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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 39

- Talvez… seja melhor parar.

A voz de Lorena saiu baixa, carregada de medo - não só pelo que estava acontecendo, mas pelo que ainda podia acontecer.

Dante não tirou os olhos da estrada.

- Não precisamos parar, vai ficar tudo bem - disse, simples, firme, inquestionável. - Eu já estava preparado para isso.

Lorena virou o rosto para ele, ainda tensa.

- Preparado?

- Para tudo que envolvesse você sair de lá - corrigiu, sem hesitar.

O silêncio que se seguiu foi curto, mas carregado. Atrás deles, os faróis se distanciavam, mas continuavam insistentes, agressivos, como se a própria noite fosse rasgada pela obstinação de Rafael.

Lorena engoliu em seco.

- Ele não vai desistir…

A frase saiu como um fato inevitável.

Dante assentiu de leve.

- Eu sei.

Ela apertou os dedos no tecido do vestido, a respiração ainda irregular.

- E se ele sofrer um acidente?

Aquilo fez Dante virar o rosto por um segundo - o suficiente para uma pontada atravessar seu peito, rápida, incômoda, inesperada. Mesmo depois de tudo, mesmo depois de tudo que Rafael tinha feito… ela ainda se preocupava.

Dante desviou o olhar de volta para a estrada.

- Não vai acontecer - disse, mais baixo, mais controlado. - Ele não vai conseguir passar pelos meus carros até estarmos longe o suficiente. E, até lá, eles não vão deixar que ele faça nenhuma estupidez.

Atrás, um dos veículos bloqueadores fechou novamente a tentativa de ultrapassagem de Rafael, obrigando-o a reduzir bruscamente. Tudo era calculado, tudo estava sob controle - ou pelo menos era isso que Dante precisava garantir.

Ele pegou o celular novamente, os dedos ágeis, precisos, e discou. A ligação foi atendida no segundo toque.

- Você? - Nelson atendeu, a surpresa não disfarçada.

- Venha buscar o Rafael - disse Dante, direto. - Ele está na estrada da casa de campo dos Menezes.

Houve uma breve pausa.

- Entendido.

Dante desligou sem acrescentar mais nada.

Por um instante, o silêncio voltou a ocupar o carro, mas dentro dele memórias se moveram - antigas, incômodas. Nelson, sempre ao lado de Rafael, sempre atrás dele, como uma sombra fiel, como um cão treinado. Dante lembrava bem: mãos sendo seguradas, o corpo imobilizado, a risada de Rafael enquanto descarregava nele tudo o que tinha - raiva, frustração, crueldade - e Nelson ali, segurando, assistindo, permitindo.

A mandíbula de Dante se apertou levemente, mas a expressão não mudou.

Lorena observava em silêncio, percebendo mais do que ele dizia e menos do que ele escondia.

Os pensamentos continuavam correndo - Rafael, a fuga, o desconhecido… Dante.

Ela não sabia quem ele realmente era. Não sabia o que esperar. E isso a mantinha alerta, mesmo quando tudo dentro dela implorava por descanso.

Dante percebeu.

O silêncio dela não era de quem dorme, mas de quem vigia.

Ele soltou um pequeno suspiro, quase inaudível.

- Já que você não quer descansar…

Lorena abriu os olhos lentamente, virando o rosto na direção dele.

- …me chama quando a gente chegar?

Ela franziu levemente a testa.

- Chegar aonde?

Dante se ajeitou no banco, permitindo finalmente que o corpo relaxasse um pouco, os olhos se fechando por um instante - como se, pela primeira vez naquela noite, ele também se desse uma pausa.

- Aeroporto.

Foi a única coisa que disse.

E então… ficou em silêncio.

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