Rafael deu um passo à frente.
Instintivamente.
- Lorena...
- Não.
Ela ergueu a mão.
Parando-o.
O gesto foi pequeno.
Mas carregado de uma autoridade que ele raramente via nela.
- Não chega mais perto.
Rafael congelou.
Aquela não era a Lorena que ele conhecia.
A mulher à sua frente parecia diferente.
Mais dura.
Mais fria.
Os olhos dela brilhavam com uma raiva contida que ele nunca tinha visto antes.
- Você não tem o direito - continuou ela, a voz baixa, mas afiada - de aparecer aqui no meio da noite como se ainda tivesse algum tipo de autoridade sobre mim.
Rafael passou a mão pelo rosto.
Tentando manter a calma.
- Tentaram te sequestrar hoje. - A voz dele saiu mais alta dessa vez, carregada de tensão. - Você quer que eu simplesmente fique sentado em casa enquanto isso acontece?
Lorena soltou uma risada.
Mas não havia humor nenhum nela.
- Engraçado.
Ela inclinou levemente a cabeça.
- Muito engraçado mesmo.
Rafael franziu a testa.
- O que isso quer dizer?
Ela o encarou.
Direto.
Sem hesitação.
- Quer dizer que é muito curioso você estar tão preocupado com a minha segurança agora.
A mandíbula dele se apertou.
- O que você está insinuando? Quando eu não estive preocupado com a sua segurança?
Ela deu de ombros.
- Eu estou cansada da sua obsessão por controle.
Rafael respirou fundo.
- Nunca te controlei. Sempre te protegi.
Lorena riu novamente.
Dessa vez mais alto.
- Proteção?
A palavra saiu quase venenosa.
- Você chama isso de proteção?
Ela começou a andar pela sala.
Passos lentos.
Mas carregados de energia acumulada.
- Me seguir. Mandar homens me vigiarem. Aparecer no meu apartamento no meio da noite como se fosse dono da minha vida.
Ela parou.
Virou-se para ele.
Os olhos brilhando.
- Isso não é proteção, Rafael. Isso é obsessão.
Ele deu um passo à frente novamente.
- Eu sempre tentei te fazer feliz, te manter bem!
- Você é muito hipócrita.
A frase saiu tão fria que Rafael sentiu algo gelar dentro do peito.
Lorena cruzou os braços.
- Porque, até onde eu lembro… você quase me matou uma vez.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
Rafael piscou.
- O quê?
Ela não desviou o olhar.
- O acidente.
O coração dele falhou uma batida.
- Lorena...
- Não.
Ela balançou a cabeça.
- Hoje não.
A voz dela tremia agora.
Mas não era medo.
Era dor.
Uma dor antiga.
- Hoje você vai ouvir.
Rafael ficou imóvel.
E Lorena finalmente deixou tudo sair.
- Você controlou minha vida desde o primeiro dia que me conheceu.


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