Fábio se espremeu para perto de Afonso.
— Afonso, nós dois prestamos um favor imenso para você dessa vez. Como planeja nos recompensar?
Os lábios de Afonso se curvaram levemente.
— O que estão querendo extorquir de mim agora?
— Se a Naiara ganhar o campeonato de robótica desta vez, me dá o robô vencedor de presente — sugeriu Fábio.
Afonso ergueu as sobrancelhas.
— Quanta ambição.
— Eu o quero. — O homem, que raramente reivindicava os créditos, falou de repente.
Fábio ficou surpreso.
— Olha só, Cícero, desde quando você também cobra tão caro?
— Não posso deixar que a sua cara de pau tire todo o proveito de Afonso sozinho — respondeu o homem, e um sorriso quase imperceptível cruzou seu rosto. — Eu também quero a minha fatia desse bolo.
Afonso deu um pequeno gole em seu uísque, apertando os lábios finos.
— Cícero, ela sempre teve muita curiosidade sobre você. Qualquer dia desses, vou apresentá-los.
— Pelo que entendi, você só vai nos apresentar porque ela está curiosa, apenas para satisfazer a vontade dela? — questionou Cícero.
— Basicamente isso — confirmou Afonso.
Cícero deu um meio sorriso.
— Parece que ela não é qualquer uma para você.
— Para protegê-la, ele mobilizou uma força imensa. Acha mesmo que ela seria apenas "qualquer uma" para ele? — interveio Fábio. — Mas, Afonso, o seu tio com certeza vai descobrir sobre isso em breve. Como pretende lidar com a situação?
O sorriso nos lábios de Afonso desapareceu gradualmente.
— Ele já me procurou. Tivemos uma discussão terrível.
Fábio suspirou.
— Olha, como seu amigo, repito o que já disse: eu apoio você. — Em seguida, virou-se para o outro homem: — E você, Cícero?
O olhar de Cícero era pesado, e sua voz soou com certa frieza:
— Eu o aconselho a não perder tempo com coisas sem sentido.
Fábio lhe deu um leve chute por debaixo da mesa.
— Que tipo de coisa é essa para se dizer?!
— Poxa, estávamos tão bem, para que falar disso agora?! — Ele deu outro chute em Cícero. — Seu idiota! Só porque você tem um coração de pedra, não precisa jogar um balde de água fria no Afonso! Quem sabe as coisas não mudam?
Na verdade, Fábio disse aquilo sem convicção alguma. Ele sabia perfeitamente o peso das responsabilidades que Afonso carregava. A família Xavier era complexa; sob a fachada de harmonia, escondiam-se inúmeras disputas por poder. Os primos de Afonso, por exemplo, não eram flor que se cheirasse. O casamento arranjado de Afonso com a família Âncora servia, acima de tudo, para equilibrar as forças dessas facções inquietas. Mais importante ainda, era o último desejo no leito de morte de sua tia. Fosse qual fosse o motivo, eram obrigações das quais Afonso não poderia fugir.
Não querendo que o clima continuasse tão tenso, Fábio tentou amenizar:
— Afonso, não leve a mal a falta de filtro dele. Ele só não imaginava que você fosse ficar tão furioso dessa vez. Convenhamos, não é nada fácil tirar você do sério.
Afonso fechou os olhos, escondendo a decepção no olhar.
— Quem tocar nela e no herdeiro que ela espera, merece a morte.
Fábio provocou, sem medo do perigo:
— Aquele filho é do Carlos, seria até melhor se ela o perdesse.
Afonso lançou-lhe um olhar glacial.
Fábio rendeu-se imediatamente:
— Brincadeira, brincadeira! Não importa de quem seja, é o filho da Naiara! Foi só uma piada, não se irrite!
Afonso ficou em silêncio por um longo tempo e murmurou, como se falasse consigo mesmo:
— Aquela criança...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...