Lorena observava a cidade pela janela do carro enquanto as luzes noturnas deslizavam como manchas douradas no vidro.
O silêncio dentro do veículo era confortável, quase acolhedor.
O motorista de Dante conduzia com tranquilidade pelas ruas iluminadas, mantendo uma distância respeitosa que lembrava muito o serviço de um carro por aplicativo.
Na verdade, aquela tinha sido exatamente a intenção.
Dante havia insistido em levá-la pessoalmente.
Ela lembrava perfeitamente do momento na porta da casa dele.
- Eu posso te levar - ele disse, já pegando as chaves novamente.
Lorena havia balançado a cabeça imediatamente.
- Não precisa.
- Eu insisto.
- Dante…
Ela suspirara, cruzando os braços.
- Já é tarde e… - fez uma pausa breve antes de completar - …não acho adequado.
Ele arqueou uma sobrancelha.
- Adequado?
- Você me levar para casa depois de um jantar na sua casa… - Lorena deu de ombros. - Isso começa a parecer algo que não é.
Dante a observou por alguns segundos.
Os olhos claros avaliando cada nuance da expressão dela.
- Então você prefere pedir um carro de aplicativo?
- Sim.
Ele pensara por um momento.
Depois suspirou.
- Certo.
Pegou o celular e digitou algo rapidamente.
- Meu motorista vai te levar.
Lorena franziu a testa.
- Isso não é exatamente a mesma coisa.
- É exatamente a mesma coisa - respondeu ele com calma. - Só que eu sei que ele dirige bem e não vai te levar para o lado errado da cidade.
Ela hesitou.
Mas estava cansada demais para discutir.
- Tudo bem.
E assim, alguns minutos depois, ela estava sentada naquele carro elegante, sendo levada de volta ao pequeno apartamento que agora chamava de lar temporário.
Lorena encostou a cabeça no banco.
O cansaço finalmente começava a se infiltrar no corpo.
Era estranho.
Durante todo o dia ela tinha se mantido em movimento constante, quase como se o próprio corpo estivesse funcionando movido apenas por adrenalina.
Primeiro a estação de metrô.
O aperto no peito só de lembrar fez seus dedos se fecharem levemente sobre a bolsa em seu colo.
Os dois homens.
O jeito como haviam se aproximado.
A forma como bloquearam sua saída.
O olhar frio.
O pânico que havia se espalhado por suas veias quando percebeu que não era coincidência.
Eles estavam ali por ela.
Lorena soltou lentamente o ar pelos lábios.
E então o resgate.
A lembrança surgiu clara na mente.
O jeito calmo.
Controlado.
Como se aquela situação não fosse nada fora do comum para aquele homem.
Ela ainda conseguia ouvir o tom frio da voz dele quando falou com os homens.
E depois…
A briga.
Lorena franziu levemente a testa.
A imagem de Rafael invadindo o escritório de Dante surgiu em sua mente.
A violência.
Os socos.
O barulho de vidro quebrando.
Ela se mexeu um pouco no banco.
Cansada.
Exausta.
O motorista olhou rapidamente pelo retrovisor.
- Está tudo bem, senhora?
Lorena piscou, voltando ao presente.
- Sim.
Ele assentiu e voltou a olhar para a estrada.
O carro virou uma esquina tranquila.
Lorena olhou novamente pela janela.
A adrenalina estava finalmente desaparecendo.
E, no lugar dela, vinha o peso.
O peso de tudo que havia acontecido.
O peso de tudo que ainda estava acontecendo.
Ela passou a mão pelo rosto lentamente.
Céus…
Ela só queria dormir.
Só queria chegar em casa, tirar os sapatos, tomar um banho quente e desaparecer na cama por algumas horas.
Sem pensar.
Sem lembrar.
Sem sentir.
O carro finalmente parou em frente ao prédio do apartamento.
- Chegamos - disse o motorista.
Lorena pegou a bolsa.
- Obrigada.
Ela abriu a porta e saiu do carro.
O ar da noite estava fresco.
Silencioso.
O motorista esperou que ela caminhasse até a entrada do prédio antes de arrancar.
O porteiro noturno levantou os olhos quando ela entrou.
- Boa noite, dona Lorena.
- Boa noite.
Ela tentou sorrir.
Mas estava cansada demais até para isso.
Seguiu para o elevador.
O trajeto até o andar dela foi silencioso.
Cada segundo parecia mais pesado que o anterior.
Quando as portas se abriram, Lorena caminhou lentamente pelo corredor.
O prédio era simples.
Tranquilo.
Nada parecido com a mansão onde havia vivido nos últimos anos.
E ainda assim…
Aquele lugar parecia mais seu.
Ela parou diante da porta do apartamento.
Pegou as chaves na bolsa.
Abriu a porta.
O apartamento estava escuro.
Silencioso.
Exatamente como ela esperava.
Lorena entrou e fechou a porta atrás de si.
Nem se deu ao trabalho de acender as luzes imediatamente.
A bolsa escorregou de seu ombro enquanto caminhava lentamente pela sala.
Os saltos pareciam pesar toneladas.
Ela os tirou, segurando-os pela alça enquanto caminhava descalça pelo piso frio.
- Finalmente…
A palavra saiu quase como um suspiro.
Lorena deixou os sapatos sobre o pequeno aparador perto da parede.
Então deu mais alguns passos pela sala escura.
Foi quando percebeu.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia