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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 42

Rafael não lembrava da última vez que tinha piscado.

Os olhos ardiam como se tivessem sido esfregados com areia, vermelhos, fundos, as pálpebras pesadas demais para o estado de alerta que o corpo se recusava a abandonar. A luz da manhã atravessava as cortinas sem pedir licença, clara demais, crua demais, revelando cada imperfeição que a noite tentou esconder - o uísque derramado sobre a mesa, a roupa amassada no chão, o vazio da cama que ninguém ocupava.

Nada ali parecia em ordem - nem os móveis, nem o ar… e muito menos ele.

O corpo tinha desistido de acompanhar a mente. Mas a mente… a mente não parava.

Lorena.

O nome vinha em ondas, constante, irritante, impossível de ignorar.

Rafael passou a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer arranhar a palma, e então se levantou de forma brusca demais, como se ficar parado fosse o suficiente para enlouquecê-lo de vez.

- Encontrou? - Ele falou assim que viu Nelson cruzar as portas. A voz saiu rouca, pesada, mas afiada.

Nelson não respondeu de imediato. Encostou-se perto da janela, observando algo que claramente não estava ali. Ou talvez estivesse apenas escolhendo as palavras com cuidado - o que, naquele momento, era a única atitude inteligente.

- Não - disse, por fim.

Simples. Direto. Sem rodeios.

Rafael soltou uma risada curta, sem humor algum.

- Não?

A palavra ecoou, distorcida, como se fosse absurda demais para existir.

- Eu já fui em todos os lugares dele - continuou, andando de um lado para o outro, passos irregulares, impacientes. - Todos. Casas, escritórios, propriedades… até aquelas que ele acha que eu não sei.

Nada.

Nada.

Nada.

Cada repetição parecia apertar mais alguma coisa dentro dele.

- Ele não evaporou - murmurou, mais para si do que para Nelson. - Ele não desapareceu assim.

Nelson finalmente se moveu, cruzando os braços, postura firme - mas não desafiadora. Nunca desafiadora demais.

- Ele não fez isso sozinho.

Nelson conseguiu capturar toda a atenção de Rafael com aquela frase, em seus olhos um brilho escuro, denso, perigoso apareceu.

Rafael parou.

- Você tem razão.

A calma na voz era pior do que qualquer grito.

- Alguém ajudou.

Os olhos dele estreitaram, frios, calculistas - mas havia algo ali, por baixo, pulsando descontrolado.

- Ele tem alguém aqui, bem debaixo dos nossos narizes.

Nelson sustentou o olhar dele.

- Ou você simplesmente subestimou ele.

O ar mudou.

Instantaneamente.

Rafael deu um passo à frente.

- Cuidado.

Baixo. Controlado. Perigoso.

Mas Nelson não desviou.

- Você quer a verdade? - respondeu, seco. - Então escuta.

Outro passo.

Agora estavam perto demais.

- Isso aconteceu porque você pressionou ela até não sobrar nada.

A mandíbula de Rafael travou.

- Você tirou tudo dela. Isolou. Controlou. Prendeu dentro de casa como se isso fosse segurar alguém.

Cada palavra era colocada com precisão cirúrgica.

- Você esperava o quê?

Silêncio.

Pesado.

O tipo de silêncio que antecede algo irreversível.

Por um instante, pareceu que Rafael ia explodir.

A tensão percorreu o corpo inteiro dele, visível, quase elétrica - o punho fechando, o maxilar rígido, o olhar queimando.

Mas então…

Ele riu.

Baixo.

Lento.

Errado.

E balançou a cabeça.

Mais frios.

Mais claros.

Mais decididos.

- Eu dei tempo demais.

Disse, como se chegasse a uma conclusão inevitável.

- Tempo pra ela pensar… pra ele agir… pra todo mundo achar que podia me desafiar.

Endireitou o corpo, lentamente.

- Isso acabou.

Nelson observou em silêncio.

Já conhecia aquele olhar.

E nunca era um bom sinal.

- Se eu não encontrar ela rápido - Rafael começou, ajustando o relógio no pulso com um gesto automático, quase elegante demais para o caos que carregava - eu vou usar o único recurso que ainda não usei.

Uma pausa. Curta. Calculada.

- A família dela.

A frase caiu como uma pedra em água parada.

- Você acha mesmo que ela voltaria pra você, se fizer isso? - Nelson perguntou, a voz mais baixa agora, como se tentasse conter algo que já não tinha mais freio.

Rafael o encarou, e havia ali uma convicção que transcendia qualquer lógica.

- Você acha mesmo que ela vai ficar escondida enquanto eu estiver… conversando com eles?

A forma como ele disse conversando fez a palavra perder completamente o significado. Não era conversa.

- Não - continuou, já virando de costas, pegando o celular. - Ela volta.

Convicto.

- Ela sempre volta.

Dessa vez, não havia dúvida. Não havia espaço para erro. Só intenção.

Rafael parecia perigosamente perto de fazer exatamente o que prometia.

E isso era o mais assustador de tudo.

Porque, para ele, não havia linha que não pudesse ser cruzada. Não havia preço que não estivesse disposto a pagar. Não havia limites.

E Nelson, que o conhecia há anos, sabia: quando Rafael falava daquele jeito, não era blefe. Era promessa.

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