Renato Salles
Nunca imaginei que chegaria a esse ponto. Nos últimos dias, eu estava completamente perdido. Depois que a gravidez de Lorena foi confirmada, tive a certeza de que minha vida nunca mais voltaria a ser como antes.
Agora eu me sentia preso… numa armadilha que eu mesmo criei.
Como pude ser tão irresponsável? Como deixei meu corpo falar mais alto que a razão?
Saber que seria pai deveria me trazer alegria. A criança não tinha culpa de nada, não tinha nada a ver com os meus erros. Ainda assim, aquela notícia bagunçava tudo. Porque, no fundo, tudo o que eu mais queria era encontrar Sara e o filho que ela esperava.
Queria me reconciliar com ela. Queria explicar que, na noite em que a expulsei de casa, cometi um dos piores erros da minha vida, mas que aquilo não significava nada.
Mas como faria isso agora?
Como olharia nos olhos dela… e admitiria que uma consequência daquele erro me acompanharia para sempre?
Passei a mão pelo rosto com força, sentindo mais uma vez a dor de cabeça que vinha me acompanhando todos os dias e que remédio nenhum parecia ser capaz de controlar.
Minha vida em casa estava sendo uma verdadeira tortura. Mesmo sem assumir nenhum compromisso com Lorena, eu sabia que teria responsabilidades com a criança. Por isso, decidi afastá-la do trabalho, para se concentrar na gestação.
Quando voltei do médico com ela naquele mesmo dia, pedi que se recolhesse ao quarto e evitasse qualquer tipo de esforço. Eu realmente queria que ela se cuidasse… mas também precisava evitar que abrisse a boca e espalhasse aquela notícia entre os funcionários, ou, pior, que voltasse a trocar farpas com a minha mãe.
Assim que me certifiquei de que ela havia entrado no quarto, dei de cara com a minha mãe no corredor do escritório. Pela expressão dela, parecia que já me esperava havia um bom tempo.
— Até que enfim você chegou — disse, aproximando-se.
— Não me amole, mãe. Não estou com cabeça para isso — respondi, passando por ela e entrando no escritório.
Mas minha mãe não parecia disposta a me deixar em paz. Ela entrou logo atrás e fechou a porta.
— Sei que você não está com cabeça para isso, mas precisa me contar o que está acontecendo. Aquela mulher disse que está grávida, Renato. Como você pôde se deitar com ela?
— A culpa é sua — respondi, nervoso.
Eu já estava cansado de vê-la com aquele ar dissimulado, como se fosse a dona da razão.
— Minha culpa? — Ela perguntou, levando a mão ao peito, visivelmente ofendida.
— Sim, dona Constança. Se a senhora não tivesse armado contra a Sara, eu não a teria colocado para fora de casa… e não viria para cá, com tanta raiva, a ponto de cair na provocação da Lorena, que também soube se aproveitar da situação.
Minha mãe arregalou os olhos e se aproximou mais da mesa onde eu estava sentado.
O olhar indignado dela não me convencia nem um pouco. Pelo contrário… só me deixava ainda mais nervoso.
— Do que está falando, filho?
— Não se faça de boba — rebati na hora. — Eu sei muito bem o que a senhora planejou com o Humberto.
— C-como? — Ela gaguejou e seu olhar vacilou no mesmo instante.
Foi ali que tive a certeza de que tudo o que Odete havia dito era verdade.
— Essa não deveria ser a pergunta! — gritei, jogando os papéis que estavam sobre a mesa no chão. — A pergunta deveria ser: como a pessoa que se diz minha mãe, sabendo de tudo o que eu passei, teve coragem de fazer algo tão sujo? Ainda mais sabendo que eu estava gostando da Sara?
— Filho… eu não fiz nada — tentou se defender.
— Vai mesmo continuar mentindo para mim? — gritei.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!