A expressão fria que se formou no rosto dele fez Sara engolir em seco, tomada pelo medo. Ela não entendeu o motivo daquela reação tão inesperada.
— Não foi nada — explicou, tentando soar tranquila. — Fui eu que me machuquei sozinha.
Mas, pelo olhar dele, ficou claro que ele não parecia nem um pouco satisfeito com a resposta.
Renato se afastou um pouco e ligou a luz do quarto, iluminando todo o ambiente. No mesmo instante, voltou a atenção para o corpo dela e para os pequenos cortes que ainda cicatrizavam em sua pele.
— Como se feriu assim? — perguntou, sério, passando a mão pelos pequenos cortes.
Ela o encarou com os olhos ainda assustados, mas decidiu contar a verdade.
— Isso aconteceu quando entrei em seu carro — confessou, vendo linhas de expressão se formarem na testa dele.
— Como assim?
— Você não se lembra? — questionou.
Renato parou, pensou um pouco no que ela estava dizendo, mas nada lhe veio à memória.
— Não, eu não me lembro de nada.
Tentando manter a calma, ela respirou fundo.
— Na noite em que você chegou aqui ferido de carro, eu te vi machucado e ensanguentado. Como falaram que um médico ou uma ambulância demorariam para chegar na fazenda, eu simplesmente tomei coragem… te coloquei no banco do passageiro e tomei o volante do carro. A Odete ainda foi comigo para me ajudar a te manter acordado.
Sem acreditar no que acabava de ouvir, Renato ficou boquiaberto.
— Como estava preocupada com a sua situação, nem havia notado os pequenos pedaços de vidro que estavam no banco do motorista. Foi assim que acabei me cortando um pouco. Não foi nada grave. Depois que você foi atendido, uma enfermeira me ajudou a desinfetar e cuidar deles.
Naquele instante, Renato não disse mais nada. Sua mente apenas repetia que, mais uma vez, havia sido enganado por Lorena. Como ela podia ter contado que foi ela quem o levou para a cidade? Como teve a audácia de mentir mais uma vez, olhando em seus olhos?
— Está mesmo falando sério que fez isso? — perguntou, depois de um tempo, ainda sem acreditar por completo no que ouvia.
Pensando que ele estava irritado por saber o que havia feito, Sara tentou se explicar:
— Eu juro que só pensei no seu bem. Eu sei que foi arriscado, mas se ficasse aqui esperando por socorro, talvez você não tivesse conseguido sobreviver. Você estava muito ferido… e as mulheres ficaram todas em estado de choque quando te viram. Eu percebi que, se dependesse delas, as coisas só tardariam ainda mais, e o seu caso era sério demais para esperar por uma reação tardia.
Enquanto falava, havia uma expressão aflita no rosto de Sara. Dava para notar o quanto ela havia realmente ficado preocupada com o que havia acontecido com ele. E, naquele instante, perceber que, mesmo depois de tudo o que havia acontecido entre eles, existia um sentimento como aquele, só demonstrava que ela não era tão ruim quanto ele pensava.
— Eu não me lembro de nada disso — ele confessou, depois de um tempo.
— Isso é normal, já que você estava bastante ferido.

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