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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 76

A luz do sol atravessava as frestas da cortina em linhas finas, douradas, pousando sobre o rosto de Lorena quando ela finalmente abriu os olhos.

Demorou alguns segundos para entender onde estava, o teto não era conhecido, tão pouco as cobertas ou o travesseiro. Ela piscou devagar, sentindo a cabeça pesada, culpa da madrugada insone ou de ter pensado demais.

As lembranças vieram aos poucos. A festa. A música. A tensão no ar. E depois o caos: Rafael, a arma, o desespero. E então… Dante. Tão perto. Perto demais.

Lorena fechou os olhos por um instante, pressionando os lábios, como se pudesse empurrar a memória para longe. Mas não adiantava. O calor da respiração dele, o susto nos olhos quando ela acordou… tudo ainda parecia recente demais. E depois, seus pais na porta. O sangue. O silêncio constrangedor.

Ela soltou um suspiro longo e cansado, levando a mão ao rosto. O sono não tinha vindo fácil.

Depois que Dante saiu do quarto, ela ficou horas acordada, olhando para o teto, com a mente girando em círculos. Cada pensamento puxava outro, como um fio que não acabava nunca.

Mas o que mais se repetia não era o que aconteceu no quarto, e sim o que Clara disse.

"Todos sabiam que ele amava alguém por tantos anos."

"A mulher que ele esperou. A mulher que ele nunca superou."

"Então por que você ficou com aquele lixo do Rafael?"

Lorena abriu os olhos de novo, encarando o teto. Um aperto estranho se formou no peito. Não era dor. Era algo mais difícil de nomear.

Ela se sentou devagar na cama, puxando o lençol até a cintura. Os cabelos estavam desalinhados, caindo sobre o rosto, e o corpo ainda carregava o peso da noite mal dormida.

Pegou o celular ao lado da cama: quase meio-dia. Franziu a testa. Nunca dormia até tão tarde.

Foi então que percebeu: sobre a mesa de cabeceira, uma bandeja. Ficou imóvel por um instante, apenas olhando. Café ainda morno, leite, pães organizados com cuidado, manteiga, geleia, um copo de suco fresco, um guardanapo de pano dobrado com precisão. E, ao lado, em um pequeno vaso de vidro… uma rosa branca.

Lorena engoliu em seco. Havia intenção ali, cuidado. Teria sido preparado por seus pais ou por ele?

Levantou-se da cama com calma, caminhando até a bandeja como se se aproximasse de algo frágil demais para ser tocado sem cuidado.

Passou os dedos de leve pela borda da mesa, depois pela pétala da rosa, macia, delicada. Por um segundo, apenas um, se permitiu sentir. Depois recuou.

Foi até o banheiro. Lavou o rosto demoradamente, como se a água fria pudesse organizar os pensamentos. Escovou os dentes, prendeu o cabelo de qualquer jeito e trocou de roupa, algo simples: calça jeans, blusa neutra.

Quando voltou ao quarto, sentou-se na beira da cama e começou a comer, sem muita fome, mas consciente de que precisava.

Cada mordida era automática. Mas a mente não parava.

Será que Clara disse a verdade? Será que Dante realmente amava alguém há anos?

E se fosse verdade… quem era essa mulher? Alguém que ele perdeu? Alguém que o rejeitou? Alguém que ele ainda esperava?

Lorena apertou os dedos ao redor da xícara. E por que isso a incomodava? Franziu a testa, irritada consigo mesma.

Aquilo não fazia sentido. Ela não tinha direito de se incomodar. Aquilo era um acordo. Um contrato. Um casamento de fachada. Ela mesma repetiu isso inúmeras vezes. Então por que aquela ideia, de existir outra mulher no coração dele, causava aquele desconforto silencioso?

Deixou a xícara sobre a bandeja com mais força do que pretendia.

Respirou fundo. Não. Ela não podia entrar nesse tipo de pensamento.

Não agora. Não depois de tudo.

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