Dante se virou para os jornalistas, o olhar frio, a postura ereta.
- Uma declaração - disse, a voz alta o suficiente para silenciar o burburinho. - Depois da cerimônia. Agora, por favor, respeitem o momento.
Os seguranças finalmente conseguiram conter o avanço, formando uma barreira entre os repórteres e o casal.
Dante ainda segurava a mão de Lorena.
- Vamos - sussurrou.
Ela deixou que ele a conduzisse.
Dante virou à direita, contornando o caminho de pedras que levava ao jardim principal, onde as cadeiras estavam dispostas em fileiras perfeitas e o altar coberto por flores brancas e azuis. Os seguranças já formavam uma barreira atrás deles, contendo os repórteres que ainda gritavam perguntas, os flashes disparando como tiros.
- Por aqui - disse ele, a voz firme, a mão ainda segurando a dela.
Lorena o seguiu sem hesitar.
O vestido arrastava na grama, as pontas do tecido se molhando levemente no orvalho da manhã, mas ela nem percebia. Só sentia a mão dele. Quente. Firme. Presente.
Dante a conduziu até o início do túnel formado pelas flores que levavam até o altar, onde o pai já estava posicionado. O ar estava perfumado, as pétalas brancas e azuis balançando suavemente com a brisa. Lá fora, os flashes ainda disparavam ao longe, e o burburinho entre os convidados se misturava ao som distante dos repórteres que os seguranças ainda continham.
Dante soltou a mão dela devagar, os dedos relutando em se separar. Seus olhos encontraram os dela por um instante longo demais para ser casual.
- É sua vez - disse, a voz mais baixa do que o habitual.
Lorena apenas assentiu.
Ele se afastou, tomando seu lugar ao lado do altar. A postura era firme, ereta, mas as mãos, ela notou, tremiam levemente.
Jonas se aproximou da filha, o braço já estendido.
- Pronta? - perguntou, a voz carregada de emoção.
Lorena enlaçou o braço do pai.
- Pronta.
Os músicos começaram a tocar, o quarteto de cordas que ela escolhera, a melodia suave se espalhando pelo jardim como um abraço. Os convidados se voltaram para ela, os olhares fixos, os sussurros cessando.
Lorena caminhou.
Cada passo parecia mais leve que o anterior, e ao mesmo tempo mais pesado. O coração acelerava, e ela precisava se lembrar a todo instante: é falso. É só uma encenação.
Mas o vestido era real. As flores eram reais. E o homem que a esperava no altar… parecia real demais.
No altar, Dante sentia o peito prestes a explodir.
Ele tentava manter a compostura, o rosto firme, a postura controlada. Mas algo dentro dele se desfazia a cada passo que Lorena dava em sua direção. A luz do sol incidia sobre o vestido, criando um brilho suave ao redor dela, e ele sentiu os olhos arderem.
Uma lágrima escapou.
Ele piscou, tentando conter, mas outra veio, e outra. As mãos, ao lado do corpo, tremiam.
Theo, na primeira fileira, observava boquiaberto. Nunca, em todos os anos de amizade, vira Dante chorar. Nem quando o avô o surrava até ele quase perder a consciência. Nem quando a família o tratava como lixo. Nem quando ele lutou para construir a Nexus Tech sozinho, contra todos.
Agora, ali, diante de uma mulher, ele chorava.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia