No restaurante, Dante não tirava os olhos do celular.
- Relaxa - Theo disse, cortando um pedaço do bife. - Ela só está ocupada.
- Ela não parecia bem.
- Está sim. Só está ocupada.
Helena observava a troca, os olhos verdes percorrendo o rosto de Dante com uma curiosidade que ela não escondia.
- Eu acho que ela estava com ciúmes - provocou.
Dante ergueu os olhos.
- Como assim?
- O olhar dela pra mim… principalmente quando eu me aproximava de você.
Dante pensou por um segundo.
- Não. Ela não…
- Eu conheço melhor as mulheres que você - Helena o interrompeu.
- Será que ela entendeu errado a nossa amizade?
Dante fez menção de se levantar. Se Lorena realmente estivesse com ciúmes, isso queria dizer que ela tinha algum sentimento por ele?. Mas ele não podia deixar que ela o interpretasse mal.
Helena puxou o braço dele, fazendo-o sentar novamente.
- Deixa ela ficar com ciúmes um pouquinho. Só assim ela vai perceber o que sente por você de verdade.
- Eu não vou fazer joguinhos com ela.
Dante levantou, o prato praticamente intocado.
O restaurante ficava a apenas uma quadra do escritório, mas o trajeto pareceu uma maratona. Na recepção, ele encontrou por coincidência o entregador do restaurante com a comida que tinha acabado de mandar para Lorena.
- Pode deixar, eu levo.
Ele assinou o comprovante de recebimento e praticamente correu até o elevador.
O andar da presidência estava praticamente vazio. A hora do almoço tinha dispersado a maioria dos funcionários, e o silêncio ecoava pelos corredores como um presságio.
Dante foi direto para a sala ao lado do seu escritório o espaço que Lorena usava.
Não a encontrou.
A cadeira estava vazia. O computador ainda ligado. A bolsa no chão, ao lado da mesa.
- Lorena? - chamou, a voz ecoando no ambiente vazio.
Ninguém respondeu.
Os olhos estavam fechados, e uma lágrima escorria pelo canto do rosto.
Dante tocou o rosto dela. A pele estava fria, úmida de suor.
- Meu Deus… - murmurou.
Ele a puxou com cuidado, tirando-a do chão, os braços envolvendo o corpo dela com uma delicadeza que contrastava com o desespero que sentia.
- Vou te levar para o hospital - disse, a voz firme, mesmo que o coração estivesse em pedaços. - Você vai ficar bem.
Lorena não respondeu.
Apenas se agarrou a ele, os dedos frios apertando a camisa dele.
Dante saiu da sala com ela nos braços, os passos rápidos, a respiração curta.
No corredor, alguns funcionários que voltavam do almoço se afastaram, os olhos arregalados.
- Chamem o motorista - ordenou, a voz autoritária. - Agora.
Ninguém questionou.
O elevador desceu.
E, dentro dele, Dante segurava Lorena como se ela fosse a coisa mais frágil e mais preciosa do mundo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia