Depois de todos aqueles conselhos, Sara percebeu que precisava se esforçar mais ali. Estava mesmo vivendo como uma mosca morta naquela casa. E entendeu que, se não se posicionasse, acabaria vivendo do mesmo jeito que viveu na casa dos pais.
Depois do almoço, ficou mais um tempo no quarto, tentando criar coragem para sair dali e voltar para o quarto de Renato.
Com as mãos tremendo, tocou a maçaneta da porta que dava acesso ao quarto dele. Mas, antes de abrir, se inclinou e tentou espiar pelo buraco da fechadura, só para ter certeza de que não havia ninguém lá dentro além dele.
Tendo o silêncio como resposta, girou a maçaneta e abriu a porta.
O quarto estava escuro, com apenas o barulho discreto do ar-condicionado ligado. Ela entrou devagar, quase sem fazer som, e logo notou que Renato estava deitado na cama, dormindo.
Respirando fundo, se aproximou da cama com cuidado, como se qualquer barulho fosse capaz de acordá-lo.
Renato estava diferente dormindo. O semblante dele parecia calmo, sereno, quase irreconhecível perto do homem impaciente e frio que ela via acordado. O rosto relaxado, o peito subindo e descendo devagar, o silêncio ao redor… tudo aquilo fazia-o parecer menos duro.
No mesmo instante, o coração dela começou a bater mais forte.
E isso a deixou confusa.
Ela ficou parada por alguns segundos, apenas observando. Sem saber exatamente por que estava ali daquele jeito, olhando para ele como se estivesse tentando entender algo que nem ela mesma sabia explicar.
A sensação de lembrar que tinha se entregado àquele homem… e permitido que ele tocasse seu corpo… fez um arrepio subir pela nuca e descer pelas costas.
Ela não sentia amor.
Mas a atração física era forte demais para negar.
Renato sabia exatamente como deixá-la sem ar.
Sara passou a língua pelos lábios, inquieta, e desviou o olhar para os ferimentos cobertos pelos curativos. Apesar de tudo, ele ainda estava se recuperando. Ainda estava frágil. E, por mais estranho que fosse admitir, aquilo era quase uma garantia de que ele não a tocaria por um tempo.
Mas por que isso a deixava frustrada?
A pergunta surgiu do nada e a pegou desprevenida. Engoliu em seco mais uma vez, irritada consigo mesma. Não saber o que se passava dentro da própria cabeça a deixava ainda mais perdida no meio de todo aquele caos.
Ela devia se sentir aliviada. Devia agradecer pelo descanso. Pelo espaço. Pela distância.
Mas não era isso que estava sentindo.
Sara passou a mão pelo próprio braço, tentando afastar aquele pensamento, e acabou olhando de novo para o rosto dele. Mesmo dormindo, Renato ainda parecia ter um tipo de presença que ocupava o quarto inteiro.
E então, sem perceber, sua mente puxou outra lembrança.
Raquel.
Pensou na irmã e em como ela teve coragem de abandonar um homem tão… perfeito. Porque, por mais que Renato fosse frio e difícil, ele era aquele tipo de homem que chamava atenção. E não apenas pelo dinheiro ou pelo poder.
Ele era bonito. Intenso. Perigoso até.
E, além de prazer, Raquel recebia dele algo que Sara não recebia.
Amor.
A constatação veio como um tapa na cara.
Pressionando os dedos contra a palma da mão, sentiu o peito apertar de um jeito estranho. Não era ciúme exatamente… mas doía pensar que, para Renato, ela era só o que sobrou. O que ficou. O que foi empurrado para o lugar errado.
— Não me subestime — disse, puxando-a para mais perto. — Posso estar ferido, mas continuo com a mesma vitalidade de antes.
Dessa vez, foi ela quem sentiu a provocação. Mas, ao contrário dele, não riu. Apenas sentiu o rosto queimar, como se o corpo inteiro denunciasse o que tentava esconder.
O silêncio que se instalou entre os dois pareceu crescer. Renato percebeu.
E, sem dar espaço para que ela se reorganizasse, tornou a puxá-la, agora com mais força, fazendo-a se deitar ao lado dele.
Sara arregalou ainda mais os olhos.
— O que pensa que está fazendo? — ela perguntou, e o nervosismo escapou na voz antes que conseguisse conter.
Aproximando a boca do ouvido dela, ele deixou que a respiração quente tocasse sua pele.
— Só quero te mostrar que ainda preciso de você na minha cama — respondeu, num sussurro baixo e provocador.
Ela tentou se afastar, mas ele a prendeu com facilidade, mantendo-a perto demais.
A mão que não estava ferida deslizou devagar até a gola da camisa dela, e então os dedos começaram a abrir os botões, um a um, com calma… como se tivesse certeza de que ela não iria fugir.
Ao perceber o que ele pretendia, Sara tentou se esquivar, mas ele não lhe deu trégua. Após desabotoar a camisa, ele deslizou a mão pela saia dela. Foi então que percebeu que aquela pele lisinha, de que se lembrava bem, tinha pequenas cicatrizes de cortes.
Confuso, franziu a testa e ergueu o rosto, analisando os pequenos ferimentos.
— O que foi isso? — perguntou, sem entender por que havia pequenas marcas no corpo dela. — Quem fez isso com você? — perguntou, já mudando o tom da voz.

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