Ele era sempre assim: inabalável em sua racionalidade, perfeitamente ciente de qual era a prioridade no momento.
Naiara sentou-se quieta no sofá, desfrutando daquele cuidado minucioso e atencioso. Afonso segurou o secador, ajustou a temperatura para o ar morno e, ainda insatisfeito, testou o calor na palma da própria mão antes de direcioná-lo aos cabelos dela.
Assim que os fios estavam secos, Naiara ouviu um barulho vindo do lado de fora do quarto.
Era a voz de Natália.
— Felícia, por que você tá me puxando? Eu quero ver o Tio Afonso!
A resposta de Felícia foi abafada, impossível de se entender. Mas logo depois, a vozinha de Natália soou de novo:
— Ah, é verdade! Não podemos atrapalhar o momento do casalzinho.
Logo em seguida, o corredor mergulhou no silêncio.
Naiara e Afonso trocaram um olhar e, numa sintonia perfeita, caíram na risada.
Naiara verificou as horas no relógio.
— Já está tarde. Você vai voltar para casa ou vai dormir aqui?
— Eu queria muito ficar com você, mas não tenho roupas limpas aqui. Tenho medo que você sinta nojo de mim se eu dormir com a mesma roupa.
— Nós temos — respondeu Naiara, com simplicidade.
Afonso piscou, surpreso. — Temos o quê?
— Roupas limpas para você. Suas peças.
Os dedos longos de Afonso deslizaram pelos fios do cabelo dela. Sua voz, suave, transparecia uma pitada de incredulidade:
— Você preparou roupas para mim aqui?
Naiara sorriu. — Uhum.
— Quando você arrumou isso?
— No dia seguinte depois de eu ter te dito 'vamos tentar'. Quando saí do trabalho, passei no shopping a caminho de casa e comprei.
Afonso não conseguiu esconder o calor que lhe invadiu os olhos. Talvez para evitar que ela ficasse envergonhada, provocou com um tom brincalhão:
— Então quer dizer que você já estava de olho em mim faz tempo.
Naiara passou os braços ao redor do pescoço dele, os olhos brilhando de diversão.
— Sim, eu já estava de olho em você. Mas decidi ser como o pescador paciente: um anzol sem curva e sem isca, esperando o peixe morder por vontade própria.
Afonso sentou-se, afastou bem as pernas e, segurando-a pela cintura, a trouxe para sentar no meio do seu colo.
Ele passou os braços pelas costas dela e repousou as mãos delicadamente sobre o ventre arredondado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...