— Seu desgraçado!
Renato avançou sem pensar duas vezes e agarrou Alessandro pelo colarinho da camisa, puxando-o com força. O movimento foi tão rápido que Alessandro mal teve tempo de reagir, porém o sorriso sarcástico em seus lábios deixava claro que ele não tinha a menor intenção de se defender ou iniciar uma briga.
— Você acha que pode brincar com a vida das pessoas assim? — rosnou Renato, aproximando o rosto do dele.
Mas Alessandro não demonstrou qualquer sinal de medo, pelo contrário, não tirava o sorriso satisfatório de seus lábios.
— Confesso que isso está sendo mais divertido do que imaginei — confessou.
A provocação foi dita com tanta calma que fez a mão de Renato apertar ainda mais o tecido da camisa dele.
— Fique longe dela — ameaçou entre os dentes.
Alessandro inclinou levemente a cabeça.
— Interessante, pelo que acabei de ouvir, é ela quem não quer ficar longe de mim.
— Você está se aproveitando dela.
— Acha mesmo que precisei fazer alguma coisa? — disse ele, com um sorriso irônico. — Você fez todo o trabalho por mim e ainda me entregou tudo de mão beijada. Confesso que não precisei mover um dedo… quem estragou tudo foi você mesmo.
Renato o soltou com brutalidade e Alessandro ajeitou o colarinho da camisa calmamente.
— Sabe, eu até pensei que você demoraria mais para aparecer — continuou ele. — Ainda mais agora que ela está à espera de mais um bastardo.
Renato estreitou os olhos no mesmo instante, queria socá-lo ali mesmo, mas tentava se controlar.
— Foi você quem contou para ela, não foi?
Alessandro abriu um sorriso satisfeito.
— É claro que fui — respondeu. — Eu jamais perderia uma oportunidade dessas.
— O que você quer, hein? — questionou Renato.
Alessandro soltou uma pequena risada.
— Eu quero isso — respondeu, erguendo a mão e apontando para o ex-amigo de cima a baixo. — Quero ver o desespero nos seus olhos.
— Por qual motivo? — perguntou, tentando entender por que era tão perseguido.
O sorriso de Alessandro desapareceu de repente.
— Porque eu te odeio! — respondeu, quase gritando.
A mudança no tom foi bem nítida.
— Você não faz ideia do quanto sempre te odiei.
Renato franziu a testa.
— Por quê? O que eu te fiz?
Alessandro soltou uma risada alta.
— Pare de bancar o bonzinho. Sempre tive raiva disso em você.
Ele deu um passo à frente, deixando o desprezo evidente em seus olhos.
— Você sempre se achou o centro de tudo. Bajulado por todos, conseguindo tudo o que queria…
Ele balançou a cabeça, com irritação.
— Eu não aguentava mais a sua síndrome de protagonista. Enquanto você era o queridinho de todo mundo, eu sempre fui o que ficava à margem.
— Meu Deus… tudo isso por inveja — Renato sussurrou.
— Não é inveja — rebateu, quase cuspindo fogo pela boca. — Eu sempre fui tão bom ou melhor que você e mesmo assim, acabava perdendo várias oportunidades, porque você sempre interferia em tudo.
A expressão de Renato endureceu.
— Está me culpando pelo fracasso da sua vida?
Os olhos de Alessandro brilharam de irritação, dava para ver o quanto aquela conversa o afetava.
— Eu nunca fui um fracassado — rebateu.
Ele apontou um dedo diretamente para o peito de Renato.
— Mas você tem muito mais do que eu.
— Não a envolva nisso.
— Tarde demais — respondeu, com tranquilidade.
— Se você fizer qualquer coisa contra ela…
— Vai fazer o quê? — O interrompeu, arqueando uma sobrancelha.
Renato cerrou os dentes.
— Você sabe muito bem do que sou capaz.
— Curioso… Porque, até agora, tudo o que vi você fazer foi destruir a própria vida.
— Pode tentar me provocar o quanto quiser — disse, por fim. — Nada do que você fizer vai mudar uma coisa.
Alessandro cruzou os braços.
— E o que seria isso?
— Eu não vou embora daqui sem a Sara. — Renato respondeu sem hesitar.
O sorriso de Alessandro voltou lentamente.
— Então, acho melhor se preparar para uma grande decepção. Porque não sei se percebeu, mas no final elas sempre me escolhem. Primeiro foi a Raquel e agora, com a Sara, não será diferente.
— Não se atreva a comparar a Sara com a Raquel.
— Por que não? — provocou. — Acha mesmo que ela resistiria se eu investisse nela?
— Se você tocar nela, eu te mato! — disse, fechando os punhos.
— Como é bom te ver assim, sabia? — Alessandro riu baixo. — Não sabe o prazer que tenho em ver seu desespero.
Naquele momento, tudo o que Renato queria era socá-lo até que Alessandro perdesse os sentidos. Mas sabia que, mesmo que fizesse aquilo, não conseguiria trazer Sara de volta para perto de si. Ela estava sob o teto de Alessandro e, pior do que isso, sob a influência dele.
— Vamos parar com todo esse rodeio, Alessandro — disse por fim, tentando manter o controle. — Você não vai mantê-la aqui para sempre, eu sei disso. Então diga logo… o que quer em troca para deixá-la ir?

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