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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 93

Uma semana se passou desde que Lorena recebeu alta do hospital.

Dante não estava brincando quando disse que cuidaria das refeições saudáveis.

Na manhã seguinte ao retorno dela para casa, a campainha tocou cedo. Quando Lorena abriu a porta, encontrou uma senhora de meia-idade - postura firme, sorriso acolhedor, mãos marcadas pelo tempo. Mãos de quem passara a vida inteira na cozinha.

- Meu nome é Lúcia - disse, com voz gentil. - O senhor Dante me contratou para cuidar da alimentação da senhora.

Lorena piscou, surpresa demais para reagir de imediato. Tentou dizer que não precisava, que aquilo era exagero, mas as palavras não chegaram a sair. Havia algo no olhar de Lúcia - uma mistura de profissionalismo e carinho - que a fez desistir antes mesmo de começar.

E, no fim, não se arrependeu.

A comida era impecável. Pratos leves, equilibrados, mas cheios de sabor. Tudo preparado com um cuidado quase pessoal - como se cada refeição tivesse sido pensada exclusivamente para ela. Era impossível não perceber o quanto Dante tinha levado aquilo a sério.

No trabalho, as mudanças também eram evidentes.

Sem avisar, sem pedir permissão, Dante havia transformado parte do armário da própria sala em uma espécie de farmácia particular. Tudo organizado. Remédios separados por horário. Etiquetas coloridas. Uma precisão quase obsessiva.

E, como se não bastasse, um alarme no celular dele tocava quatro vezes ao dia - sempre no horário exato em que ela precisava tomar a medicação.

Lorena reclamou no primeiro dia.

- Você não precisa fazer isso.

Dante sequer levantou os olhos dos documentos.

- Preciso, sim.

Simples. Direto. Encerrado.

Ela tentou insistir. Ele ignorou. Com aquele jeito teimoso que ela já conhecia - e que, por algum motivo, não a irritava tanto quanto deveria.

No fundo… ela gostava.

Naquela manhã, Dante mandou uma mensagem para que ela lembrasse de tomar os remédios. Ele estava na sala de reuniões, ajustando os últimos detalhes do algoritmo.

Lorena foi ao escritório dele. O sol iluminava os prédios, refletindo nos vidros das janelas e desenhando linhas suaves sobre o chão da sala. Estava silencioso, exceto pelas vozes abafadas vindas da sala de reuniões.

Lorena reconhecia o tom dele mesmo através da parede. Calmo. Firme. Seguro. Às vezes, mais baixo - quando explicava algo com paciência. Outras vezes, mais incisivo - quando queria deixar um ponto absolutamente claro.

Havia também risadas ocasionais.

E aquilo… aquilo a fez sorrir de leve, sem perceber.

O armário estava aberto. Ele devia ter esquecido de fechar.

Lorena se aproximou. As prateleiras estavam exatamente como ela já conhecia: frascos alinhados, etiquetas bem visíveis, tudo no lugar certo. Era quase impossível não achar graça. Dante realmente tinha levado aquilo a sério demais.

Ela pegou o frasco correspondente ao horário, abriu, colocou o comprimido na boca e engoliu com um gole de água. Simples. Automático.

Quando estava prestes a fechar o armário, algo chamou sua atenção.

A porta ao lado. Outro compartimento. Fechado.

Lorena inclinou levemente a cabeça.

O que será que ele guarda ali? Mais remédios? Documentos?

A curiosidade surgiu discreta, mas insistente.

Ela sabia que deveria ir embora. Invadir a privacidade de Dante não era certo - principalmente depois de tudo que ele vinha fazendo por ela.

Mas a mão já estava no puxador.

Ela abriu.

E congelou.

Não eram remédios. Nem documentos.

Era uma lata de biscoitos.

Noventa e quatro 1

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