A cada dia que passava no Canadá, Sara percebia o quanto seria difícil voltar a ter uma vida comum no Brasil.
Os dias naquela casa eram longos e monótonos, sem nada para fazer. Alessandro não permitia que ela se ocupasse com nada, alegando que qualquer esforço poderia prejudicar o bebê. Por causa disso, ela acabava se isolando no quarto ou, às vezes, no jardim, lendo um livro ou se entretendo nas aulas de inglês que ele insistiu para ela fazer.
Durante o dia, ficava praticamente sozinha. Os funcionários viviam ocupados com seus afazeres e, embora a tratassem muito bem, não pareciam pessoas abertas ao diálogo. Alessandro saía pela manhã e só retornava à noite. Era raro vê-lo pela casa no restante do dia, até mesmo nos fins de semana.
A única exceção era quando ela precisava ir a alguma consulta médica. Nessas ocasiões, ele fazia questão de levá-la pessoalmente e de acompanhá-la em tudo. Fazia questão de estar presente, até mesmo dentro do consultório. Essa atenção que recebia dele a deixava cada dia mais confusa, sem saber o que esperar ou como agir. Porque, por mais que ele a tratasse bem, ela sabia que havia segundas intenções por trás de tudo o que fazia.
De qualquer forma, não importava quanto tempo passasse, ainda era estranho interagir com ele, ainda mais sabendo das coisas que Alessandro já havia feito, como fugir com a noiva do melhor amigo no dia do casamento… ou descartar Raquel assim que percebeu que ela não tinha mais utilidade.
Sara tinha plena consciência de que também poderia ser descartada quando deixasse de ser conveniente para ele. Por isso, sabia que precisava pensar em um plano B o mais rápido possível. O que não sabia era como faria aquilo, ainda mais estando em um país totalmente desconhecido. Se estivesse no Brasil, aproveitaria a ausência de Alessandro e sairia durante o dia para buscar alternativas. Mas ali, naquele lugar estranho, ela nem sabia por onde começar.
Certa noite, enquanto estava confinada em seu quarto, Alessandro apareceu e avisou que eles sairiam para jantar fora. O convite foi inesperado, mas, como sempre, ela não soube dizer não. Ainda mais a ele, que a cada dia a tratava melhor.
Como a noite estava bem fria, ela vestiu uma roupa casual de inverno e colocou um casaco por cima. Os dois saíram sozinhos, e ele começou a dirigir pela cidade. Enquanto Alessandro se mantinha concentrado na estrada, ela observava a paisagem ao redor. Toronto era uma cidade esplêndida, diferente de tudo o que já tinha visto na vida.
Após alguns minutos, Alessandro estacionou o carro próximo a um restaurante. Os dois desceram e entraram no local, escolhendo uma mesa bem discreta ao fundo. O lugar estava pouco movimentado, o que fez Sara se sentir bem mais à vontade.
— Está gostando da cidade? — Alessandro perguntou de repente.
Virando-se para encará-lo, Sara respondeu:
— É um lugar bem bonito.
— Aposto que deve ser uma grande mudança de estilo de vida, já que você estava acostumada com aquela fazenda.
— Nisso você tem razão. Esta cidade é um grande contraste em relação a onde eu estava.
— Mas aposto que você se divertia por lá também, não é mesmo? Aposto que o Renato a levava para sair sempre.
Ela tentou se lembrar de alguma vez em que tivesse saído com Renato, mas só vieram à mente o dia da cirurgia nos olhos e as vezes em que o acompanhou na reabilitação. Fora isso, nunca tinham saído para fazer algo que não fosse por obrigação. E perceber aquilo a deixou triste, sem saber exatamente por quê.
— As coisas não eram bem assim — comentou, sentindo um nó na garganta.
— Sério?
Naquele momento, ele a encarou mais profundamente, como se estivesse realmente interessado na conversa.
— O Renato sempre foi muito ocupado, e a maioria das nossas interações se limitava àquela fazenda.

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