Entrar Via

Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 67

Os três dias que eles tiveram para preparar a festa passaram em um ritmo que Lorena não sabia nomear. Era frenético e calmo ao mesmo tempo, uma contradição que só fazia sentido dentro daquele escritório improvisado que Dante colocara à disposição dela no andar da presidência.

Lorena estava ali desde as primeiras horas da manhã, o braço ainda imobilizado, o tablet apoiado sobre a mesa, a lista de tarefas se alongando a cada minuto. Flores. Buffet. Música. Iluminação. Cada detalhe exigia uma decisão, e cada decisão parecia puxar outra atrás.

- A fornecedora das flores confirmou - disse, olhando para a tela. - Mas ela precisa saber as cores até o fim do dia.

Dante estava sentado ao lado, o laptop aberto, os olhos percorrendo os relatórios que Theo lhe enviara mais cedo. Não levantou a vista imediatamente.

- Que cores você quer?

- Eu pensei em algo mais discreto. Branco, talvez com alguns tons de verde. Nada muito chamativo.

- Então é isso.

Lorena ergueu os olhos.

- Você não quer opinar?

Dante fechou o laptop e se virou para ela. O gesto foi simples, mas havia uma intenção ali que ele não precisava explicitar.

- É o seu casamento. Pelo menos nisso, você escolhe.

A frase caiu entre eles como um objeto delicado. Lorena desviou o olhar primeiro, os dedos tamborilando na borda do tablet.

- É um casamento falso - lembrou, a voz mais baixa.

Dante não respondeu de imediato. Apenas a observou, como se esperasse algo mais.

- Mesmo assim - disse, por fim. - Vamos fazer o mais real possível.

Nos dias seguintes, Lorena descobriu que Dante não estava brincando.

Ele aparecia nos momentos mais inesperados, entre uma reunião e outra, antes de uma teleconferência, depois de desligar uma ligação que o deixara visivelmente tenso. E em cada um desses momentos, ele perguntava a mesma coisa:

- Como estão os preparativos? Posso ajudar com alguma coisa?

A primeira vez, Lorena respondeu com a lista de tarefas ainda pendentes. Na segunda, mostrou as amostras de tecido que a decoradora enviara. Na terceira, já tinha uma pasta separada só para as escolhas que ele poderia validar.

- A música - disse, enquanto ele se sentava ao lado dela. - Eu pensei em um quarteto de cordas. Algo mais clássico, mas sem ser pesado.

Dante pegou a lista que ela estendia, os olhos percorrendo os nomes.

- Você já escolheu?

- Não. Ainda não tive tempo de ouvir as amostras.

Ele fechou a pasta.

- Então vamos ouvir.

Lorena piscou, surpresa.

- Agora?

- Agora.

Ela olhou para o relógio, depois para a pilha de e-mails que ainda precisava responder.

- Dante, você tem uma reunião em…

- Eles esperam.

Simples. Direto. Como se nada mais importasse naquele momento.

Lorena abriu a boca para argumentar, mas ele já puxava o tablet da mão dela, abrindo o arquivo de áudio com a facilidade de quem sabia exatamente o que procurava.

A primeira música começou a tocar.

Era suave, melancólica. As cordas dançavam sobre a melodia com uma leveza que surpreendeu Lorena. Ela se recostou na cadeira, os olhos fechados por um instante, deixando que o som preenchesse o espaço.

Quando abriu os olhos, Dante estava olhando para ela.

Não para o tablet. Não para a tela. Para ela.

- Gostou? - perguntou.

Lorena desviou o olhar.

- É bonita.

Ele anotou algo na pasta, ao lado do nome da música.

- Próxima.

A segunda era mais alegre, mais leve. Lorena se pegou balançando os dedos sobre o braço da cadeira, seguindo o ritmo sem perceber. Dante, ao lado, fazia o mesmo - o pé batendo no chão em compasso, o canto da boca quase se movendo em um sorriso.

- Essa é melhor - disse ela.

- É a que você quer?

Lorena hesitou. Naquele breve silêncio entre uma música e outra, algo se acomodou dentro dela. Algo que ela não sabia nomear.

- É - respondeu, mais baixo. - É essa.

Dante anotou.

E, por um momento, nenhum dos dois falou nada.

No segundo dia, foi a vez das flores.

A fornecedora enviara amostras pela manhã, e Lorena passou a tarde inteira dispondo as imagens sobre a mesa, tentando visualizar o arranjo perfeito. Branco, verde, toques de azul-pálido, nada que gritasse, nada que pedisse atenção.

Dante a encontrou nessa posição quando entrou: inclinada sobre as fotos, a mão boa apoiada no queixo, a testa levemente franzida.

- Escolheu?

Ela suspirou.

- Ainda não. Todas são bonitas, mas… nenhuma parece certa.

Ele se aproximou, puxando a cadeira ao lado dela. Os olhos percorreram as imagens com a mesma atenção que dedicava aos relatórios.

- Por que não todas?

Lorena virou o rosto.

- Como assim?

- Se você gosta de todas, usa todas. Mistura. Cria algo que seja único.

Ela ficou em silêncio por um segundo.

- Você realmente não se importa?

- Com o quê?

- Com o que vão pensar. Se vai ser bom o suficiente. Se…

- Lorena.

Ele a interrompeu, a voz mais baixa. Ela ergueu os olhos.

- Esse casamento - disse ele - é seu. Na verdade… nosso. Podemos escolher qualquer coisa.

As palavras encontraram um lugar que ela nem sabia que estava vulnerável.

Sessenta e oito 1

Sessenta e oito 2

Sessenta e oito 3

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia