favorito.
Dante deu de ombros.
- Coincidência.
Ela estreitou os olhos.
Ficou olhando para ele por alguns segundos.
- Como você aprendeu a cozinhar?
Dante mexeu o molho lentamente.
O vapor subia da panela.
- Eu sempre precisei cuidar de mim mesmo.
Lorena ficou em silêncio. Quis perguntar mais. Quis saber o que significava "cuidar de si mesmo" para alguém que cresceu naquela família. Mas algo no tom dele disse que aquela porta estava fechada. Por enquanto.
Ela lembrava de pequenas coisas.
Jantares de família.
Comentários do patriarca.
O jeito como alguns parentes olhavam para Dante.
Como se ele fosse…
Um erro.
Ela sempre quis perguntar.
Quis entender.
Mas Rafael sempre desviava do assunto.
Sempre.
E então ela percebeu.
Para Dante, aquilo provavelmente também era um território sensível.
Lorena descruzou os braços.
- Você precisa de ajuda?
Ele olhou para ela por cima do ombro.
- Hoje você é a jurada, esqueceu?
Ela soltou uma pequena risada.
- Não.
- Você está fazendo o papel da apresentadora chata que fica lembrando quanto tempo ainda falta para o tempo acabar.
Ela riu de verdade dessa vez.
E, pela primeira vez em muitos dias…
Lorena sentiu algo diferente do medo.
Uma estranha sensação de calma.
Então decidiu mudar de assunto.
- Então, chefe - disse ela, sentando-se novamente no banco do balcão. - Quanto tempo até o jantar ficar pronto?
Dante pegou um garfo, provou o molho e assentiu satisfeito.
- Dez minutos.
Lorena apoiou o queixo na mão, observando-o trabalhar.
Desde que sua vida desmoronara…
Aquela era a primeira noite que parecia quase normal.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia