Naiara estava prestes a ligar para Zuleica quando foi interrompida por Pedro Jasmim.
— Irmã...
Pedro exibia uma expressão de choro contido.
Naiara desviou o olhar para o filho.
O bebê estava sendo mimado nos braços de Henrique Xavier.
O patriarca da família adorava o neto recém-nascido. Desde o nascimento do menino, os sorrisos no rosto do velho se tornaram frequentes, e ele parecia ter rejuvenescido uma década.
Naiara segurou o riso. Ela já imaginava o que Pedro diria a seguir.
E não deu outra.
— Irmã, eu quero me demitir.
Em um tom de falsa gentileza, Naiara relembrou:
— Se não me engano, você não trabalha na minha empresa. Se quer pedir demissão, deveria procurar a sua chefia.
O rosto de Pedro desabou de vez.
— Eu até queria falar com eles, mas não tenho coragem.
Naiara não aguentou e riu.
— Existe alguma coisa neste mundo que você não tenha coragem de fazer?
— Existe, sim. — Pedro lançou um olhar furtivo e carregado de ressentimento na direção de Afonso, mas sem ousar levantar a voz. — Meu cunhado me enganou direitinho! Me disse que o cargo de almoxarife era uma posição de liderança importantíssima. E olha no que deu!
O herdeiro da família Jasmim estendeu as mãos em um gesto digno de pena.
A base de suas palmas estava coberta de calos ásperos.
Estava claro que vinha realizando um trabalho braçal intenso naquelas últimas semanas.
Quanto mais pensava no assunto, mais indignado Pedro ficava.
— Que liderança o quê! É só um encarregado de galpão! Eu não tenho apenas que catalogar um estoque infinito de mercadorias; me botam para carregar e descarregar caminhões também!
— Irmã, isso não é trabalho de gente! É pura tortura!
Naiara respondeu com a mais absoluta calma:
— Se outras pessoas dão conta, por que você não daria?
— E desde quando eu me comparo aos outros? Eu sou o herdeiro da família Jasmim! Em toda a minha vida, eu nunca peguei no pesado!
— E tem mais: o cunhado me prometeu um carro da empresa. Fui ver, e é uma van capenga! Uma lata velha descascada!
Ele, o orgulhoso Sr. Pedro, sendo obrigado a bater ponto já era uma ofensa, mas chegar ao trabalho dirigindo uma van velha? Era o ápice da humilhação.
A vergonha era tamanha que ele estava até evitando os amigos da alta sociedade para não ser alvo de piadas.
Naiara encostou a cabeça no ombro do marido.
— Choramingar é pouco. Ele estava indignado. Disse que vai pedir demissão.
— É mesmo? Se quiser sair, a porta da rua é serventia da casa. — comentou Afonso.
Naiara riu baixo.
— Vi as mãos dele agora pouco. Dava até um pouco de pena. Ele cresceu cercado de mordomias, com criados fazendo tudo por ele. Enfrentar a vida real tão de repente... é natural que reclame.
— Mesmo assim, estou surpresa que ele tenha aguentado tanto tempo em silêncio.
— O José estava apenas querendo dar uma lição nele por sua causa, talvez tenha levado as coisas um pouco para o lado pessoal. Vou dar um toque para ele pegar mais leve. — explicou Afonso.
Os pensamentos de Naiara, no entanto, logo voltaram para Zuleica.
A chamada tocou repetidas vezes, mas ninguém atendeu.
Um pressentimento ruim instalou-se em seu peito.
— Ela me garantiu que viria, não é do tipo que fura compromissos. E agora o telefone só chama. Será que aconteceu alguma coisa?
Afonso acariciou os ombros dela, tentando tranquilizá-la.
— Talvez algum imprevisto urgente a tenha atrasado. Tente ligar de novo mais tarde.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...