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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 159

Enquanto dirigia, Renato não parava de repreender Lorena pelo que ela havia acabado de fazer.

— Por que fez isso, hein? — dizia, nervoso. — Por que tinha que contar para a minha mãe?

— E por que eu tinha que esconder? — Ela rebateu, no mesmo tom. — Eu estou grávida, Renato. Isso não é algo que eu possa esconder por muito tempo.

Ele soltou uma respiração pesada, irritado.

— Você faz isso de propósito, não faz?

Lorena virou o rosto devagar, encarando-o de lado.

— Faço o quê de propósito? — perguntou, fingindo não entender.

Percebendo o cinismo dela, ele apertou o volante com mais força, ainda mais ao se lembrar do que Odete havia dito sobre Lorena ser completamente diferente pelas costas.

— Eu devia ter te mandado embora da minha casa quando o seu pai faleceu — sussurrou.

Mas aquilo não passou despercebido por ela.

— Você vai mesmo tentar justificar tudo do seu jeito… me colocando como a vilã da história?

— Eu não estou te colocando como vilã — disse, frio. — Só estou começando a enxergar certas coisas com mais clareza.

Dando uma risada curta e sem humor, ela respondeu:

— Que conveniente.

— Você mesma está se mostrando.

— Ah, claro… — ela ironizou. — Agora tudo é culpa minha.

— Eu não disse isso.

— Não precisa dizer — rebateu, mais dura. — Está estampado na sua cara desde ontem.

O silêncio dentro do carro durou por alguns segundos, até que ele voltou a falar, mais baixo:

— O que eu não entendo… é por que você está com tanta pressa de transformar isso num problema público.

— Porque, diferente de você, eu não tenho a intenção de fingir que nada aconteceu.

Ele estreitou os olhos.

— Ninguém está fingindo nada.

— Está sim — ela insistiu. — Você está tentando ganhar tempo. Pensar. Controlar a situação… como sempre faz.

Renato não respondeu de imediato, porque, no fundo, ela não estava totalmente errada.

Mas isso não diminuía a desconfiança que crescia dentro dele.

— Se você acha que vai me pressionar desse jeito…

— Eu não preciso te pressionar — o cortou no mesmo instante. — A realidade já está fazendo isso por mim.

Aquela frase ficou em sua mente durante o restante do trajeto. Havia retornado para a fazenda com um propósito e tudo parecia estar virando de pernas para o ar. No fundo, sentia que aquilo só poderia ter sido um castigo pelas coisas ruins que havia feito com Sara.

Quando chegaram ao consultório médico, Renato fez questão de que fossem atendidos com prioridade. Lorena percebeu e, por dentro, sorriu.

Poucos minutos depois, os dois entraram na sala. O médico, que estava organizando alguns papéis sobre a mesa, levantou o olhar e franziu levemente a testa ao ver Lorena novamente ali.

— Senhorita… aconteceu alguma coisa com o bebê?

Ao posicionar o aparelho de ultrassom, logo uma pequena imagem começou a se formar na tela. Ele ajustou o ângulo com cuidado, mantendo os olhos atentos ao monitor.

— Aqui está — disse, apontando. — Conseguem ver essa pequena estrutura?

Tentando entender o que estava vendo, Renato se inclinou levemente para frente. O médico ampliou a imagem.

— Este é o saco gestacional — explicou com calma. — A gestação é bem inicial, mas está visível.

O coração de Renato deu um baque seco no peito, enquanto Lorena virou o rosto lentamente na direção dele, observando cada reação.

O médico continuava explicando, mas Renato já não escutava mais nada. As palavras viraram apenas um ruído distante em seus ouvidos. Porque, naquele momento, uma única coisa martelava dentro da sua cabeça:

Sara.

A possibilidade de trazê-la de volta para o seu lado parecia escorregar por entre seus dedos, ficando cada vez mais distante. Naquele momento, o peito dele apertou.

Como ela reagiria àquela notícia?

A imagem dela surgiu imediatamente em sua mente: as lágrimas de desespero para ser ouvida, a forma como ele a expulsou da fazenda. Ele engoliu em seco. Se Sara já estava ferida antes, o que aconteceria quando soubesse disso? O pior era que, naquele momento, ele sentia que já não tinha mais o controle da situação e isso o deixava completamente vulnerável.

Quando saiu do consultório, já com a confirmação da gravidez de Lorena, caminhou até o carro em silêncio absoluto. Seu semblante abatido escondia mal o turbilhão que se formava dentro dele.

Lorena o seguiu, desta vez em silêncio, respeitando o momento. Sabia muito bem que, quando ele não tinha nada a dizer… era porque estava se sentindo encurralado.

Os dois entraram no carro, cada um mergulhado nos próprios pensamentos.

Ele, tentando entender como sua vida havia saído tanto do eixo em tão pouco tempo, e ela, calculando os próximos passos.

Estavam tão imersos naquele silêncio que não perceberam o que acontecia do outro lado da rua. Ao longe, parcialmente escondido atrás de um carro estacionado, alguém os filmava discretamente com uma câmera.

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