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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 53

Dante foi o primeiro a chegar até ela.

O mundo ainda parecia girar devagar para Lorena, a dor irradiando do braço em ondas quentes e desordenadas, cada batida do coração enviando um novo choque de agonia. As luzes do quarto dançavam em sua visão periférica, borradas, irreais. Mas ele já estava ali, o corpo dele um escudo entre ela e o caos, as mãos firmes apoiando-a com uma urgência que contradizia a calma forçada na voz.

Os olhos de Dante percorreram cada detalhe com rapidez cirúrgica. O rosto pálido dela. A respiração curta. A posição estranha do braço.

E então ele viu.

O sangue escorrendo pelo antebraço. O ângulo errado, o osso deslocado, o inchaço que já começava a se formar.

Algo dentro dele mudou no mesmo instante. A fúria que antes explodira em socos agora se transformava em algo mais frio, mais preciso. Mais perigoso.

- Droga…

A voz saiu baixa, contida, mas carregada de uma tensão que mal se sustentava. Ele sabia o que aquela dor significava. Sabia o que Rafael tinha feito.

Sem perder tempo, se inclinou e a pegou nos braços com cuidado, muito mais cuidado do que alguém esperaria de quem, segundos antes, desferia golpes como se quisesse destruir tudo ao redor.

- Vai ficar tudo bem - disse, firme, já se levantando. - Eu estou com você.

Lorena não respondeu. A dor falava mais alto naquele momento, misturada ao choque, à adrenalina, ao resquício do medo que ainda não tinha ido embora. Ela apenas se deixou levar, o corpo finalmente cedendo à proteção que ele oferecia.

Atrás deles, Rafael se moveu.

Cambaleante. O rosto inchado, o sangue escorrendo pelo queixo, a camisa rasgada. Mas ainda tentando manter controle sobre algo que já tinha perdido há muito tempo.

- Onde você pensa que vai com a minha esposa?

A voz saiu rouca, falha… mas venenosa. Cada palavra era um esforço, um cuspe de sangue e ódio.

Ele avançou alguns passos, tentando alcançar Dante, a mão estendida como se ainda tivesse algum direito ali. Os dedos tocaram o ar, depois o ombro de Dante, numa tentativa desesperada de reverter o que já não podia ser desfeito.

- Eu levo ela pro hospital.

Dante nem diminuiu o passo. Nem respondeu. Continuou andando como se Rafael fosse apenas um fantasma, uma memória que já não tinha poder.

Quando Rafael finalmente conseguiu se aproximar o suficiente para agarrar seu braço com mais força, a reação veio instantânea.

Um chute seco. Preciso. Direto.

Rafael não estava em condição de sustentar impacto nenhum. O corpo dele perdeu o pouco equilíbrio que ainda tinha e caiu de volta no chão com um baque pesado, o som dos joelhos batendo no mármore ecoando pelo corredor.

- Para ele! - Rafael gritou, a voz falhando entre raiva e desespero. - Parem ele!

Mas ninguém se moveu.

Ou melhor… ninguém do lado dele.

Os homens que Dante tinha trazido já estavam posicionados, controladores, silenciosos, ocupando cada ponto estratégico da casa. Um na entrada do corredor. Outro na escada. Mais dois na porta principal. Neutralizando qualquer tentativa de interferência antes mesmo que ela começasse.

Era limpo. Organizado. Planejado.

Rafael percebeu.

E isso só piorou tudo.

- Você não vai sair daqui com ela! - ele gritou, tentando se levantar de novo, ignorando o próprio corpo, a dor, o sangue. - Você vai se arrepender disso, Dante!

Ele conseguiu se apoiar no corrimão, os dedos escorregando no metal polido, manchando-o de vermelho.

- Lolô, me desculpa! - a voz agora era diferente. Mais alta. Mais desesperada. - Eu não queria te atingir! Não vá com ele!

Dante continuou andando.

Desceu as escadas com passos firmes, segurando Lorena com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse machucá-la ainda mais. Ela sentia o calor do corpo dele, a respiração controlada, o coração batendo forte contra o peito. A segurança que ela não sentia há tanto tempo.

Atrás deles, Rafael ainda tentou seguir.

Um passo.

Dois.

A mão agarrando o corrimão com mais força. A respiração irregular, os pulmões queimando. A raiva mantendo ele de pé por pura teimosia, por aquela convicção doentia de que ela ainda era dele.

- Eu vou acabar com você! - gritou, descendo atrás deles, a voz ecoando no vazio da mansão. - Está me ouvindo?!

Dante parou.

Já próximo à saída.

Não se virou imediatamente. Ficou imóvel por um segundo, dois, três - como se estivesse decidindo se valia a pena. Lorena sentiu a tensão no corpo dele, a respiração que se aprofundou, o controle sendo exercido sobre algo que queria explodir de novo.

Então, devagar, ele virou o rosto apenas o suficiente.

O olhar encontrou Rafael.

Frio. Controlado. Perigoso de um jeito muito diferente da explosão anterior. Era a frieza de quem já tinha calculado todos os movimentos, de quem sabia exatamente onde e como atacar.

- Continua - disse, a voz baixa, mas perfeitamente audível no silêncio tenso do ambiente - e a imprensa vai adorar as manchetes que eu tenho prontas sobre você… e a sua cunhada.

O silêncio que se seguiu foi cortante.

Rafael congelou. O corpo paralisado, a mão ainda no corrimão, o rosto contraído entre a fúria e algo que se parecia com medo.

Porque aquilo… não era ameaça vazia.

Dante esperou um segundo. Apenas um. Para que as palavras se instalassem, para que Rafael entendesse que o jogo tinha mudado.

Depois virou-se de novo e atravessou as portas, saindo da mansão com Lorena nos braços.

Do lado de fora, a movimentação era intensa.

Carros com vidros escuros. Homens posicionados em pontos estratégicos. E, ao fundo… luzes. Muitas luzes. Os faróis dos veículos iluminavam a entrada como se fosse um palco preparado para a fuga.

Rafael chegou à entrada segundos depois, ainda tentando avançar, o corpo todo tremendo de raiva e exaustão.

Cinquenta e quatro 1

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