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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 88

A luz era forte demais, incomodando seus olhos, Lorena não conseguiu identificar onde estava de imediato. O teto era branco demais, as paredes claras demais, e havia um cheiro familiar no ar antisséptico, limão, algo que ela conhecia bem, mas não queria lembrar.

Hospital.

A consciência voltou aos poucos, como uma maré que avança sem pressa.

Lorena piscou algumas vezes, os olhos ainda pesados, a mente lenta. O corpo doía, não a dor aguda do estômago, mas o cansaço profundo de quem esteve apagada por muito tempo.

Foi então que o sentiu.

O calor.

Algo envolvia sua mão direita, algo quente, firme, presente.

Ela virou o rosto devagar.

Dante estava ali.

Sentado numa cadeira ao lado da cama, o corpo inclinado para frente, a cabeça apoiada sobre os braços cruzados ao lado dela. Os cabelos castanhos caíam sobre a testa, desalinhados, como se ele tivesse passado as mãos neles incontáveis vezes. O nariz perfeito, o maxilar bem marcado, uma barba leve começando a despontar no queixo.

Ele segurava a mão dela como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

Lorena ficou ali, imóvel, apenas admirando.

O relógio na parede marcava pouco depois de uma da manhã. Ela esteve desacordada por quase doze horas. E, pelo que parecia, ele esteve ao seu lado todo esse tempo.

Na mesa de cabeceira, o notebook ainda estava aberto. Ele tinha trabalhado ali, esperando.

O coração dela apertou.

Lorena tentou se levantar com cuidado, para não acordá-lo. Queria arrumar a cabeça dele, que pendia numa posição claramente desconfortável - no dia seguinte, ele acordaria com dor no pescoço.

Mas, ao tentar mover o braço esquerdo, sentiu uma pontada.

A agulha do soro.

O movimento foi o suficiente.

Dante despertou.

Ele ergueu a cabeça bruscamente, os olhos ainda turvos pelo sono, as mãos passando pelo rosto num gesto automático. Levou um segundo para entender onde estava - e mais um para lembrar o que tinha acontecido.

- Lorena - a voz saiu rouca, carregada de preocupação. - Como você está? Está sentindo alguma coisa? Quer que eu chame o médico?

- Calma - ela disse, a voz ainda fraca, mas com um pequeno sorriso. - Eu estou bem. Não estou sentindo dor.

Ele a observou por um segundo, os olhos percorrendo o rosto dela como se buscasse algum sinal de que ela estava mentindo.

- Por que você não me disse? - perguntou, a voz mais baixa agora. - Por que não falou que estava sentindo dor?

Lorena desviou o olhar.

- Eu não queria te preocupar.

O silêncio que se seguiu foi diferente. Pesado.

Quando Lorena voltou a olhar para ele, a expressão de Dante havia mudado. Ele estava mais sério do que ela jamais o vira. Os olhos, que antes eram suaves e preocupados, agora estavam duros. A mandíbula travada. As mãos fechadas sobre os joelhos.

Lorena sentiu um frio na espinha.

Oitenta e nove 1

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