O celular vibrava no bolso de Lorena, mas ela não conseguia alcançá-lo.
Rafael a mantinha presa contra o colchão, o peso do corpo impedindo qualquer movimento real. A boca dele insistia, descendo pelo pescoço - lábios, dentes, respiração quente, tudo aquilo que um dia já tinha significado intimidade… agora era insuportável, errado, repulsivo.
Lorena virou o rosto, tentando escapar, o corpo reagindo com rejeição a cada toque.
- Rafael… para…
Ele não parou.
A boca subiu até a orelha dela, mordendo de leve, como se aquilo ainda fosse um jogo conhecido.
- Eu vou te odiar pra sempre se você continuar com isso - ela disse, a voz falhando, mas firme o suficiente.
Rafael levantou levemente a cabeça, os olhos ainda instáveis, fixos nela.
E sorriu.
- Tudo bem… - murmurou, voltando a se inclinar. - Ódio é melhor que indiferença.
Os dedos dele deslizaram pela cintura dela, apertando.
- E eu amo por nós dois.
A língua roçou a orelha dela, e o arrepio que percorreu seu corpo não era de prazer, era de repulsa.
Ela tentou se soltar de novo, com mais força dessa vez, mas ele a segurou com facilidade.
O celular dele começou a tocar, insistente, alto, mas Rafael ignorou completamente.
O mundo parecia reduzido àquilo: aquele quarto, aquele peso, aquela sensação sufocante.
Lorena não sabia quanto tempo aquilo durava, segundos, minutos, uma eternidade, até que a porta explodiu.
O som foi seco, violento, madeira cedendo sob um único golpe.
Rafael mal teve tempo de reagir.
Dante já estava dentro, os cabelos mais desalinhados que horas atrás, a respiração pesada e os olhos tomados por uma fúria que Lorena nunca tinha visto antes.
- Crápula!
A voz veio carregada de ódio puro.
No segundo seguinte, ele já estava em cima de Rafael.
O impacto foi brutal. O corpo de Rafael foi arrancado de cima de Lorena, jogado para o lado antes que pudesse se defender. O primeiro soco veio forte, direto, um estalo seco seguido por um jato de sangue.
Rafael caiu.
Mas Dante não parou.
Ele avançou, subindo sobre ele, e o segundo golpe veio, depois o terceiro, e mais um. Soco atrás de soco, sem pausa, sem controle.
A cena diante dos olhos de Lorena se distorceu por um instante.
Uma memória antiga. Outro dia. Outro lugar. Mas a mesma violência.
Só que, naquela vez, Dante estava no chão e Rafael estava por cima, rindo, batendo, enquanto vozes ao redor gritavam:
“B**e! B**e! B**e!”
Lorena balançou a cabeça, afastando a lembrança.
Aquilo não era o passado.
Mas Dante… também não estava parando.
- Dante!
Nada.
Mais um soco.
- Dante!
A voz dela saiu mais forte.
- Por favor, para! Você vai matar ele!
O punho de Dante parou no ar. A respiração pesada, o corpo tenso.
Então ele virou o rosto.



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