Rafael puxou o gatilho.
O estalo foi seco.
Mas o tiro não veio.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
Rafael olhou para a arma, confuso. Tentou puxar o gatilho de novo. Nada.
- Droga… - murmurou, os olhos ainda vidrados.
Os seguranças não hesitaram dessa vez.
Eles avançaram, imobilizando Rafael em segundos. A arma caiu no chão, e ele foi jogado contra o carro, os braços torcidos para trás, o rosto pressionado contra o capô quente.
- Não toca em mim! - ele gritou, se debatendo. - Vocês não sabem quem eu sou!
Dante não respondeu. Apenas segurou Lorena com mais força.
- Eu vou destruir vocês! - Rafael continuou, a voz já distorcida. - Eu vou acabar com tudo! Com a empresa, com a festa, com essa porcaria de casamento!
Os seguranças o arrastaram para dentro do carro, fechando a porta com um baque seco. O motor roncou, e o veículo preto sumiu pelo caminho de pedras, deixando para trás um rastro de poeira, convidados assustados e um silêncio pesado que ninguém sabia como quebrar.
Lorena sentiu as pernas fraquejarem.
Dante a segurou.
- Eu estou aqui - disse, a voz suave, só para ela. - Não vai acontecer nada.
Ela não respondeu.
Apenas se apoiou nele, os olhos fixos no portão por onde Rafael havia desaparecido.
O silêncio que ele deixou para trás era pesado, carregado de tudo o que não podia ser dito. As taças ainda estavam sobre as mesas, as flores ainda balançavam com a brisa, o sol ainda brilhava - mas nada era mais como antes.
Theo foi o primeiro a se mover.
Ele se aproximou do casal, o rosto pálido, mas a voz firme.
- Vocês precisam ir para dentro. Eu cuido daqui.
Dante hesitou por um segundo, os olhos ainda fixos no portão.
- Lorena…
- Eu vou levar ela - Clara interrompeu, surgindo ao lado de Theo.
O rosto da Demolidora estava impassível, mas havia algo nos olhos - uma frieza calculada, uma avaliação silenciosa.
- Você precisa ficar para acalmar os convidados - continuou, olhando para Dante. - E ela precisa sair daqui. Agora.
Dante apertou a mão de Lorena por um segundo a mais, como se relutasse em soltar.
- Vai - disse, baixo, só para ela. - Eu te encontro lá dentro.
Lorena assentiu, ainda sem conseguir falar.
Clara a conduziu para dentro da mansão, os passos rápidos, os olhos atentos ao redor. Lorena a seguia como uma sonâmbula, o vestido arrastando no chão, a mente ainda presa no momento em que a arma apontou para a cabeça de Dante.
- Ele podia ter matado ele - murmurou, mais para si mesma.
- Mas não matou - Clara respondeu, seca. - Sorte a sua.
Lorena ergueu os olhos, mas a Demolidora já se afastava, o celular na mão, os dedos digitando em alta velocidade.
Do lado de fora, Theo organizava a saída dos convidados. Alguns ainda estavam pálidos, outros já cochichavam em grupos, os olhares se desviando quando ele se aproximava.
- A festa acabou - disse, a voz firme, sem espaço para questionamentos. - Peço que se dirijam à saída. Os seguranças vão acompanhá-los até seus carros.
Os convidados começaram a se dispersar, alguns ainda relutantes, outros agradecidos por poderem ir embora.
Jonas segurava Laura, que tremia.
- Nós podemos ver a Lorena? - perguntou o pai, a voz carregada de preocupação.
Dante se aproximou, o rosto ainda tenso, mas os olhos já mais firmes.
- Claro que podem - respondeu, a voz calma, mas carregada de autoridade. - Ela precisa de vocês agora. Mais do que nunca.
Jonas o encarou, os olhos ainda desconfiados.
- E o Rafael…
- Eu cuido de tudo - Dante interrompeu, sustentando o olhar. - Minha única preocupação agora é ela. E a segurança de vocês.
Laura enxugou os olhos com o dorso da mão.
- Nós vamos cuidar dela - falou, tentando se acalmar.
- Vão. Por favor, acalme-na. - Dante colocou a mão no ombro de Jonas, num gesto que surpreendeu os dois. - Ela precisa de vocês. Do apoio de vocês. Não deixem que o que aconteceu aqui tire a paz dela, Rafael já causou dano suficiente a ela todos esses anos.
- Meu Deus…
- Mesmo que depois eles provassem que era falso - Nina continuou, os olhos brilhando - o dano já estaria causado. O casamento estaria manchado. A imagem dela, destruída. E Rafael nunca mais olharia para ela do mesmo jeito.
Helena engoliu em seco.
- E agora?
Nina não respondeu de imediato.
O celular vibrou dentro da bolsa.
Ela olhou para a tela. A expressão mudou.
- É a sogrinha.
Helena franziu a testa.
- Sônia? O que ela quer?
Nina atendeu, a voz doce, calculada.
- Sônia…
Do outro lado, a voz da sogra vinha tensa, carregada de urgência.
- Rafael foi levado para a delegacia. O velho já está mexendo os pauzinhos para tirar ele do comando do grupo Menezes.
Nina ficou em silêncio por um segundo.
- Eu sei, quando o assunto é aquela puta da Lorena, ele não pensa
- Precisamos agir - Sônia respondeu, a voz mais baixa. - Se Rafael perder o controle da empresa, nós também perdemos tudo.
Nina apertou o celular com mais força.
- O que você sugere?
- União - Sônia disse, direta. - Você, eu. Agora. Não temos tempo a perder.
Nina olhou para Helena, que a observava com os olhos arregalados.
- Estou indo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia