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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 71

O beijo ainda ecoava nos lábios de Lorena quando Dante a conduziu pelo braço em direção à área do jardim onde as mesas estavam postas. Os aplausos ainda ressoavam, e os sussurros já se misturavam às risadas e ao tilintar das taças.

Lorena tentava recuperar a respiração. O coração ainda batia rápido, e os lábios ainda ardiam não de dor, mas de memória. Ela sentia o olhar de Dante ao lado, a mão dele quente e firme sobre a sua, guiando-a com uma segurança que contrastava com o tremor que ela ainda percebia em seus dedos.

Foi real, pensou. O beijo foi real.

Mas antes que pudesse aprofundar aquele pensamento, algo mudou.

O burburinho dos convidados começou a ganhar outro tom. Não era mais a alegria da festa. Era algo mais agudo. Mais tenso.

Primeiro, foi o barulho. Um estrondo metálico vindo da entrada da mansão - o som inconfundível de metal contra metal, de algo sendo arrancado do lugar. Depois, o ronco de um motor acelerando, alto demais, agressivo demais para o ambiente tranquilo do jardim.

- O que foi aquilo? - alguém perguntou, a voz trêmula.

- Estão invadindo?

Os convidados começaram a se levantar, os olhos fixos na direção do portão. Os seguranças corriam, mas já era tarde.

O carro preto avançou pelo caminho de pedras, os pneus cantando no asfalto, jogando terra e cascalho para os lados. Os convidados se dispersaram em gritos, alguns derrubando cadeiras, outros se afastando em direção às saidas.

O carro parou no meio do jardim.

O motor roncava, ameaçador.

E então a porta se abriu.

Rafael desceu.

O terno escuro estava amassado, a gravata frouxa, os olhos vermelhos e injetados. O corte no supercílio ainda estava aberto, e o sangue já começava a escorrer novamente, misturando-se ao suor. Mas não era a aparência que assustava. Era o olhar.

O olhar de quem já não tinha nada a perder.

- Rafael - o nome escapou dos lábios de Lorena antes que pudesse conter.

Dante se moveu instintivamente, colocando-se à frente dela, o corpo ereto, os braços abertos em um gesto de proteção.

- Fica atrás de mim - ordenou, a voz baixa.

- Não se aproxime da minha esposa - Dante disse, a voz firme, mas ainda controlada.

Rafael riu. Um riso baixo, sem humor, que ecoou pelo jardim silencioso.

- Sua esposa? - repetiu, como se a palavra fosse veneno. - Ela é minha esposa. Sempre foi minha.

Ele deu um passo à frente.

Os seguranças hesitaram. Ninguém sabia ao certo o que fazer. Rafael ainda era uma figura poderosa, e ninguém ali queria ser o primeiro a agir.

- Você acha que um papel assinado por um juiz vai mudar o que é meu? - Rafael continuou, os olhos fixos em Lorena. - Eu lutei por você. Eu esperei por você. Eu fiz tudo por você.

A voz dele começou a subir.

- E você me troca por ele? Por esse bastardo?

- Rafael… - Lorena começou, a voz trêmula.

- Cala a boca! - ele gritou, avançando mais um passo. - Você não tem o direito de falar o meu nome. Não depois do que fez.

Dante não recuou.

- Você está bêbado - disse, a voz fria. - E está fazendo papel de ridículo na frente de todos.

Rafael desviou o olhar para ele, e algo mudou em seu rosto. A fúria ainda estava ali, mas agora havia também um sorriso. Um sorriso torto, perturbado.

- Ridículo? - repetiu. - Eu vou te mostrar o que é ridículo.

Ele se virou para os convidados, os braços abertos como se fosse dar um discurso.

- Vocês sabiam que esse homem aí - apontou para Dante - matou a própria mãe? Meu avô ainda o criou? E como ele paga? Roubando a minha mulher.

Os sussurros se espalharam entre os convidados. Jonas segurou Laura, que tremia. Clara mantinha o rosto impassível, mas os olhos estavam arregalados.

Dante deu um passo à frente.

Setenta e dois 1

Setenta e dois 2

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