Ao fim da reunião, Dante foi o primeiro a deixar a sala - não antes de pedir a Theo e Lorena que fossem com ele até seu escritório.
Na sala de reuniões, os acionistas demoraram a sair. Todos ainda falavam sobre o casamento. O assunto não demorou a percorrer toda a empresa; antes que os acionistas deixassem o prédio da Nexus Tech, a fofoca já tinha se espalhado.
O escritório de Dante ficava no fundo do corredor. Theo fechou a porta atrás de si e se jogou no sofá, relaxando depois da tensão da reunião.
Dante não se sentou. Ficou de pé perto da janela, os olhos perdidos na cidade lá embaixo.
- Precisamos planejar o casamento - disse, sem se virar. - Lorena, desculpa. Tem que ser rápido. E tem que ser convincente.
Lorena se sentou na cadeira em frente à mesa, o tablet apoiado sobre os joelhos.
- O que você está pensando?
Dante se virou lentamente.
- Uma festa.
Lorena franziu a testa.
- Uma festa?
- Para anunciar o casamento. Para que todo mundo saiba. Para não deixar espaço para especulações.
Ele falou com a segurança que não sentia. O coração acelerava com o medo de que Lorena decidisse, a qualquer momento, desistir.
Theo desviou o olhar para Lorena, como se esperasse a reação dela. Ela demorou um segundo para responder, os dedos tamborilando na borda do tablet.
- Mas… Uma festa, talvez seja uma má ideia - disse, com cuidado. - Vai chamar atenção demais. Pode gerar um escândalo ainda maior.
- Ela tem razão - Theo concordou. - Se a gente já está lidando com o vazamento, com os acionistas desconfiados… uma festa agora pode parecer provocação.
Dante não respondeu de imediato. Caminhou até a mesa, apoiou as mãos na borda, e olhou diretamente para Lorena.
- Se a gente fizer um casamento escondido - disse, a voz mais baixa - vão dizer que a gente estava se escondendo. Como se estivéssemos fazendo algo errado. Como se tivéssemos algo a esconder.
O silêncio se alongou por um segundo.
- A gente tem que mostrar que isso é legítimo - continuou. - Que não há nada errado aqui. A única forma de matar os rumores é enfrentá-los de frente.
Lorena sustentou o olhar. Havia algo ali que ela não conseguia nomear, uma intensidade que ia além da estratégia.
- E o contrato? - perguntou, desviando o olhar primeiro. - Você já tem o contrato para o casamento… falso?
A palavra caiu no ar como um objeto estranho.
Theo tossiu, disfarçando. Dante não se moveu, mas algo em seus olhos se contraiu. Um aperto quase imperceptível, uma fresta na máscara que ele mantinha no lugar.
- Falso - repetiu, como se estivesse experimentando a palavra. - Sim. Meus advogados estão preparando.
A secretária de Dante estava prestes a levar os remédios para dor de cabeça que ele solicitara mais cedo, quando Clara se ofereceu para entregá-los, alegando que precisava falar com ele sobre o novo algoritmo. A secretária agradeceu, aliviada por não precisar interromper a reunião.
Clara tocou levemente na porta. Como não obteve resposta, entreabriu-a bem a tempo de escutar.
A voz de Lorena vinha de dentro, clara na quietude do corredor.
"- Você já tem o contrato para o casamento… falso?"

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