Uma semana. Havia se passado uma semana desde que Renato foi até a casa onde Sara estava morando com Alessandro. Desde aquele dia, tudo o que lhe restava era o silêncio e a terrível angústia da espera.
Cada hora parecia mais longa do que a anterior. Renato sabia muito bem que Alessandro estava fazendo aquilo deliberadamente. Era o tipo de jogo que ele adorava: deixar a vítima inquieta, consumida pela dúvida, sem saber qual seria o próximo movimento.
E aquilo funcionava, porque, por mais que tentasse manter a cabeça fria, se pegava pensando o tempo todo no que Alessandro poderia estar planejando.
No entanto, também sabia que não havia muito o que fazer. Não podia voltar até aquela casa, muito menos procurar Sara novamente. Ela havia deixado claro, da forma mais fria possível, que não queria ouvi-lo. Não estava disposta a reconsiderar nada… e muito menos a lhe dar uma segunda chance.
A lembrança da forma como ela o olhou naquele dia ainda pesava em sua mente, pois não havia apenas mágoa naquele olhar, havia também decepção e aquilo doía ainda mais.
Renato passou a mão pelo rosto cansado, sentado à mesa do pequeno escritório do hotel onde estava hospedado. Desde que chegou à cidade, praticamente não saía dali. Seu celular permanecia sobre a mesa, como um lembrete constante de que estava esperando por uma ligação, uma mensagem ou qualquer sinal que nunca chegava.
Mas Alessandro parecia determinado a prolongar aquele tormento.
— Maldito… — murmurou entre os dentes.
Ele sabia que aquele homem não faria nada sem um propósito, se estava demorando tanto para responder, era porque estava preparando algo e, conhecendo Alessandro, dificilmente seria algo simples.
Renato recostou-se na cadeira, encarando o teto por alguns segundos. No fundo, havia apenas uma coisa que o mantinha ali.
Sara.
Porque, por mais que ela o tivesse rejeitado, por mais que tivesse deixado claro que não queria vê-lo nunca mais, ele não conseguiria simplesmente ir embora. Não enquanto soubesse que ela ainda estava sob o teto de Alessandro e, principalmente… Não enquanto seu filho também estivesse ali.
Enquanto era consumido pela angústia da espera, seu celular começou a tocar sobre a mesa.
Em questão de milésimos de segundo, ele pegou o aparelho e olhou para a tela, mas a expressão de frustração surgiu no mesmo instante ao perceber que se tratava apenas de uma ligação do Brasil. Ainda assim, atendeu.
— Alô — disse, com a voz de decepção.
— Olá, senhor Salles. Aqui quem fala é o doutor Ricardo Cavalcanti, obstetra responsável pelos cuidados da senhorita Lorena. Estou ligando para lhe dar um relatório sobre os últimos exames.
Ao ouvir aquilo, Renato rapidamente se endireitou na cadeira. Por mais que sua mente estivesse completamente voltada para o que acontecia ali no Canadá, ele sabia que também tinha uma responsabilidade no Brasil. Havia uma criança envolvida, o seu outro filho.
Passou a mão pelo rosto, tentando se concentrar.
— Sim, doutor — respondeu, agora mais atento. — Como está o bebê?
— Até o momento, o bebê está estável, senhor Salles — respondeu o médico do outro lado da linha. — No entanto, tivemos que fazer um pequeno ajuste no acompanhamento da gestação.
Renato franziu o cenho.
— Ajuste? O que aconteceu?
— Nada grave — explicou o doutor, com calma. — Mas descobrimos que a senhorita Lorena possui fator sanguíneo Rh negativo, enquanto o feto provavelmente possui Rh positivo.
Renato permaneceu em silêncio por um segundo.
— E isso é um problema?
— Pode ser, se não for acompanhado corretamente — respondeu o médico. — Vou explicar de forma simples para o senhor entender.


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