*Cof, cof.*
As duas tosses forçadas fizeram Naiara esconder o rosto no peito de Afonso, rindo baixinho de vergonha.
Fábio se aproximou, a voz transbordando provocação.
— Afonso, quanta pressa, hein! Os seus amigos estão bem aqui. Além do mais, a Naiara ainda está de resguardo pós-parto, segura esse fogo aí.
Afonso riu, sem demonstrar a menor vergonha.
— Eu já me segurei esse tempo todo, acha que não aguento mais uns dias?
Cícero saiu do quarto do bebê com a expressão enigmática.
— Afonso, percebi que você mudou.
Afonso puxou Naiara pela mão e os dois sentaram-se juntos no sofá.
— Mudei em quê?
Cícero ajustou as mangas do paletó.
— Você se revelou um falso puritano.
...
Fábio soltou uma gargalhada estrondosa.
— Não é que ele se revelou! O homem sempre foi um falso puritano. Só que, antes de ficar com a Naiara, ele vivia fazendo pose de cara sério, guardando tudo pra ele!
Ele virou-se para Naiara, ainda rindo.
— Diz aí, Naiara, você não tem vergonha desse sem-vergonha do seu marido, não?
Naiara aninhou-se nos braços de Afonso, sorrindo docemente.
— Eu gosto dele assim. Gosto dele de qualquer jeito.
Fábio ficou sem palavras.
— ...
— Beleza! Finjam que eu não disse nada. O trouxa sou eu.
Para coroar a declaração, Afonso, bem na frente dos dois, depositou um beijo sonoro na bochecha de Naiara, premiando a resposta perfeita.
Depois de mais algumas piadas, Cícero entregou a Naiara um envelope de papel pardo.
— O meu presente de boas-vindas para o meu afilhado.
Naiara, curiosa, fez menção de abrir.
— Só abra depois que formos embora — advertiu Cícero.
Fábio não ficou para trás e estendeu o seu próprio envelope.
— Aqui está o meu.
Naiara segurou a curiosidade e guardou os dois.
— Obrigada, meninos.
Cícero se levantou, abotoando o paletó.
— Já vimos o bebê, já entregamos os presentes. Não vamos mais atrapalhar o momento do casalzinho.
Cícero não brincava em serviço.
Em seguida, ela abriu o envelope de Fábio.
Dentro, havia apenas um cartão de banco.
O cartão parecia familiar.
Afonso, observando por cima do ombro dela, explicou:
— É o mesmo cartão que eu dei a ele como presente de casamento daquela vez. Ele contém todos os lucros do Pavilhão Imperial.
A lembrança daquele fatídico "casamento" trouxe a Naiara um traço de melancolia.
— Mas eu aposto que a quantia que tem nesse cartão agora é infinitamente maior do que a que você deu a ele na época.
Afonso não tinha a menor dúvida.
— Com certeza.
Naiara olhou para o cartão e para a escritura.
— Eles dão o sangue por você, Afonso.
Ele a abraçou por trás, apoiando o queixo no ombro dela.
— Quando o avião caiu e, dias depois, eu vi o Cícero aparecendo lá em Zorah para me resgatar... sabe no que eu pensei?
Naiara virou o rosto para encará-lo.
— No que você pensou?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...