O carro de Rafael avançava como um projétil na estrada vazia, o motor rugindo alto demais para a quietude da madrugada, os faróis fixos no alvo à frente como se todo o mundo tivesse se reduzido àquele único ponto.
Ele não pensava.
Não de verdade.
Era puro impulso. Pura obsessão.
- Você não foge de mim… - murmurou, a voz baixa, distorcida pela fúria. - Não foge.
O volante rangeu sob a pressão das mãos dele, os dedos tão apertados que os nós estavam brancos. À frente, os carros que bloqueavam seu caminho se moviam com precisão irritante, sempre um passo à frente, sempre impedindo qualquer abertura real.
Então, de repente
Faróis surgiram no sentido contrário.
Rafael não reduziu.
Não desviou.
Não pensou.
O carro que vinha na direção oposta freou bruscamente, atravessando parcialmente a pista antes de parar atravessado à frente dele, bloqueando completamente a passagem.
O som dos pneus de Rafael gritando contra o asfalto cortou o ar.
O carro parou a poucos metros do impacto.
Silêncio.
Pesado.
Irreal.
A porta do outro veículo se abriu.
E Nelson saiu.
Calmo.
Controlado.
Como se aquilo fosse apenas mais uma tarefa.
Rafael ficou imóvel por um segundo, os olhos fixos nele, a respiração pesada demais para o silêncio ao redor.
Então abriu a porta com força e desceu.
- Sai da frente.
A voz saiu baixa.
Perigosa.
Nelson não se moveu.
- Já chega, Rafael.
Aquilo foi o suficiente.
Rafael riu.
Mas não havia humor algum.
- Você acha que pode me impedir?
Deu um passo à frente.
- Sai da frente… ou eu passo por cima de você também.
Nelson sustentou o olhar, impassível.
- Você não está em condições de continuar.
- Eu nunca estive tão lúcido.
A resposta veio imediata.
Cortante.
Rafael avançou.
Rápido demais.
Mas Nelson já esperava.
Segurou o braço dele no meio do movimento, travando o golpe antes que se completasse. O impacto foi seco, os corpos colidindo com força, tensão pura, contida por anos demais.
Por um segundo, ficaram assim.
Presos.
Força contra força.
- Solta.
A voz de Rafael saiu entre os dentes.
Nelson não soltou.
- Não dessa vez.
Aquilo quebrou o último fio de controle.
Rafael tentou avançar de novo, mais agressivo, mais bruto, mas Nelson o conteve, empurrando-o para trás com força suficiente para fazê-lo recuar um passo.
- Você está perdendo a cabeça.
- Ela é minha!
A explosão veio crua, violenta, ecoando pela estrada vazia.
- Ninguém tira ela de mim!
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Nelson o observou por um longo segundo.
- É exatamente por isso que eu estou aqui.
Rafael respirava rápido agora, o peito subindo e descendo de forma irregular, os olhos completamente escuros.
- Sai.
A palavra saiu mais baixa dessa vez, carregada de uma ameaça muito mais perigosa do que qualquer grito.
- Última chance.
Nelson não respondeu de imediato. Sustentou o olhar por um segundo a mais, avaliando, como se ainda houvesse espaço para evitar aquilo.
- Você nem sabe o que está fazendo agora - disse por fim, a voz firme, mas sem elevar o tom. - É exatamente isso que ele quer.
Rafael soltou uma risada curta, sem humor.
- Não me vem com essa.
Deu um passo à frente.
- Sai da frente.
Nelson não recuou.
- Dante já ganhou essa jogada, Rafael. - A voz dele endureceu um pouco. - Você acha mesmo que ainda está perseguindo alguém? Ele planejou isso antes mesmo de você perceber que estava perdendo.
Rafael travou o maxilar.
- Eu não perdi nada.
- Perdeu o controle - rebateu Nelson, direto. - E é só isso que ele precisa.
O silêncio entre os dois ficou pesado por um segundo.
Rafael avançou mais um passo.
- Eu ainda posso alcançar eles.
Nelson soltou um suspiro contido, como se já esperasse aquilo.
- Não pode.
A resposta veio simples.
Certeira.
- Os carros, a rota, o tempo… - ele inclinou levemente a cabeça. - Isso aqui não é improviso. Você está correndo atrás de algo que já acabou.
Os olhos de Rafael escureceram ainda mais.
- Ele não pode levá-la assim e eu ficar de braços cruzados.
Nelson o encarou por alguns segundos, e dessa vez não houve paciência nenhuma no olhar.
- Eu devia deixar - murmurou, mais para si mesmo do que para Rafael. - Facilitaria muito a minha vida.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia