A proposta fez Alessandro parar para pensar um pouco. Ele encarou bem a face de Renato e viu que ele estava mesmo disposto a dar ou fazer qualquer coisa por Sara, e era aquilo mesmo que ele queria, no entanto, queria provocá-lo o quanto pudesse, para tornar aquele embate mais divertido.
— Por que acha que eu iria querer alguma coisa?
O cinismo estampado no rosto do ex-amigo só fazia a irritação de Renato crescer ainda mais. Mesmo assim, ele se esforçava para manter o controle.
— Pare com isso e diga logo o que quer! — repetiu, agora visivelmente impaciente. — Todo homem tem um preço, e sei que, depois de tudo o que fez, você não seria diferente.
Alessandro apenas o observava, como se estivesse se divertindo com aquela reação.
— Eu sei que foi você o mandante do atentado contra mim. E é só uma questão de tempo até que isso seja descoberto. Então aproveite a oportunidade que estou te dando e diga de uma vez o que quer… para deixar a Sara em paz e sair da minha vida.
Alessandro permaneceu alguns segundos em silêncio, observando Renato com um olhar de diversão e desprezo. Então soltou uma risada baixa, passando a mão pelo queixo como se estivesse analisando uma proposta curiosa.
— Olha só… — disse, por fim. — O grande Renato finalmente disposto a negociar.
Ele deu alguns passos lentos ao redor dele, como um predador estudando a presa.
— Confesso que isso é quase emocionante… Esperei isso de você quando levei a Raquel comigo, mas, quando percebi que você estava interessado na irmã dela… não pude deixar de ficar curioso. O que será que a Sara tinha para chamar tanto a sua atenção?
Renato sentiu o sangue ferver nas veias.
— Pare de brincar comigo — rosnou, já perdendo a paciência.
— Eu não estou brincando — respondeu. — Na verdade, estou impressionado. Você veio até aqui, atravessou meio mundo, engoliu o orgulho… tudo por causa dela.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Ou talvez por causa do filho que ela está esperando.
O comentário fez um sentimento estranho surgir em Renato. Ele nunca havia se sentido tão encurralado na vida como estava sendo naquele instante.
— Não se atreva a envolver essa criança nos seus jogos.
— Jogos? Você ainda acha que isso é um jogo?
Ele parou diante dele outra vez.
— Não, Renato… isso é muito mais interessante do que um jogo.
— Chega de rodeios. O que você quer?
Alessandro o encarou por alguns segundos, como se estivesse realmente pensando naquilo pela primeira vez, depois deu de ombros.
— Sabe de uma coisa? — disse, com um tom despreocupado. — Acho que você tem razão.
Renato franziu o cenho.
— Sobre o quê?
— Sobre todo homem ter um preço.
Ele deu um pequeno sorriso, cheio de segundas intenções.
— Mas a questão não é se eu tenho um preço… — fez uma breve pausa, encarando-o diretamente. — A questão é se você estaria disposto a pagá-lo.
Renato não hesitou.
— Se isso significar tirar a Sara das suas mãos… sim.
Aquilo pareceu diverti-lo ainda mais.
— Impressionante.
Ele deu alguns passos para trás, enfiando as mãos nos bolsos.
— Eu realmente não esperava que você fosse chegar a esse ponto.
O silêncio caiu entre os dois por um momento, então Alessandro voltou a falar.
— Sabe o que é curioso?
Renato não respondeu.
— Durante anos eu imaginei muitas formas de destruir você… — comentou. — Mas nunca pensei que seria você mesmo quem viria até mim oferecendo tudo de bandeja.

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