O médico chegou poucos minutos depois.
Era um homem de meia-idade, cabelos grisalhos, olhar atento e profissional. Entrou no quarto com a calma de quem já viu de tudo, a prancheta na mão, o estetoscópio pendurado no pescoço.
- Bom dia - disse, com um aceno educado. - Ouvi dizer que estamos com uma possível reação?
Dante estava ao lado da cama, os braços cruzados, a expressão tensa. A camisa social branca que ele vestiu às pressas tinha pontos molhados nos ombros e no peito, gotas que escorriam dos cabelos ainda úmidos, marcando o tecido e revelando os contornos do corpo por baixo.
Lorena tentou não olhar.
Falhou.
O médico se aproximou, pegou o aparelho de pressão e começou a envolver o braço de Lorena com a braçadeira preta.
- Vamos ver como estão esses números - disse, ajustando o estetoscópio nos ouvidos.
Lorena sentiu a borracha apertar o braço. O coração já batia rápido - não por causa da suposta reação, mas por causa do homem ao lado da cama. A camisa molhada. O cabelo ainda pingando. O olhar preocupado fixo nela.
O médico soltou o ar devagar, conferindo o mostrador.
- Hum… - murmurou, franzindo a testa.
- O que foi? - Dante perguntou, imediatamente alarmado.
- A pressão está alterada. Um pouco alta.
Lorena sentiu o rosto esquentar.
Alta? Claro que está alta. Você está aqui, com essa camisa molhada, me olhando desse jeito…
- Ela nunca teve problema de pressão - Dante disse, a voz tensa. - O que pode ser?
- Estresse, ansiedade, alguma reação à medicação… - o médico listou, ainda observando o mostrador. - Vamos verificar novamente daqui a pouco.
- Já falei que não é nada - Lorena interveio, a voz mais alta do que pretendia. - É só o susto de ontem. Eu estou bem.
O médico ergueu uma sobrancelha.
- A senhora já teve algum histórico cardíaco? Problemas de pressão antes?
- Não. Nunca.
- Algum episódio de ansiedade? Taquicardia?
Lorena sentiu o rosto queimar.
- Não… eu só…
Ela não conseguiu terminar a frase. Porque, naquele momento, os olhos dela voltaram a encontrar o corpo de Dante. A camisa molhada grudada na pele, os ombros largos, o peito definido que ela ainda lembrava sem a toalha, sem nada.
O rosto ficou mais vermelho.
O médico olhou para o mostrador novamente.
- Subiu mais um pouco - comentou, a voz calma, mas atenta. - Vamos repetir em alguns minutos. Por enquanto, a alta que estava programada para esta manhã vai ter que esperar.

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