Eu vi o desespero nos olhos dela quando percebeu que eu não voltaria atrás. Ainda assim, o que me pegou de surpresa foi vê-la se ajoelhar diante de mim, juntando as mãos como se estivesse em oração.
— Pelo amor de Deus, meu filho… você não pode fazer isso comigo. Pense em como eu vou me sentir…
Respirei fundo, sem sentir nem um pouco de pena daquela cena.
— E por que eu pensaria na senhora… se a senhora nunca pensou em mim? — questionei, sem suavizar o tom da voz.
Ela tremeu.
— Desde o dia em que a Sara chegou aqui, eu pedi que a deixasse em paz. — Dei um passo mais perto, fixando meu olhar no dela. — Mas tudo o que a senhora fez foi exatamente o contrário do que pedi.
O silêncio dela disse mais do que qualquer resposta.
— A senhora não me respeitou, mãe. Nunca me levou a sério.
Passei a mão pelos cabelos, tentando conter a revolta que voltava a subir.
— Eu passei todo esse tempo tentando relevar o que a senhora fez… mesmo já conhecendo bem as suas crueldades.
Minha mandíbula se contraiu.
— Mas agora a senhora chegou ao limite. E desta vez… não tem volta.
Ela começou a chorar de verdade dessa vez. Não era mais aquele choro calculado que eu conhecia tão bem, havia desespero ali.
— Renato… por favor… eu sou sua mãe… — a voz dela saiu quebrada.
Fechei os olhos por um segundo, mas não cedi.
Quando voltei a encará-la, mantive a postura firme.
— Justamente por ser minha mãe é que a senhora deveria ter pensado melhor antes de fazer o que fez.
Ela balançou a cabeça, negando, como se quisesse apagar tudo.
— Eu só quis te proteger…
— Não. — Minha voz saiu cortante. — A senhora quis controlar. Como sempre fez.
O choro dela aumentou.
— Eu fiz isso por você…
— Não fez por mim! — interrompi, sentindo a paciência finalmente se rompendo. — Porque se tivesse feito… não teria passado por cima de mim… não teria humilhado a Sara… e muito menos…
Minha voz falhou por um breve segundo, mas me recompus.
— …muito menos teria ignorado que ela estava esperando um filho meu.
O rosto dela perdeu ainda mais a cor.
Dei um passo para trás, como se precisasse de distância para não vacilar.
— Acabou, mãe.
Aquelas palavras pareceram ecoar pelo escritório.
— O motorista vai levá-la para a cidade e de lá, faça e vá para onde quiser, mas aqui não.
Ela me encarou como se eu tivesse acabado de partir seu coração ao meio. E, pela primeira vez em muitos anos, eu não me senti culpado.
— Arrume suas coisas. Quero a senhora fora desta casa antes do anoitecer.
Decidido, virei as costas e saí dali. Eu queria sumir daquela casa, mas sabia que não podia fugir dos meus próprios problemas.
[…]
Ainda no escritório, Constança viu o filho sair dali, ignorando-a como se ela não fosse nada.


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