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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 50

Lorena não pensou.

Agir veio antes.

O celular ainda estava na mão quando ela saiu do quarto, os passos rápidos demais para qualquer tentativa de calma. O corredor do hotel se estendia à frente, interminável, as luzes suaves criando sombras que pareciam dançar na periferia da visão.

Ela já abria o aplicativo de passagens enquanto caminhava, os dedos tremendo levemente ao digitar. O primeiro voo. Qualquer voo. Não importava o destino intermediário, não importava a conexão, não importava o preço.

Ela precisava voltar.

Agora.

O corredor parecia longo demais, silencioso demais, como se o tempo tivesse desacelerado só para piorar a sensação de urgência que crescia dentro dela a cada passo. A respiração vinha curta, o coração batia irregular, e as imagens do vídeo se repetiam em loop na mente: os pais à mesa, o sorriso da mãe, a mão do pai sobre o talher, Rafael servindo vinho como se fosse o anfitrião perfeito.

Como se nada estivesse errado.

Quando parou diante da porta de Dante, não hesitou.

Bateu.

Uma vez.

Duas.

Mais forte do que pretendia.

O som ecoou no corredor vazio, e por um segundo - apenas um - ela pensou em bater de novo. Mas então a porta se abriu.

Dante apareceu ainda sonolento, o cabelo completamente desalinhado, a expressão carregando o resquício do descanso interrompido. Estava sem camisa, vestindo apenas a calça do pijama, e por um segundo - um único segundo - o olhar de Lorena falhou.

O peito definido, os ombros largos. A presença dele ali, tão próxima, tão real…

Ela corou antes mesmo de perceber.

O calor subiu pelo pescoço, pelas bochechas, e ela desviou o olhar bruscamente, irritada consigo mesma por permitir aquela distração.

Não havia espaço para aquilo.

Não agora.

- Eu preciso ir embora - disse, rápido demais, as palavras atropelando o próprio ritmo.

Dante ainda estava processando, os olhos ainda pesados de sono, mas já havia algo diferente na postura dele. Algo que acordava antes da consciência.

Ele abriu mais a porta.

- Entra.

A voz saiu mais grave, ainda baixa, enquanto ele se afastava para que ela passasse.

Lorena entrou sem discutir, os passos agora cruzando o quarto dele, andando de um lado para o outro, o celular ainda na mão como se fosse uma extensão do próprio corpo.

- Eu já estou vendo passagem, o primeiro voo disponível.

- Lorena.

Ela não parou.

- Vou direto para lá, resolver isso. Se eu pegar o voo das oito…

- Lorena.

Dante passou a mão pelo rosto, despertando de vez. Pegou uma camisa no caminho, vestindo-a enquanto escutava. Os movimentos eram precisos, econômicos, mas havia uma tensão crescente nos ombros.

Ela continuou:

- …consigo chegar antes do meio-dia. Eu só preciso falar com ele, explicar que…

- Explicar o quê?

A voz dele não era alta. Mas era suficiente.

Lorena parou.

Virou-se.

Dante a encarava com uma intensidade que não deixava espaço para fugas.

- Que ele não pode fazer isso? - continuou ele. - Que não pode usar seus pais como moeda de troca?

Ela abriu a boca. Nada saiu.

- Você acha que ele não sabe?

Foi o conteúdo - não o tom - que mudou tudo.

Dante deu um passo à frente.

- Ele sabe, Lorena. Ele sabe exatamente o que está fazendo.

Ela desviou o olhar, os dedos apertando o celular com mais força.

- Eu não posso deixar eles lá.

A frase saiu baixa, quase um sussurro.

- Não vou.

Dante a observou por um segundo. Depois, sem dizer nada, pegou o próprio celular e discou um número com rapidez.

- Prepara o jatinho - disse, direto. - Decolagem em duas horas.

Uma pausa.

- Estamos voltando.

Desligou antes de qualquer resposta mais longa.

Lorena piscou.

- Você não precisa voltar comigo.

A frase saiu automática. Defensiva.

- Você tem compromissos, investidores, o projeto… eu consigo dar um jeito. Eu só preciso voltar, falar com ele, resolver isso…

- Resolver?

Dante a encarou.

De verdade.

- Você acha mesmo que isso se resolve com uma conversa?

Ela hesitou.

Só um segundo.

- Ele não faria mal aos meus pais - insistiu, mas já havia menos certeza na própria voz. - Ele é… ele não pode estar maluco, não nesse nível.

As palavras soaram mais como um pedido do que uma afirmação. Como se ela estivesse tentando se convencer de que o homem que amou ainda existia em algum lugar dentro daquele monstro.

Dante deu um passo à frente.

- Você ainda está tentando entender ele com lógica.

Outra pausa.

- Esse é o erro.

Lorena desviou o olhar por um instante, o peso da situação finalmente alcançando tudo de uma vez. As imagens do vídeo voltaram: a mãe sorrindo, o pai relaxado, Rafael servindo vinho como se fosse o anfitrião perfeito.

Quando voltou a falar, a voz saiu mais baixa.

- Eu não quero te arrastar pra isso.

Ela respirou fundo, sentindo o peito apertar.

- Você já fez demais por mim. Eu… eu vou dar um jeito.

Antes que pudesse se afastar, Dante segurou as mãos dela.

O toque foi gentil, mas firme, passando uma segurança que ela ansiava em sentir. As mãos dela estavam frias e trêmulas; as dele, quentes e firmes.

Três.

Até que:

- Alô?

A voz da mãe veio sonolenta, mas… tranquila.

Lorena fechou os olhos por um segundo, sentindo o alívio atravessar o corpo como uma onda.

- Mãe…

- Lorena? Filha? Está tudo bem? Que horas são aí?

- Vocês estão bem?

A pergunta saiu rápida demais.

- Estamos, sim… - Laura respondeu, confusa. - Seu marido nos convidou pra jantar hoje, era pra ser uma surpresa… quando sua viagem a negócios termina, filha?

Lorena engoliu em seco. A palavra "marido" doeu como uma faca.

- E o pai?

- Está aqui, claro. Estamos bem, não se preocupe. Ele quer que esperamos por você aqui na sua casa. Por que sua voz está tão estranha, filha? Está tudo bem?

Uma pausa.

- Você está bem mesmo?

Lorena olhou para a mala aberta, para o quarto que ainda parecia temporário demais para ser real. O vestido que ela escolheu para o jantar ainda estava jogado na poltrona. O laptop de trabalho sobre a mesa.

- Estou - respondeu, finalmente. - Eu… eu chego logo, tá?

- Tá bom, filha. Se cuida.

A ligação terminou.

O silêncio voltou.

Mas agora… não era vazio.

Era pressão.

Alguns minutos depois, uma batida na porta.

Lorena já estava pronta. Ou o mais próximo disso. A mala estava fechada, o laptop na bolsa, o coração acelerado.

Abriu.

Theo estava do outro lado, apoiado no batente, mais sério do que o habitual. O sorriso fácil que ele usava como marca registrada tinha dado lugar a uma expressão contida, profissional.

- Vamos?

Ela assentiu, pegando a alça da mala.

- Dante?

Theo deu um meio sorriso, mas não chegou aos olhos.

- Resolvendo algumas coisas.

Uma pausa.

- Eu te levo pra casa primeiro.

Lorena segurou a alça da mala com mais força. As palavras ficaram no ar. Pesadas.

Porque, pela primeira vez desde que tinha saído de lá…

ela estava voltando.

E, dessa vez…

não seria como antes.

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