— Boa noite, Sara — disse ele, levantando-se para puxar a cadeira para ela.
O gesto a pegou de surpresa, já que Alessandro não tinha aquele costume.
— Boa noite — respondeu, sentando-se.
— Como foi o seu dia? — ele perguntou.
— Bem, obrigada — disse, um pouco nervosa. — E o seu?
— O meu foi corrido, como sempre — explicou ele, servindo-se de água. — Mas confesso que foi um dia produtivo.
— Que bom — murmurou ela, oferecendo um meio sorriso enquanto observava os pratos sobre a mesa.
Por mais que a presença de Alessandro durante o jantar já tivesse se tornado algo habitual, naquela noite tudo parecia diferente. Sara se sentia estranhamente inquieta, como se ele pudesse, a qualquer momento, perceber que algo estava errado.
Era uma sensação incômoda, quase como se Alessandro fosse capaz de ler seus pensamentos.
Ela evitava encará-lo diretamente, concentrando-se no prato à sua frente enquanto pegava os talheres.
— Você saiu hoje — comentou ele de repente.
Sara ergueu os olhos no mesmo instante.
— Sim… eu fui caminhar um pouco.
— Eu imaginei — respondeu, com naturalidade.
Ela franziu levemente o cenho.
— Como assim?
Ele deu de ombros.
— Quando cheguei, a funcionária comentou que você havia saído.
— Ah…
Ela assentiu, tentando parecer tranquila, mas, por dentro, seu coração acelerou um pouco. Por um instante, teve a impressão de que ele sabia de algo.
Alessandro então a observou com mais atenção, como se estivesse esperando que ela dissesse alguma coisa.
O silêncio entre os dois se estendeu por alguns segundos.
— Aconteceu alguma coisa interessante enquanto você estava fora? — perguntou ele, casualmente.
A pergunta a fez prender a respiração por um segundo, era como se ele estivesse testando-a. Ela abaixou o olhar para o prato, tentando manter a voz firme.
— Não… nada de especial.
Alessandro permaneceu em silêncio por alguns instantes, estudando a expressão dela, depois abriu um pequeno sorriso.
— Entendo.
Mas, por algum motivo, Sara teve a clara sensação de que ele não havia acreditado.
— Não fiquei muito tempo na rua — ela decidiu acrescentar, tentando soar natural. — Estava frio demais lá fora e, no horário em que saí, quase não havia ninguém nas ruas.
Ela ajeitou o guardanapo sobre o colo, procurando manter a postura tranquila.
— Sei como é… — disse ele depois de um momento. — Este país é bem diferente do que estamos acostumados.
— Você tem razão — concordou.
Por alguns segundos, o silêncio voltou a se instalar entre eles. Sara mexeu distraidamente na comida, sem estar realmente com fome, então decidiu falar algo que vinha rondando seus pensamentos há dias.
— Falando nisso… — disse, levantando os olhos para ele. — Estou com saudades do Brasil.
Alessandro arqueou levemente uma sobrancelha, como se a observasse com mais atenção.
— É mesmo?
— Sim… — respondeu, com sinceridade.
Ele encostou as costas na cadeira, cruzando os braços com calma.
— Isso é natural.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!