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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 40

O carro de Rafael avançava como um projétil na estrada vazia, o motor rugindo alto demais para a quietude da madrugada, os faróis fixos no alvo à frente como se todo o mundo tivesse se reduzido àquele único ponto.

Ele não pensava.

Não de verdade.

Era puro impulso. Pura obsessão.

- Você não foge de mim… - murmurou, a voz baixa, distorcida pela fúria. - Não foge.

O volante rangeu sob a pressão das mãos dele, os dedos tão apertados que os nós estavam brancos. À frente, os carros que bloqueavam seu caminho se moviam com precisão irritante, sempre um passo à frente, sempre impedindo qualquer abertura real.

Então, de repente

Faróis surgiram no sentido contrário.

Rafael não reduziu.

Não desviou.

Não pensou.

O carro que vinha na direção oposta freou bruscamente, atravessando parcialmente a pista antes de parar atravessado à frente dele, bloqueando completamente a passagem.

O som dos pneus de Rafael gritando contra o asfalto cortou o ar.

O carro parou a poucos metros do impacto.

Silêncio.

Pesado.

Irreal.

A porta do outro veículo se abriu.

E Nelson saiu.

Calmo.

Controlado.

Como se aquilo fosse apenas mais uma tarefa.

Rafael ficou imóvel por um segundo, os olhos fixos nele, a respiração pesada demais para o silêncio ao redor.

Então abriu a porta com força e desceu.

- Sai da frente.

A voz saiu baixa.

Perigosa.

Nelson não se moveu.

- Já chega, Rafael.

Aquilo foi o suficiente.

Rafael riu.

Mas não havia humor algum.

- Você acha que pode me impedir?

Deu um passo à frente.

- Sai da frente… ou eu passo por cima de você também.

Nelson sustentou o olhar, impassível.

- Você não está em condições de continuar.

- Eu nunca estive tão lúcido.

A resposta veio imediata.

Cortante.

Rafael avançou.

Rápido demais.

Mas Nelson já esperava.

Segurou o braço dele no meio do movimento, travando o golpe antes que se completasse. O impacto foi seco, os corpos colidindo com força, tensão pura, contida por anos demais.

Por um segundo, ficaram assim.

Presos.

Força contra força.

- Solta.

A voz de Rafael saiu entre os dentes.

Nelson não soltou.

- Não dessa vez.

Aquilo quebrou o último fio de controle.

Rafael tentou avançar de novo, mais agressivo, mais bruto, mas Nelson o conteve, empurrando-o para trás com força suficiente para fazê-lo recuar um passo.

- Você está perdendo a cabeça.

- Ela é minha!

A explosão veio crua, violenta, ecoando pela estrada vazia.

- Ninguém tira ela de mim!

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Nelson o observou por um longo segundo.

- É exatamente por isso que eu estou aqui.

Rafael respirava rápido agora, o peito subindo e descendo de forma irregular, os olhos completamente escuros.

- Sai.

A palavra saiu mais baixa dessa vez, carregada de uma ameaça muito mais perigosa do que qualquer grito.

- Última chance.

Nelson não respondeu de imediato. Sustentou o olhar por um segundo a mais, avaliando, como se ainda houvesse espaço para evitar aquilo.

- Você nem sabe o que está fazendo agora - disse por fim, a voz firme, mas sem elevar o tom. - É exatamente isso que ele quer.

Rafael soltou uma risada curta, sem humor.

- Não me vem com essa.

Deu um passo à frente.

- Sai da frente.

Nelson não recuou.

- Dante já ganhou essa jogada, Rafael. - A voz dele endureceu um pouco. - Você acha mesmo que ainda está perseguindo alguém? Ele planejou isso antes mesmo de você perceber que estava perdendo.

Rafael travou o maxilar.

- Eu não perdi nada.

- Perdeu o controle - rebateu Nelson, direto. - E é só isso que ele precisa.

O silêncio entre os dois ficou pesado por um segundo.

Rafael avançou mais um passo.

- Eu ainda posso alcançar eles.

Nelson soltou um suspiro contido, como se já esperasse aquilo.

- Não pode.

A resposta veio simples.

Certeira.

- Os carros, a rota, o tempo… - ele inclinou levemente a cabeça. - Isso aqui não é improviso. Você está correndo atrás de algo que já acabou.

Os olhos de Rafael escureceram ainda mais.

- Ele não pode levá-la assim e eu ficar de braços cruzados.

Nelson o encarou por alguns segundos, e dessa vez não houve paciência nenhuma no olhar.

- Eu devia deixar - murmurou, mais para si mesmo do que para Rafael. - Facilitaria muito a minha vida.

Quarenta e um 1

Quarenta e um 2

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