A casa de Dante estava silenciosa novamente.
Silenciosa demais.
Ele ficou alguns segundos parado no hall depois que a porta se fechou atrás de Lorena. O som do carro se afastando pela rua tranquila ainda ecoava em sua mente.
Ela havia insistido para que ele não a acompanhasse.
- Já disse que não é adequado - ela repetira, com aquele meio sorriso teimoso.
Dante havia cedido.
Mais uma vez.
Mas isso não significava que ele gostasse da ideia.
Ele passou a mão pelo rosto e caminhou lentamente de volta para a sala. A mesa do jantar ainda estava ali, com duas taças e os pratos quase vazios.
Lorena tinha gostado da comida.
Ele lembrava do brilho curioso nos olhos dela enquanto o observava cozinhar.
Aquilo havia sido… inesperadamente agradável.
Perigoso também.
Dante pegou as taças e as levou até a cozinha.
Quando estava colocando a louça na pia, a campainha tocou.
Ele franziu a testa.
Já era tarde.
Muito tarde para visitas.
A campainha tocou novamente.
Dante caminhou até a porta e abriu.
Do outro lado estava um homem alto, de sorriso preguiçoso e olhar divertido.
- Boa noite para você também - disse ele, sem esperar convite e entrando direto.
Dante suspirou.
- Você sempre invade a casa das pessoas desse jeito ou eu sou um caso especial?
O homem deu de ombros enquanto caminhava pela sala.
- Você deveria agradecer.
Ele apontou para a mesa ainda posta.
- Acabei de evitar que você bebesse sozinho.
Dante fechou a porta atrás dele.
- Eu não estava bebendo sozinho.
O amigo virou-se lentamente.
Um sorriso lento surgiu em seus lábios.
- Ah, não?
Ele olhou novamente para as duas taças.
O sorriso começou a crescer.
- Ah…
Dante cruzou os braços.
- Nem começa.
Theo apontou para a mesa.
- Eu não preciso começar nada.
Ele caminhou até lá, observando os pratos.
- Você cozinhou.
Dante deu de ombros.
- E daí?
Theo virou-se lentamente.
- Você nunca cozinha para ninguém.
- Eu cozinho.
- Só para você. - Theo levantou uma sobrancelha. - Nunca para visitas.
O silêncio durou apenas um segundo.
Então Theo sorriu.
- Foi ela, não foi?
Dante arqueou uma sobrancelha.
- Você veio até aqui para fazer fofoca?
Theo levantou o copo imaginário.
- Absolutamente.
Dante caminhou até o bar.
- Quer um uísque?
- Quero.
Theo se jogou no sofá.
Dante serviu dois copos e entregou um ao amigo.
Theo tomou um gole antes de falar novamente.
- Então?
Dante suspirou.
- Então o quê?
Theo o encarou.
- Não se faça de desentendido comigo.
Ele girou o copo nas mãos.
- Quero saber se finalmente houve algum progresso.
Dante franziu a testa.
- Progresso?
Theo riu.
- Com a Lorena, obviamente.
Ele inclinou a cabeça.
- Você já conseguiu conquistar ela ou ainda está nesse seu modo silencioso de guarda-costas?
Dante soltou um pequeno suspiro.
- Não é assim.
- Não?
Theo arqueou uma sobrancelha.
- Porque, de onde eu estou olhando, parece exatamente isso.
Ele apontou para Dante.
- Anos apaixonado pela mesma mulher e ainda andando em círculos.
Dante tomou um gole do uísque.
- As coisas não são tão simples.
Theo deu uma risada baixa.
- Claro que não são. Você foi se apaixonar justamente pela mulher do seu inimigo.
Ele se recostou no sofá.
Dante não respondeu.
Theo o observou por alguns segundos antes de mudar um pouco o tom.



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