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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 75

Lorena piscou, confusa, os olhos ainda turvos pelo sono. O rosto dele estava ali - tão perto que ela podia sentir o calor da respiração dele.

- Dante…? - a voz saiu falhando, um fio de som.

Ele congelou.

O coração disparou.

O mundo pareceu parar.

Dante recuou bruscamente, como se tivesse levado um choque. O movimento foi tão desajeitado que ele quase caiu da cama, as mãos se apoiando no colchão para manter o equilíbrio, o rosto corado como ele não lembrava de estar há anos.

- Eu… - começou, a voz falhando. - Eu ouvi você murmurando. Achei que… que você estava tendo um pesadelo.

Lorena ainda estava meio sonolenta, os olhos tentando se ajustar à penumbra do quarto. A voz dele parecia distante, como se estivesse vindo de outro lugar.

- Eu estava - respondeu, passando a mão pelo rosto. - Teve uma arma. Muito sangue. E você…

A frase não se completou.

Dante sentiu o peito apertar.

- Não aconteceu nada - disse, a voz mais firme agora. - Eu estou aqui. Está tudo bem.

Lorena assentiu, ainda tentando se convencer. Aos poucos, o sono foi dando lugar à lucidez, e as lembranças do dia começaram a voltar. A festa. A arma. Rafael.

- O que aconteceu com ele? - perguntou, a voz mais alerta agora.

Dante se endireitou na cama, ainda desconfortável, mas tentando recuperar a compostura. Não precisava perguntar quem era.

- Ele está detido. Os advogados estão tentando mantê-lo preso o maior tempo possível. Eu não vou deixar ele sair tão cedo.

Lorena sentiu um misto de alívio e cansaço.

- E a imprensa?

- Controlada. Por enquanto.

Lorena suspirou, passando as mãos pelos cabelos. Aos poucos, o peso do dia voltava a se instalar nos ombros.

- Eu preciso te pedir desculpas. O que aconteceu hoje… eu não vou deixar que aconteça novamente.- disse, se torturando.

- Dante, você não pode se culpar pelo que aconteceu hoje - disse, a voz cansada.

- Na verdade, a culpa foi minha. Eu devia ter previsto…

- Você não tem como prever a loucura de alguém - ela interrompeu - E se for para culpar alguém deveria ser eu…

- Não - Dante respondeu rapidamente, desviando o olhar.

Lorena se levantou de vez.

O movimento foi rápido demais.

A testa dela encontrou o nariz dele com um impacto seco.

Dante grunhiu, recuando, a mão levada ao nariz.

- Ai!

- Meu Deus! - Lorena levou a mão à própria testa, os olhos arregalados. - Dante, eu não vi… desculpa…

- Não está doendo - ele tentou dizer, mas a voz saiu abafada pela mão que ainda apertava o nariz. - Tudo bem. Não foi nada.

- Você está sangrando?

- Não. Só encostou.

Lorena se aproximou, tentando ver melhor na penumbra.

- Deixa eu ver.

- Não precisa.

- Dante…

- Eu disse, não foi nada.

Ele recuou mais um pouco, os olhos ainda fixos nela, o rosto ainda corado.

Lorena tateou a parede perto da cama até encontrar o interruptor.

A luz acendeu.

Quando olhou direito para ele, seu nariz escorria sangue.

O sangue ainda escorria do nariz dele.

- O kit - Lorena disse, finalmente. - Onde você guarda?

- No banheiro. Armário branco. Segunda gaveta.

Ela foi, pegou o que precisava, e voltou. Abriu o pacote de gaze com mãos trêmulas e se aproximou.

- Inclina a cabeça para frente - pediu, a voz mais baixa.

Dante obedeceu.

Os dedos dela tocaram o rosto dele com uma delicadeza que contrastava com a confusão dos últimos minutos. A gaze pressionou suavemente as narinas, e o sangue começou a parar.

Os olhos dela encontraram os dele, e o silêncio que se seguiu foi diferente. Mais íntimo. Mais perigoso.

Dante desviou o olhar primeiro.

- Vou ficar bem - disse, a voz mais controlada. - Pode ir dormir.

Lorena hesitou.

- Dante…

- Tudo bem - insistiu, mais firme. - Amanhã a gente conversa.

Ela abriu a boca para dizer algo, mas desistiu. Apenas assentiu.

- Boa noite.

Dante se levantou, a gaze ainda no nariz, e caminhou até a porta. Antes de sair, parou.

- Lorena.

Ela ergueu os olhos.

- Nada do que aconteceu hoje foi sua culpa.

E saiu, fechando a porta atrás de si com um clique suave.

Lorena ficou ali, imóvel, as palavras ainda ecoando.

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