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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 86

A manhã se arrastou para Lorena.

Dante passou a maior parte do tempo no escritório com Helena. As portas ficaram abertas, e dava para ouvir as risadas, as conversas animadas, o som de vozes que se entrelaçavam como se nunca tivessem se separado.

Em algum momento, ele a levou para fazer um tour pela empresa.

Lorena viu quando passaram pelo corredor: Helena ao lado de Dante, o braço dela tocando o dele em alguns momentos, os sorrisos trocados, a intimidade de quem se conhece há anos.

- Eles são mesmo próximos - comentou uma das assistentes ao lado de Lorena, os olhos brilhando de curiosidade. - Disseram que ela foi a primeira investidora dele. Que acreditou no projeto quando ninguém mais acreditava.

Lorena não respondeu. Apenas voltou os olhos para a tela do computador, os dedos tamborilando no teclado sem realmente digitar nada.

- Lorena? - a assistente chamou.

- Hum?

- Você está bem? Está pálida.

- Estou - mentiu. - Só um pouco cansada.

A verdade é que o estômago começara a doer de novo.

Nas últimas semanas, os remédios tinham mantido as úlceras sob controle. Desde o beijo, porém, algo tinha mudado. A preocupação silenciosa, o medo de se entregar, a confusão sobre o que sentia - tudo isso voltou com mais força depois que viu Helena ao lado de Dante.

E agora, a dor voltava.

Lorena abriu a gaveta, pegou o frasco de remédios e tomou um comprimido. Depois outro.

Não adiantou muito.

O relógio marcava quase uma da tarde quando Dante apareceu na porta da sala dela.

- Lorena - chamou, a voz suave. - Vamos almoçar.

Ela ergueu os olhos do computador. Helena estava atrás dele, o sorriso ainda no rosto. Theo também, falando algo baixo com a modelo.

- Eu… - Lorena começou, hesitando. - Vocês podem ir na frente. Eu vou depois.

Dante franziu a testa.

- Depois? Vamos todos juntos.

- Não precisa. Eu tenho algumas coisas para terminar aqui.

- Lorena…

- Vai, Dante. Não me espera.

O tom dela foi mais firme do que pretendia.

Dante a observou por um segundo, os olhos percorrendo o rosto dela como se tentasse decifrar alguma coisa.

- Você está bem?

- Estou - respondeu, rápida demais. - Só estou ocupada. Vou comer alguma coisa aqui mesmo. Vocês vão.

Está sim. Está com ciúmes de um homem que não te pertence.

Lorena fechou os olhos, apoiando a cabeça nas mãos.

O computador continuava ligado, a tela acesa, os e-mails não lidos. Ela tentou se concentrar, mas a dor não deixava. A preocupação não deixava. A imagem de Helena ao lado de Dante não deixava.

Pegou o frasco de remédios e tomou outro comprimido. O terceiro em menos de duas horas.

Sabia que não devia. Sabia que o médico tinha alertado sobre os riscos. Mas a dor era maior que a razão.

O celular vibrou.

Dante: Estou mandando sua salada favorita.

Lorena leu a mensagem, mas não respondeu.

Dante: Você quer mais alguma coisa?

Outra mensagem.

Dante: Lorena?

Ela deixou o celular na mesa.

Não queria responder. Não queria dar satisfação. Não queria parecer frágil.

O estômago doía. O coração doía mais.

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