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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 31

O silêncio que se seguiu não foi apenas pesado.

Foi devastador.

Rafael não se moveu.

Por um segundo, parecia que o mundo inteiro havia parado dentro daquela sala pequena. O ar ficou denso, difícil de respirar.

Os olhos dele estavam fixos nela.

Mas a mente… a mente parecia muito longe dali.

- Não…

A palavra saiu rouca.

Quase inaudível.

Lorena não desviou o olhar.

- Não foi assim - ele continuou, balançando a cabeça lentamente, como se tentasse afastar um pesadelo. - Aquilo foi um acidente.

- Um acidente?

Ela repetiu a palavra como se fosse algo amargo.

Rafael passou as mãos pelo rosto.

A respiração pesada.

- Eu nunca quis que aquilo acontecesse.

- Mas aconteceu.

A voz dela saiu baixa.

Firme.

- Porque você estava dirigindo como um louco.

Rafael apertou os punhos.

- Nós estávamos discutindo!

- Nós estávamos discutindo porque você estava tentando controlar até a forma como eu respirava!

A voz de Lorena cortou o ar.

Os olhos dela brilhavam agora.

Mas ainda não havia lágrimas.

- Você lembra disso? - ela continuou. - Ou prefere fingir que esqueceu também?

Rafael respirou fundo. Algumas lágrimas escaparam por seus olhos injetados e arregalados.

Como se cada palavra dela fosse um golpe físico.

- Eu perdi meu filho também.

A frase saiu quase quebrada.

Lorena riu.

Uma risada baixa.

Amarga.

- Não.

Ela balançou a cabeça.

- Você perdeu uma possibilidade.

O olhar dela endureceu.

- Eu perdi um pedaço do meu corpo.

Rafael ficou em silêncio.

- Eu senti ele morrer dentro de mim.

Agora a voz dela tremia.

Finalmente.

- Eu senti quando o coração dele parou.

Aquelas palavras atingiram Rafael como um soco no estômago.

Ele deu um passo para trás, desequilibrado, como se o chão já não fosse estável sob seus pés.

- Por favor… para.

Mas ela não queria parar.

Não mais.

- E sabe o que é pior?

Ela respirou fundo.

Tentando manter o controle.

- Eu passei anos acreditando que aquilo tinha sido apenas uma tragédia.

Os olhos dela estavam fixos nele.

- Uma fatalidade.

Rafael franziu a testa.

Confuso.

- Mas não foi, foi?

A pergunta pairou no ar.

- Você estava bêbado naquela noite.

Rafael congelou completamente.

- Eu não queria ir com você - continuou ela.

A voz dela começou a subir novamente.

- Mas como sempre, você nunca se importou com o que eu queria.

O silêncio ficou opressor.

- Você bebeu antes de dirigir. Me levou embora à força de um simples jantar com amigos.

Rafael abriu a boca.

Mas nenhuma palavra saiu.

Lorena o observava.

Cada reação.

Cada respiração.

- Então me diz - ela sussurrou. - Foi mesmo um acidente?

A mandíbula de Rafael tremia agora.

- Eu… eu não estava bêbado - a voz dele falhou. - Eu só tinha bebido um pouco.

Lorena soltou o ar devagar.

- Claro.

Ela virou o rosto por um momento, passando a mão pelos cabelos.

Quando voltou a olhar para ele, havia algo diferente em seus olhos.

Algo mais frio.

Mais distante.

- Mas sabe de uma coisa?

Rafael ficou imóvel.

- Eu até poderia ter tentado viver com isso.

Ele piscou.

- Com o quê?

- Com o acidente.

A resposta veio rápida.

- Com a culpa.

Ela respirou fundo.

- Eu poderia ter tentado seguir em frente.

O coração de Rafael começou a bater mais rápido.

Algo na forma como ela falava o deixava inquieto.

- Porque eu te amava.

O silêncio caiu novamente.

- Eu amei você o suficiente para permitir que você escapasse impune…

A voz dela enfraqueceu um pouco.

- Que talvez eu tivesse conseguido perdoar.

Rafael deu um passo à frente.

Cauteloso.

- Por favor, não…

Mas então ela disse:

- Mas você não parou aí.

A frase saiu baixa.

Cortante.

Ele congelou.

- O que você quer dizer?

Lorena o observou por alguns segundos.

Como se estivesse medindo o peso das próximas palavras.

- Você realmente achou que eu nunca ia descobrir?

O coração dele disparou.

- Descobrir o quê?

Ela riu.

Sem humor algum.

- Sério?

Ela deu um passo à frente.

- Você acha que eu sou tão estúpida assim?

Rafael sentiu um frio subir pela espinha.

- Lorena… do que você está falando?

A resposta veio como uma lâmina.

- Da Nina.

O nome caiu na sala como uma explosão silenciosa.

Rafael ficou completamente imóvel.

Os olhos se arregalaram.

- Eu…

Ele tentou falar.

Mas Lorena não deixou.

- Sua própria cunhada.

A voz dela estava cheia de desprezo.

- A esposa do seu irmão.

Cada palavra parecia rasgar o ar.

- Me diz uma coisa.

Ela inclinou levemente a cabeça.

Trinta e dois 1

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