O restaurante era silencioso demais para ser casual.
Não o tipo de silêncio vazio - mas aquele controlado, caro, onde cada detalhe parecia calculado para não interferir no que realmente importava: quem estava ali dentro.
Assim que chegaram, não passaram pelo salão principal.
Foram conduzidos diretamente.
Corredores discretos, iluminação suave, portas fechadas. Privacidade. Poder.
Quando a porta da sala foi aberta, as conversas lá dentro cessaram por um breve instante - o suficiente para marcar presença.
Alguns homens já estavam ali.
Meia-idade, ternos bem cortados, posturas que misturavam confiança e cálculo. O tipo de gente que não precisava se apresentar para ser reconhecida.
- Dante - um deles se levantou primeiro, abrindo um sorriso controlado. - Theo.
Cumprimentos firmes.
Apertos de mão.
Olhares que avaliavam sem parecer.
Lorena permaneceu meio passo atrás por instinto… observando.
- Essa é a Lorena, minha assistente - Dante disse, simples.
Os olhares mudaram de direção.
Mais rápidos dessa vez.
Mais atentos.
- Prazer - alguém respondeu.
- Encantado.
Formalidades.
Medidas.
Lorena assentiu com um pequeno sorriso, mantendo a postura.
Foi então que ela percebeu.
Outros.
Distribuídos pela sala.
Assistentes, secretárias… todos em pé, próximos aos seus respectivos chefes, silenciosos, atentos, quase invisíveis.
Um detalhe que dizia muito mais do que qualquer apresentação.
E, de repente…
O cheiro.
Veio primeiro.
Quente. Rico. Impossível de ignorar.
O estômago dela reagiu antes que tivesse tempo de disfarçar.
Um som baixo.
Traidor.
Lorena sentiu o calor subir pelo rosto quase instantaneamente.
Ficou imóvel por um segundo, torcendo para que ninguém tivesse percebido.
Não comia desde a noite anterior.
E, mesmo naquela noite… comeu quase nada.
Dispensou o serviço de quarto tinha escolhido dormir, agora…
O corpo cobrava.
Dante puxou a cadeira com naturalidade, como se nada estivesse fora do lugar.
E, no momento em que se sentou, Theo já se movia para ocupar o lugar ao lado.
Mas parou.
Um gesto mínimo de Dante.
Suficiente.
Theo entendeu na hora.
- Lorena, por favor - disse ele, com um meio sorriso. - Senta aqui.
Ela piscou, surpresa.
- Eu posso ficar ali - ela acenou em direção ao espaço logo atrás deles onde os trabalhadores como ela estavam.
- Não - Dante interrompeu, baixo, só para ela.
Sem chamar atenção.
- Ele é um fofoqueiro esplêndido.
Uma pausa quase imperceptível.
- Deixa ele com os outros. Vai descobrir tudo que a gente precisa.
Lorena lançou um olhar rápido para Theo, que já se afastava com naturalidade para perto do grupo de assistentes, como se aquele fosse exatamente o plano desde o início.
Ela hesitou.
Mas só por um segundo.
Então se sentou.
O cheiro da comida parecia ainda mais intenso agora.
Pratos bem apresentados, vapor sutil subindo, aromas que misturavam sofisticação e precisão.
A boca encheu de água.
Ela tentou manter a compostura.
- Prova - Dante disse, sem olhar diretamente para ela.
O tom era neutro.
Sem cerimônia.
O som cortou a sala.
As conversas pararam.
Uma fração de segundo.
Suficiente.
Lorena virou o rosto junto com os outros.
A mulher que entrou não parecia ter qualquer dúvida sobre onde estava pisando.
O vestido era chamativo, marcava presença antes mesmo dela falar. Não exagerado… mas intencional. Cada detalhe calculado para ser notado.
E foi.
Os olhares na sala mudaram.
Alguns curiosos.
Outros… mais interessados do que deveriam.
Ela caminhou com segurança, sem hesitar, como se aquele ambiente já fosse dela.
- Olá, senhores.
A voz saiu leve.
Controlada.
Com um toque de provocação que não pedia permissão.
Silêncio.
Atenção total.
Ela parou no centro da sala, os olhos percorrendo cada rosto com rapidez e precisão.
Avaliando.
Escolhendo.
- Deixe-me me apresentar…
Um pequeno sorriso surgiu.
Aqueles que estavam mais atentos perceberam.
Não era charme.
Era confiança.
- Prazer.
Uma pausa.
Curta.
Calculada.
- Demolidora.

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