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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 29

Lorena observava a cidade pela janela do carro enquanto as luzes noturnas deslizavam como manchas douradas no vidro.

O silêncio dentro do veículo era confortável, quase acolhedor.

O motorista de Dante conduzia com tranquilidade pelas ruas iluminadas, mantendo uma distância respeitosa que lembrava muito o serviço de um carro por aplicativo.

Na verdade, aquela tinha sido exatamente a intenção.

Dante havia insistido em levá-la pessoalmente.

Ela lembrava perfeitamente do momento na porta da casa dele.

- Eu posso te levar - ele disse, já pegando as chaves novamente.

Lorena havia balançado a cabeça imediatamente.

- Não precisa.

- Eu insisto.

- Dante…

Ela suspirara, cruzando os braços.

- Já é tarde e… - fez uma pausa breve antes de completar - …não acho adequado.

Ele arqueou uma sobrancelha.

- Adequado?

- Você me levar para casa depois de um jantar na sua casa… - Lorena deu de ombros. - Isso começa a parecer algo que não é.

Dante a observou por alguns segundos.

Os olhos claros avaliando cada nuance da expressão dela.

- Então você prefere pedir um carro de aplicativo?

- Sim.

Ele pensara por um momento.

Depois suspirou.

- Certo.

Pegou o celular e digitou algo rapidamente.

- Meu motorista vai te levar.

Lorena franziu a testa.

- Isso não é exatamente a mesma coisa.

- É exatamente a mesma coisa - respondeu ele com calma. - Só que eu sei que ele dirige bem e não vai te levar para o lado errado da cidade.

Ela hesitou.

Mas estava cansada demais para discutir.

- Tudo bem.

E assim, alguns minutos depois, ela estava sentada naquele carro elegante, sendo levada de volta ao pequeno apartamento que agora chamava de lar temporário.

Lorena encostou a cabeça no banco.

O cansaço finalmente começava a se infiltrar no corpo.

Era estranho.

Durante todo o dia ela tinha se mantido em movimento constante, quase como se o próprio corpo estivesse funcionando movido apenas por adrenalina.

Primeiro a estação de metrô.

O aperto no peito só de lembrar fez seus dedos se fecharem levemente sobre a bolsa em seu colo.

Os dois homens.

O jeito como haviam se aproximado.

A forma como bloquearam sua saída.

O olhar frio.

O pânico que havia se espalhado por suas veias quando percebeu que não era coincidência.

Eles estavam ali por ela.

Lorena soltou lentamente o ar pelos lábios.

E então o resgate.

A lembrança surgiu clara na mente.

O jeito calmo.

Controlado.

Como se aquela situação não fosse nada fora do comum para aquele homem.

Ela ainda conseguia ouvir o tom frio da voz dele quando falou com os homens.

E depois…

A briga.

Lorena franziu levemente a testa.

A imagem de Rafael invadindo o escritório de Dante surgiu em sua mente.

A violência.

Os socos.

O barulho de vidro quebrando.

Ela se mexeu um pouco no banco.

Cansada.

Exausta.

O motorista olhou rapidamente pelo retrovisor.

- Está tudo bem, senhora?

Lorena piscou, voltando ao presente.

- Sim.

Ele assentiu e voltou a olhar para a estrada.

O carro virou uma esquina tranquila.

Lorena olhou novamente pela janela.

A adrenalina estava finalmente desaparecendo.

E, no lugar dela, vinha o peso.

O peso de tudo que havia acontecido.

O peso de tudo que ainda estava acontecendo.

Ela passou a mão pelo rosto lentamente.

Céus…

Ela só queria dormir.

Só queria chegar em casa, tirar os sapatos, tomar um banho quente e desaparecer na cama por algumas horas.

Sem pensar.

Sem lembrar.

Sem sentir.

O carro finalmente parou em frente ao prédio do apartamento.

- Chegamos - disse o motorista.

Lorena pegou a bolsa.

- Obrigada.

Ela abriu a porta e saiu do carro.

O ar da noite estava fresco.

Silencioso.

O motorista esperou que ela caminhasse até a entrada do prédio antes de arrancar.

O porteiro noturno levantou os olhos quando ela entrou.

- Boa noite, dona Lorena.

- Boa noite.

Ela tentou sorrir.

Mas estava cansada demais até para isso.

Seguiu para o elevador.

O trajeto até o andar dela foi silencioso.

Cada segundo parecia mais pesado que o anterior.

Quando as portas se abriram, Lorena caminhou lentamente pelo corredor.

O prédio era simples.

Tranquilo.

Nada parecido com a mansão onde havia vivido nos últimos anos.

E ainda assim…

Aquele lugar parecia mais seu.

Ela parou diante da porta do apartamento.

Pegou as chaves na bolsa.

Abriu a porta.

O apartamento estava escuro.

Silencioso.

Exatamente como ela esperava.

Lorena entrou e fechou a porta atrás de si.

Nem se deu ao trabalho de acender as luzes imediatamente.

A bolsa escorregou de seu ombro enquanto caminhava lentamente pela sala.

Os saltos pareciam pesar toneladas.

Ela os tirou, segurando-os pela alça enquanto caminhava descalça pelo piso frio.

- Finalmente…

A palavra saiu quase como um suspiro.

Lorena deixou os sapatos sobre o pequeno aparador perto da parede.

Então deu mais alguns passos pela sala escura.

Foi quando percebeu.

Trinta 1

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