O carro atravessou a entrada iluminada, os faróis cortando a escuridão da noite.
Os seguranças abriram os portões da mansão Menezes assim que reconheceram o carro. Quando viram o chefe descendo com a esposa no ombro - Lorena ainda se debatendo - trocaram olhares rápidos, mas nenhum ousou dizer uma palavra.
- Me solta, Rafael!
A voz dela estava rouca, carregada de fúria e desespero.
Ele não respondeu.
Nem uma única palavra.
A mão dele estava firme ao redor dela, como se tivesse medo de que, no segundo em que afrouxasse, ela desaparecesse.
- Você enlouqueceu?! - ela gritou, tentando se soltar novamente.
Rafael continuou andando.
Implacável.
Como se não estivesse ouvindo nada.
Os funcionários que cruzaram pelo caminho pararam imediatamente. Ninguém disse nada. Mas os olhares… aqueles olhares denunciavam tudo: choque, desconforto, medo.
Lorena sentiu o estômago revirar.
Eles estavam vendo.
Todos estavam vendo.
- Rafael, me coloca no chão! - ela exigiu, a voz falhando de raiva.
Nada.
Ele simplesmente entrou na casa com ela nos braços, atravessando o hall como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Como se ela não estivesse lutando.
Como se ela não estivesse tentando escapar.
Como se ela ainda fosse… dele.
Lorena parou de se debater.
Não por desistência.
Mas por estratégia.
O corpo dela ficou rígido.
Imóvel.
Rafael percebeu. Por um segundo, os passos dele vacilaram. Como se, no fundo, soubesse que aquela submissão silenciosa era pior que qualquer grito.
Mas não parou.
Subiu as escadas.
Passo por passo.
Pesado.
Controlado.
O silêncio atrás deles era sufocante.
Os funcionários não ousaram dizer nada.
Ninguém ousou interferir.
Quando chegaram ao quarto, Rafael empurrou a porta com o ombro.
E só então a colocou no chão.
Lorena se afastou imediatamente.
Como se ele fosse algo contaminado.
Os olhos dela estavam em chamas.
- Você perdeu completamente a noção?
Rafael passou a mão pelo rosto.
A respiração ainda pesada.
- Você não vai sair daqui.
A frase caiu no quarto como uma sentença.
Lorena soltou uma risada.
Fria.
Incrédula.
- Desculpa… o quê?
Rafael a encarou.
- Você não vai sair desta casa.
O tom dele era baixo.
Mas carregado de algo perigoso.
Algo instável.
- Até você voltar a si.
O silêncio que se seguiu foi curto.
Porque Lorena falou realmente incrédula.
- Voltar a mim?
Ela deu um passo à frente.
- Você me sequestra, me traz à força pra cá…
Outro passo.
- E acha que eu sou a que precisa voltar ao normal?
Rafael apertou a mandíbula.
- Você não está pensando com clareza.
- Ah, não?
Ela parou bem na frente dele.
- Você se engana.
O olhar dela subiu lentamente até encontrar o dele.
- Porque eu nunca pensei tão claramente na minha vida.
Aquilo o atingiu.
Mas não o suficiente para fazê-lo recuar.
- Você está abalada.
- Eu nunca estive tão lúcida.
A resposta veio imediata.
Cortante.
- Pela primeira vez em anos.
O silêncio pesou entre eles.
Rafael respirou fundo.
Tentando se controlar.
- Você não pode ficar sozinha depois do que aconteceu hoje.
Lorena piscou.
Incrédula.
- Você está mesmo tentando usar isso como justificativa?
Ela balançou a cabeça.
- Meu Deus…
A risada veio fraca.
- Você realmente não se enxerga, não é?
Rafael deu um passo à frente.
- Eu estou tentando te proteger.
Lorena ergueu a mão.
Parando-o.
- Não.
A voz dela foi baixa.
Mas firme.
- Não usa essa palavra.
O olhar dela endureceu.
- Você perdeu esse direito.
O ar pareceu ficar mais pesado.
Rafael travou o maxilar.
- Você é minha esposa.
Lorena sorriu.
Mas foi um sorriso vazio.
- Por enquanto.
A frase foi um golpe direto.
Rafael ficou imóvel.
- Isso vai acabar. - Ela continuou. - Quer você aceite ou não.
Ele balançou a cabeça.
- Não vai.
- Vai. - A resposta veio sem hesitação - Porque eu não vou mais viver assim.
Rafael passou a mão pelos cabelos.
Descontrolado.
- Você não sabe o que está dizendo.
- Eu sei exatamente o que estou dizendo.
Ela deu um passo para trás.
Criando distância.
- E você sabe disso.
Aquilo o atingiu de novo.
Mais fundo.
Por um segundo…
Por um breve segundo…
Algo quase lúcido passou pelo olhar dele.
Mas desapareceu tão rápido quanto veio.
Rafael deu um passo à frente.
Dessa vez mais lento.
Mais hesitante.
- Lolô…
A voz saiu diferente.
Não tentou suavizar.
Não tentou explicar.
Nada.
E aquilo disse tudo.
Lorena assentiu lentamente.
Como se estivesse confirmando algo para si mesma.
- Eu nunca mais vou te perdoar por isso.
A frase foi baixa.
Mas definitiva.
Rafael fechou os olhos por um segundo.
Como se aquilo tivesse doído.
Mas quando abriu novamente…
A expressão já era outra.
Fechada.
Decidida.
- Você vai ficar aqui.
Ele se virou em direção à porta.
- E ninguém entra ou sai sem a minha permissão.
Ele abriu a porta.
Dois seguranças já estavam posicionados no corredor.
- A senhora Lorena não sai deste quarto.
O tom era autoritário.
Inquestionável.
- Sob nenhuma circunstância.
Lorena sentiu um frio subir pela espinha.
Mas não demonstrou.
Rafael olhou para ela uma última vez. Havia algo quebrado ali. Algo desesperado.
- Eu vou resolver tudo.
A frase deveria ser reconfortante. Mas na boca dele, era uma sentença.
E então saiu.
A porta se fechou.
O som ecoou como um estalo final.
Lorena ficou parada no meio do quarto.
Em silêncio.
Sozinha.
O olhar percorreu o ambiente.
Aquele quarto.
Aquela casa.
Tudo parecia… menor agora.
Mais apertado.
Mais sufocante.
Uma prisão.
Ela respirou fundo.
Uma vez.
Duas.
Mas o ar parecia não ser suficiente.
Então ela caminhou até a porta.
Girou a maçaneta.
Trancada.
Lorena encostou a testa na madeira.
Fechou os olhos.
E, pela primeira vez desde que ele a pegou à força…
Uma lágrima escorreu.
Mas foi a única.
Quando abriu os olhos novamente…
Algo havia mudado.
Não havia mais dúvida.
Não havia mais hesitação.
Só restava uma coisa.
Ela ia sair dali.
Não importava como.
Não importava quanto tempo levasse.
E, quando saísse, Rafael nunca mais a encontraria.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia