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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 980

Carlos ficou ali, paralisado, como se algo estivesse apunhalando seus nervos repetidamente.

A maneira como Afonso cuidava de sua ex-mulher com tanta devoção feria seus olhos.

Ele sempre acreditou que nunca mais teria herdeiros nesta vida. Nunca imaginou que sua amante estivesse grávida de um filho seu, e que, no fim, esse mesmo filho tivesse sido morto por suas próprias mãos. Aquele desfecho dilacerava seu coração.

A mente de Carlos era um completo caos. De repente, uma exaustão profunda tomou conta de sua alma.

Ele era o intocável Sr. Carlos, o CEO que tinha o mundo aos seus pés, que comandava os ventos e as chuvas. Mas por que, de repente, sentia que não tinha absolutamente nada?

As duas mulheres que um dia o amaram profundamente haviam sido perdidas por culpa dele.

A criança que os céus lhe enviaram havia sido morta por ele.

...

Carlos encarou Zuleica fixamente. Encarou-a por um longo, longo tempo.

Por fim, virou as costas e foi embora sem olhar para trás.

A fúria de Naiara não se dissipou; seu peito ainda estava apertado.

Além do nojo que sentia de Carlos, havia o ódio por Isadora.

Como ela pôde fazer algo tão cruel?!

Será que, por ter perdido o próprio bebê, ela precisava fazer com que os outros também provassem o gosto amargo de perder um filho?!

Naiara respirou fundo, tentando acalmar os nervos.

— Você pode chamar a polícia. Transforme isso em um escândalo.

Se fizesse isso, Carlos certamente daria a Zuleica uma quantia exorbitante de indenização só para abafar o caso.

Ela não podia sair perdendo em todas as frentes. A criança se foi, mas financeiramente, Carlos não deveria sair impune.

Foi por isso que Naiara deu a sugestão, pragmática e direta.

Mas Zuleica apenas balançou a cabeça.

— Deixe para lá. Isso deve ser o meu castigo. O castigo por ter destruído a família dos outros, por ter me envolvido com um homem casado.

O suspiro que se seguiu carregava uma dor de partir a alma.

— Talvez seja melhor que a criança tenha partido. Assim, os meus laços com ele estão cortados para sempre.

Naiara engoliu as palavras que estava prestes a dizer.

Se a própria vítima via as coisas daquela forma, o que mais ela poderia argumentar?

--

Nos dias em que Zuleica esteve internada, Naiara foi visitá-la diariamente.

Foi apenas no primeiro dia que o rosto de Zuleica exibiu cores de tristeza e desespero absoluto.

A partir do dia seguinte, ela agia com uma normalidade assustadora, como se nada tivesse acontecido.

— Ela também pediu desculpas por não se despedir. Estava com medo de perder o controle e desabar.

Naiara segurou o envelope, sentindo um nó na garganta.

— Para onde ela foi?

— Voltou para a terra natal dela. Foi procurar a irmã.

Dália soltou um suspiro pesado.

— Eu tentei convencê-la a ficar até se recuperar fisicamente, mas ela foi teimosa. Se o corpo aguentasse, acho que teria ido embora no mesmo dia em que perdeu o bebê.

O coração de Naiara deu um salto doloroso.

Aquele lugar havia se tornado um cemitério para ela. Um túmulo onde a vida que lhe era mais preciosa estava enterrada.

Por isso ela não ousou ficar mais nenhum segundo.

Tinha medo de que o ambiente trouxesse as memórias de volta.

E tinha medo de começar a odiar aquele homem.

— Srta. Naiara.

A voz de Dália tirou Naiara de seus devaneios.

— Obrigada por tratar pessoas como nós como seres humanos de verdade.

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