O carro parou diante da mansão.
Lorena não se moveu imediatamente.
Os olhos fixos na fachada que, por tanto tempo, ela chamou de lar.
Agora… parecia outra coisa.
Mais fria. Mais distante. Mais… ameaçadora.
Theo desligou o motor e virou levemente o rosto na direção dela.
- O Dante pediu pra te avisar uma coisa.
Lorena não olhou para ele.
- O quê?
- Se ele não conseguir falar com você em dez minutos… ele entra.
Aquilo fez o coração dela acelerar.
Não de medo.
De outra coisa.
Ela assentiu.
- Diga a ele para não se preocupar. Eu vou dar um jeito.
Respirou fundo, abriu a porta e saiu.
Cada passo até a entrada parecia mais pesado que o anterior.
Assim que atravessou a porta, o ar mudou.
Rafael já estava esperando - como se soubesse o exato momento em que ela pisaria ali.
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele a puxou para um abraço.
Forte demais. Apertado demais. Errado demais.
O perfume caro que antes significava segurança agora embrulhava o estômago.
Os braços que um dia a envolveram com cuidado agora a prendiam como algemas.
- Eu sabia que você ia voltar.
A voz saiu baixa, quase aliviada… mas o corpo não acompanhava aquele tom.
Era rígido. Controlador. Possessivo.
- Por que você fugiu com aquele idiota? - continuou, ainda segurando-a. - O que tem entre vocês?
Lorena sentiu o aperto aumentar.
Aquilo não era um abraço.
Era contenção.
Ela tentou se afastar, mas Rafael a segurou pelos ombros, afastando apenas o suficiente para encará-la.
Os olhos estavam vermelhos. Injetados. Instáveis.
- Me diz - insistiu, a voz já falhando no controle - por que você fez isso comigo?
Irreconhecível.
Completamente.
Lorena se desvencilhou com firmeza, dando um passo para trás.
- Eu só vim por causa dos meus pais.
A voz saiu fria. Direta.
- Onde eles estão?
- Lolô…
Ele avançou de novo, segurando-a com ainda mais força.
Nenhum traço da gentileza de outrora.
- Você está tentando me enlouquecer? É isso?
- Onde estão meus pais, Rafael?
Dessa vez, não havia hesitação.
- Eu não estou brincando. Estou tentando falar com eles há horas. O que você fez com eles?
O olhar dela não vacilou.
Frio. Distante.
Como se ele fosse um estranho.
Aquilo atingiu algo nele.
- Vamos conversar primeiro, amor.
As palavras eram suaves… mas completamente deslocadas.
Ele segurou o braço dela e a puxou.
Lorena resistiu por um instante, mas não o suficiente para impedir.
Ele a arrastou até o quarto.
- Vamos conversar - repetiu, fechando a porta atrás deles. - Eu não fiz nada com seus pais. Eles estão bem. Eu só precisava que você viesse.
Lorena soltou o braço com força.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia