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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 36

O escritório do patriarca era silencioso.

Pesado.

O tipo de silêncio que não acalmava, pressionava.

As paredes de madeira escura absorviam qualquer som, e os retratos dos antepassados pareciam observar tudo de seus lugares fixos, imutáveis, como se o tempo ali dentro tivesse parado há décadas.

Rafael estava de pé, ligeiramente afastado da mesa, enquanto o avô permanecia sentado atrás dela - as mãos apoiadas sobre a madeira escura, os olhos atentos, calculistas, avaliando cada detalhe como um predador que não precisa se mover para inspirar medo.

Dante ocupava a poltrona lateral.

Tranquilo demais.

Como se estivesse exatamente onde queria estar.

Como se toda a sua vida tivesse sido construída para aquele momento.

- Os números não me agradam.

A voz do velho quebrou o silêncio sem aviso.

Fria. Direta. Sem espaço para interpretações.

Rafael não respondeu.

Já esperava por aquilo.

Sabia que as coisas não iam bem - os últimos relatórios eram claros - mas também sabia que números, naquela família, raramente eram apenas números. Eram armas.

- Eu construí esse império com muito mais do que estratégia - continuou o patriarca. - Construí com controle. Com visão. E, acima de tudo… com resultados.

Ele apoiou as costas na cadeira, um rangido discreto quebrou o silêncio.

- E você não está entregando isso.

Rafael travou o maxilar, os dentes apertados com força suficiente para doer, mas permaneceu em silêncio.

Não era o momento.

Não ali.

Não na frente dele.

- É por isso - o velho continuou, voltando o olhar para Dante com uma lentidão calculada - que eu quero cooperação total entre vocês dois.

Uma pausa.

Curta.

Intencional.

- Dante terá acesso completo ao departamento de tecnologia e inovação… e a qualquer outra área que julgar necessária.

O olhar voltou para Rafael.

- Sem restrições.

A palavra caiu como uma sentença.

Rafael sentiu o sangue ferver.

Mas não reagiu.

Não ali.

Não na frente dele.

Porque conhecia aquele jogo.

Sabia que confronto direto, naquele momento, só o enfraqueceria.

- Entendido - respondeu, por fim, com a voz controlada, quase mecânica.

Mas por dentro, algo queimava.

Mais do que raiva.

Humilhação.

A humilhação de ter que ouvir aquilo na frente do primo bastardo, do excluído, do que sempre foi tratado como erro e agora ocupava a poltrona lateral como se fosse o herdeiro legítimo.

E, ainda assim… não era só isso.

Havia outra coisa.

Uma inquietação crescente que ele não conseguia ignorar.

Desde que chegaram.

Desde o momento em que colocou os pés naquela casa.

Algo estava errado.

Os seguranças.

A quantidade.

A movimentação.

Discreta demais… para ser normal.

Os olhos de Rafael passaram rapidamente por Dante.

Seria aquilo obra dele?

O pensamento ficou ali.

Incomodando.

Crescendo.

- Ótimo - disse o patriarca, satisfeito, um leve sorriso surgindo no canto dos lábios. - Fico feliz que, pelo menos nisso, você ainda saiba obedecer.

Rafael respirou fundo.

Não respondeu.

Só queria sair dali.

Voltar.

Verificar.

Ter certeza de que tudo estava sob controle.

O celular de Dante vibrou sobre a mesa.

Um som baixo.

Mas suficiente.

Ele olhou rapidamente para a tela - um movimento rápido, quase imperceptível, mas que Rafael capturou.

E então se levantou.

- Preciso resolver uma coisa.

O patriarca assentiu, sem questionar.

- Vá.

Dante lançou um último olhar para Rafael.

Rápido.

Indecifrável.

Mas havia algo ali - um brilho nos olhos verdes que Rafael não conseguiu interpretar.

E saiu.

A porta se fechou atrás dele com um clique suave.

Rafael aproveitou o movimento.

- Se não houver mais nada, eu também…

- Ainda não.

A voz do velho o cortou antes que terminasse.

Rafael parou.

Lentamente.

Virou-se de volta.

Trinta e sete 1

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