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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 43

O pouso foi suave.

Quase silencioso demais para tudo o que tinha ficado para trás.

Lorena sentiu o impacto dos pneus no asfalto como um ponto final - não no que sentia, mas no que tinha vivido até ali. A cabine do avião estava quase vazia, os poucos passageiros se moviam com a lentidão de quem não tem pressa, e ela manteve o olhar fixo pela janela até o último segundo, como se ainda esperasse ver algo - ou alguém - surgindo na pista, interrompendo tudo.

Mas não havia nada.

Nenhuma sombra, nenhum sinal, nenhuma ameaça visível.

Só o asfalto… e o começo de alguma coisa que ela ainda não sabia nomear.

Dante não apressou o movimento ao se levantar.

Como sempre, tudo nele parecia calculado na medida exata - sem pressa, sem hesitação.

- Vamos - disse apenas.

Sem pressão. Sem urgência. Como se o mundo não estivesse desmoronando em outro lugar.

O trajeto até o carro foi rápido, discreto, quase invisível. Nenhuma exposição desnecessária, nenhuma palavra além do necessário. E, ainda assim, Lorena percebeu… havia segurança ali. Não explícita, não ostensiva - mas presente.

Outra diferença.

Outra coisa que ela não sabia se a tranquilizava… ou a deixava mais alerta.

O hotel era elegante, mas longe do exagero que ela estava acostumada quando viajava com Rafael. Nada gritava riqueza. Tudo era… contido. Refinado na medida certa.

Dante falou com a recepção em poucos minutos, resolvendo tudo com a mesma eficiência silenciosa que parecia segui-lo em qualquer lugar.

Quando se voltaram para o elevador, ele finalmente olhou para ela com mais atenção.

- Você tem o dia livre - disse, simples. - Descansa. À noite, temos um jantar.

Lorena assentiu, ainda absorvendo tudo.

- Investidores - ele continuou. - E alguém que eu quero trazer pro projeto.

Uma leve pausa.

- Um programador.

Ela franziu levemente a testa, processando, tentando acompanhar o ritmo daquela nova realidade.

- Eu não trouxe nada… - disse, olhando para si mesma por um instante. - Roupa, nada. A gente saiu…

Sem terminar a frase.

Sem precisar.

Dante sustentou o olhar por um segundo a mais do que o habitual - não invasivo, mas atento.

- Eu já cuidei disso.

Simples assim.

Como se fosse óbvio.

- Se faltar alguma coisa, me avisa.

E então, como sempre…

Ele deu espaço.

- Seu quarto é esse.

Lorena hesitou por um instante antes de abrir a porta.

Um segundo só.

Como se ainda existisse alguma parte dela esperando encontrar outra coisa do outro lado.

Mas não.

Quando entrou, o silêncio a recebeu primeiro.

E depois… o cuidado.

Ela parou ainda na entrada, os olhos percorrendo o ambiente devagar. Organizado, limpo, tudo pensado.

E então viu.

A arara.

Cheia.

Roupas alinhadas com precisão - peças casuais, conjuntos mais estruturados, tailleurs discretos, vestidos que transitavam entre o elegante e o simples… nada chamativo, nada excessivo.

Nada como Rafael gostava.

Lorena se aproximou quase sem perceber, os dedos deslizando sobre o tecido de um dos vestidos. O algodão era macio, de uma qualidade que ela reconhecia imediatamente. O corte era simples, mas perfeito. As cores - tons neutros, azul-marinho, um verde escuro discreto - eram exatamente as que ela escolheria.

Se tivesse escolha.

O tamanho. O caimento. As cores.

Tudo… fazia sentido.

Tudo… parecia dela.

Um leve calor subiu pelo rosto antes mesmo que ela percebesse.

Aquilo não era possível.

Não daquele jeito.

Ela deu mais um passo, abrindo o pequeno guarda-roupa ao lado - e então parou de novo.

Uma gaveta.

Entreaberta.

O suficiente para revelar.

Lorena prendeu a respiração.

Roupas íntimas. Dobras organizadas, cores neutras, tecidos delicados - e, de novo… o tamanho exato.

O rosto dela corou mais rápido dessa vez. Um calor subiu pelo pescoço, pelas bochechas, até a raiz dos cabelos. Ela fechou a gaveta quase de imediato, como se tivesse invadido algo que não deveria, como se aquilo fosse… pessoal demais.

Mas como?

Como ele saberia?

A mente tentou acompanhar. Racionalizar.

Não foi ele.

Não podia ter sido.

Alguma funcionária. Alguém da equipe. Uma secretária, talvez.

Ele não saberia escolher aquilo.

Não daquele jeito.

Não com aquele nível de detalhe.

Ela se afastou, respirando fundo, quase forçando o pensamento a se acomodar em algo mais lógico.

Na penteadeira, outra surpresa.

Uma nécessaire.

Ela abriu.

Produtos organizados com cuidado - skincare, maquiagem… básicos. Nada exagerado, nada pesado.

Exatamente o tipo de coisa que ela sempre usou.

As mesmas marcas.

As mesmas escolhas discretas.

Lorena soltou um pequeno suspiro, mais confusa do que aliviada.

- Coincidência… - murmurou, sem muita convicção.

O olhar caiu então sobre o objeto ao lado.

Um celular.

Novo.

Lacrado.

Por um segundo, ela só ficou olhando, como se tivesse esquecido completamente que algo assim fazia falta. Rafael tinha confiscado o dela assim que a trouxe de volta para a mansão. Até isso. Até o contato com o mundo.

Quarenta e quatro 1

Quarenta e quatro 2

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