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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 44

Lorena acordou com o despertador, depois do banho relaxante na banheira ela caiu em um sono profundo e tranquilo que não tinha há vários dias.

O vestido que escolheu era simples, elegante na medida certa - um corte limpo, sem exageros, sem chamar atenção além do necessário. O tipo de roupa que ela escolheria… quando tinha a chance.

O reflexo no espelho não parecia mais estranho.

Mas também não era completamente familiar.

Ainda.

Quando chegou ao saguão, Dante já estava lá.

E não estava sozinho.

O homem ao lado dele tinha uma postura relaxada demais para alguém envolvido em negócios daquele nível - mãos nos bolsos, expressão quase divertida, como se estivesse sempre um passo fora da formalidade do ambiente.

Lorena diminuiu o ritmo por um instante.

Reconhecimento tardio.

Theo.

A memória veio fragmentada, distante - reuniões antigas, encontros rápidos, sempre ao lado de Dante… e depois, sumindo junto com ele quando foi para o exterior.

- Lorena - Dante disse, ao notá-la.

O tom não mudou.

Mas o olhar…

Ficou.

Por um segundo a mais.

- Esse é o Theo.

- Nós já nos vimos - Theo respondeu antes mesmo que Dante continuasse, abrindo um sorriso fácil. - Mas eu duvido que você lembre.

Lorena inclinou levemente a cabeça.

- Lembro… vagamente.

- Justo - ele riu baixo. - Eu também não era muito memorável naquela época.

- Ele ainda não é - Dante completou, seco. - Ele é meu sócio na Nexus Tech.

Theo virou o rosto devagar, encarando o amigo com uma falsa ofensa.

- Mais que isso, ele é o gênio dos algoritmos, eu sou a cara bonita da empresa, soube que você é a nova assistente dele, cuidado ele tem um humor horrível.

- Você está mais para humorista.

Lorena quase sorriu.

Dante fez um gesto discreto em direção à saída.

- Vamos.

O carro já os esperava.

O motorista abriu a porta dianteira, e Lorena se moveu automaticamente naquela direção.

- Lorena.

A voz de Dante veio firme.

Não alta.

Mas suficiente.

Ela parou.

Virou o rosto.

- Vem pra cá.

Um gesto sutil com a cabeça, indicando o banco traseiro.

Por um segundo, ela hesitou - não por recusa, mas por estranheza, ela uma assistente não deveria sentar ao lado do chefe.

Então assentiu.

Theo já contornava o carro, assumindo o lugar ao lado do motorista com naturalidade.

- Eu sempre acabo aqui na frente - comentou, acomodando-se. - Acho que isso diz muito sobre a nossa hierarquia.

- Diz - Dante respondeu, entrando no carro ao lado de Lorena. - Que você fala demais.

A porta se fechou.

O silêncio que seguiu não era desconfortável.

Era… funcional.

Dante já estava com o laptop aberto antes mesmo do carro começar a se mover.

- Presta atenção nisso aqui - disse, girando levemente a tela na direção dela.

Lorena se inclinou, aproximando-se sem perceber.

O conteúdo era denso, técnico - mas não inacessível.

Estrutura de projeto. Projeções. Termos.

Ele começou a explicar.

Sem pressa.

Sem simplificar demais.

Sem tratar como se ela não fosse entender.

- Hoje à noite não é só sobre investidores - continuou. - Eles são importantes… mas não são o foco principal.

Uma leve pausa enquanto passava para outro documento.

- O programador é.

Lorena acompanhava com atenção, absorvendo mais rápido do que esperava.

- O Demolidor - disse ele.

Ela ergueu o olhar por um instante.

- Esse é o nome dele?

- É o único que a gente tem - Dante respondeu. - Ele nunca se expôs. Nunca assinou nada com nome real.

- Trabalha sempre assim - Theo acrescentou do banco da frente. - Meio lenda urbana, meio problema jurídico.

Dante ignorou.

- O que importa é que ele é bom.

Simples.

Direto.

- Muito bom.

Lorena voltou os olhos para a tela.

- E o que você espera de mim?

Antes que Dante respondesse

- Na verdade, assistente Lorena - Theo se adiantou, virando levemente o corpo no banco - você só precisa ser… adorável.

O olhar de Dante foi imediato.

E sutilmente perigoso.

- Adorável? - Dante repetiu, devagar.

Theo piscou, como se não entendesse o problema.

Ela não respondeu na hora.

Pensou.

Organizou.

- Flexibiliza a exclusividade. Compensa com bônus por performance… e participação em projetos específicos.

Passou a rolar o documento.

- E aqui… isso aqui parece mais imposição do que acordo.

Uma pausa.

- Ele não vai confiar.

O carro seguia em silêncio enquanto ela falava.

Sem interrupções.

Sem pressa.

Dante escutava.

Theo observava.

E, sem perceber exatamente quando…

Lorena deixou de estar ali como alguém que precisava de orientação.

E começou, aos poucos, a ocupar espaço.

- Ajusta isso - ela concluiu, finalmente. - E você não precisa convencer ninguém.

Uma leve pausa.

- Ele vai querer entrar.

Silêncio.

Diferente dessa vez.

Theo virou o rosto lentamente para trás.

- Ok - murmurou. - Agora eu tenho certeza.

Lorena ergueu uma sobrancelha, discreta.

- Do quê?

Ele sorriu.

- Que você não está aqui só pra ser adorável.

Dante fechou o laptop com um movimento calmo.

Mas o olhar ainda estava nela.

Mais atento.

Mais… interessado.

- Bom - disse apenas. - Então vamos fazer direito.

Do lado de fora, as luzes da cidade começavam a se acender.

E, pela primeira vez desde que tudo começou…

Lorena não estava apenas reagindo ao que vinha.

Ela estava participando.

Ativamente.

Mesmo sem perceber, ela tinha acabado de dar mais um passo para fora da vida que deixou para trás.

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