Entrar Via

Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 174

— Boa noite, Sara — disse ele, levantando-se para puxar a cadeira para ela.

O gesto a pegou de surpresa, já que Alessandro não tinha aquele costume.

— Boa noite — respondeu, sentando-se.

— Como foi o seu dia? — ele perguntou.

— Bem, obrigada — disse, um pouco nervosa. — E o seu?

— O meu foi corrido, como sempre — explicou ele, servindo-se de água. — Mas confesso que foi um dia produtivo.

— Que bom — murmurou ela, oferecendo um meio sorriso enquanto observava os pratos sobre a mesa.

Por mais que a presença de Alessandro durante o jantar já tivesse se tornado algo habitual, naquela noite tudo parecia diferente. Sara se sentia estranhamente inquieta, como se ele pudesse, a qualquer momento, perceber que algo estava errado.

Era uma sensação incômoda, quase como se Alessandro fosse capaz de ler seus pensamentos.

Ela evitava encará-lo diretamente, concentrando-se no prato à sua frente enquanto pegava os talheres.

— Você saiu hoje — comentou ele de repente.

Sara ergueu os olhos no mesmo instante.

— Sim… eu fui caminhar um pouco.

— Eu imaginei — respondeu, com naturalidade.

Ela franziu levemente o cenho.

— Como assim?

Ele deu de ombros.

— Quando cheguei, a funcionária comentou que você havia saído.

— Ah…

Ela assentiu, tentando parecer tranquila, mas, por dentro, seu coração acelerou um pouco. Por um instante, teve a impressão de que ele sabia de algo.

Alessandro então a observou com mais atenção, como se estivesse esperando que ela dissesse alguma coisa.

O silêncio entre os dois se estendeu por alguns segundos.

— Aconteceu alguma coisa interessante enquanto você estava fora? — perguntou ele, casualmente.

A pergunta a fez prender a respiração por um segundo, era como se ele estivesse testando-a. Ela abaixou o olhar para o prato, tentando manter a voz firme.

— Não… nada de especial.

Alessandro permaneceu em silêncio por alguns instantes, estudando a expressão dela, depois abriu um pequeno sorriso.

— Entendo.

Mas, por algum motivo, Sara teve a clara sensação de que ele não havia acreditado.

— Não fiquei muito tempo na rua — ela decidiu acrescentar, tentando soar natural. — Estava frio demais lá fora e, no horário em que saí, quase não havia ninguém nas ruas.

Ela ajeitou o guardanapo sobre o colo, procurando manter a postura tranquila.

— Sei como é… — disse ele depois de um momento. — Este país é bem diferente do que estamos acostumados.

— Você tem razão — concordou.

Por alguns segundos, o silêncio voltou a se instalar entre eles. Sara mexeu distraidamente na comida, sem estar realmente com fome, então decidiu falar algo que vinha rondando seus pensamentos há dias.

— Falando nisso… — disse, levantando os olhos para ele. — Estou com saudades do Brasil.

Alessandro arqueou levemente uma sobrancelha, como se a observasse com mais atenção.

— É mesmo?

— Sim… — respondeu, com sinceridade.

Ele encostou as costas na cadeira, cruzando os braços com calma.

— Isso é natural.

— Sinto saudades do clima… — Ela abaixou o olhar por um instante. — Apenas por isso.

— Sei que é apenas por isso — disse ele por fim. — Afinal, do que mais sentiria falta de lá? Você não tinha nada… nem ninguém.

Aquelas palavras a atingiram em cheio. Não era apenas o que ele disse, mas a forma fria e direta com que falou.

— Você tem razão — respondeu por fim, com a voz mais baixa.

— De certo modo, se você retornar, irá com um amigo meu — acrescentou Alessandro —, já que eu não poderei acompanhá-la.

A novidade a pegou completamente de surpresa.

— Um amigo? — repetiu, franzindo levemente o cenho.

— Sim — respondeu. — Ele está no país a trabalho, mas precisa voltar para o Brasil em breve. Então pensei que poderia confiar a ele a tarefa de levá-la.

Tentando entender aquilo, ela o observou por alguns segundos.

— E quem seria esse amigo?

— Não se preocupe, é alguém de confiança — respondeu apenas.

Aquilo não esclareceu nada, mas ela decidiu que não faria mais perguntas. Só o fato de retornar para o Brasil a deixava mais tranquila. Não ficaria naquela casa com Alessandro e também não correria o risco de se encontrar novamente com Renato ali.

— E quando isso acontecerá?

— Ainda não sei. Preciso confirmar com ele quando exatamente retornará. De qualquer forma, já deixo você de sobreaviso.

— Claro — respondeu Sara. — Desde já, eu agradeço mais uma vez pelo que fez e faz por mim.

Ele apenas assentiu.

— Não precisa agradecer. Como eu te disse antes, eu só quero o seu bem.

Ela sorriu, sentindo-se um pouco mais à vontade à mesa. Animada com a possibilidade de voltar para o Brasil, começou a comer como se o apetite tivesse surgido de repente. Havia um brilho diferente em seu rosto, uma mistura de esperança e alívio que ela já não sentia há muito tempo.

Claramente tomada pela expectativa do que poderia acontecer nos próximos dias, nem percebeu que nos lábios de Alessandro havia um sorriso discreto… e calculado.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!